O Centenário do geógrafo Milton Santos

Efson Lima
A Bahia recebeu como presente o nascimento de Milton Almeida dos Santos em 03 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas. Aquela criança cresceu e se tornou uma das maiores referências da Geografia e do campo das humanidades no mundo. Imortalizou-se com uma vasta produção acadêmica, rompendo preconceitos e se notabilizando como um dos pensadores brasileiros de maior relevo no exterior. Milton Santos se tornou um “diplomata” e difundiu o quê é que a Bahia tem: conhecimento.
A efemeridade do centenário de nascimento de Milton Santos desperta reflexões em torno das contribuições dele para a Geografia e demais campos do conhecimento. Sendo assim, a Academia de Letras de Ilhéus, cuja instituição Milton Santos colaborou para a fundação em 1959 e se imortalizou na cadeira de n.º 35, hoje, ocupada pela jornalista Maria Schaun, promove no dia 05 de maio uma sessão em homenagem a um de seus fundadores e discorrerá sobre a passagem de Milton Santos no sul da Bahia. Em Ilhéus, foi professor do Instituto Municipal de Ensino e estudou sobre as fazendas e a lavoura de cacau, inclusive, publicando estudos sobre o tema. Esteve correspondente do jornal A Tarde, na zona cacaueira, entre 1949 – 1953.
Diversas homenagens e estudos estão a ocorrer sobre o premiado Milton Santos. Os membros da Academia de Letras da Bahia (ALB) aprovaram após a presidência, liderada pelo escritor Aleilton Fonseca, requerer aos pares do sodalício a posse simbólica de Milton Santos como membro correspondente. O homenageado fora eleito em 26/11/1998, entretanto, não tomou posse, faleceu em 24 de junho de 2001. A ALB promoverá, em 07/05/26, reunião dedicada a celebrar o centenário de Milton Santos. Outra distinção de alto relevo é a inscrição de Milton Santos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, por meio de projeto de lei, em tramitação no Congresso Nacional. Extrai-se da proposta o objetivo de reconhecer o legado de Milton Santos e as suas contribuições como “geógrafo negro e intelectual focado no Brasil e na globalização”. O professor foi o primeiro latino-americano a receber o prêmio Vautrin Lud (1994), o “Nobel da Geografia”.

O professor Milton Santos foi perseguido na ditadura militar, precisou se exilar e, para sobreviver, lecionou em universidades da Europa, da África e das Américas. Ele foi reconhecido com dezenove títulos de Doutor Honoris Causa e eleito “O Brasileiro do Século” em 1999, na categoria Educação, Ciência e Tecnologia, pela revista IstoÉ. Recebeu ainda o Prêmio Jabuti (1997) na categoria “Ciências Humanas” e o Prêmio UNESCO de Ciência. Sua obra ultrapassa os muros das universidades, permanece vigente e necessária.
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Efson Lima é Doutor em Direito. Membro das Academias de Letras de Ilhéus e da Grapiúna de Artes e Letras (Agral).
efsonlima@gmail.com













