A escritora grapiúna  Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima lançará o “Quando Nascente”, no próximo dia 28, na Livraria ESCARIZ, das 17h às 20h, no Shopping Barra, em Salvador. No livro, a autora traduz, em densidade serena, a sensibilidade amadurecida e a precisão na consciência de que guarda a palavra, sem urgências ou artifícios, um lugar e uma via.  No seu trabalho, a poesia é ponte – entre o passado e o presente, entre o íntimo e o coletivo, entre o mistério e o tangível.

 

 

Nascida em Itabuna em 1954, Isabel Maria estudou no Gato de Botas, conviveu na terra Grapiúna durante a infância e voltou à região como Professora Visitante da UFSB, em 2014. Seu primeiro livro foi publicado em 1980, o Fio de Lã. Com um livro inédito, Cordão de Contas, ganhou o Prêmio Cidade de Itabuna pela Fundação Cultural, em 1982, mas o livro, à época,  não chegou a ser publicado.

Isabel Maria formou-se em Enfermagem pela UFJF e, posteriormente, estudou Direito pela UCSal. Atuou na área de saúde e na área jurídica, integrando os Direitos Humanos e a defesa da Criança e do Adolescente na sua tese de doutorado (ISC-UFBa) e no estágio de pós-doutorado nos EUA. Foi professora da Universidade Católica do Salvador, da UEFS, da UFBa e da UFSb. Aposentou-se como juíza de direito do Tribunal de Justiça da Bahia e atuou como Consultora da UNICEF e do Ministério da Justiça em Timor-Leste por alguns anos. Trabalha na Construção de Paz e na Justiça Restaurativa com o Moinho de Paz.

 

Ela escreve desde a sua infância em Itabuna e agora publica, com a Editora Confraria do Vento, o seu livro Quando Nascente, reunindo mais de cem poemas de várias décadas.O Prefácio é do Poeta e jornalista Carlos Machado, autor de muitos livros, que recebeu o o III Prêmio Cláudio Willer de Poesia (2025) pela União Brasileira de Escritores (UBE). Carlos Machado mantém há mais de vinte anos o boletim https://algumapoesia.com.br/poesia.htm

Veja um dos poemas do livro:

A PONTE GRAPIÚNA

Volto à cidade onde nasci

O rio tem o mesmo nome

A rua tem o mesmo nome

A ponte tem o mesmo nome

O nome tem outro som.

 

Vou para o hotel.

Ninguém para pedir benção

na casa dos meus avós.

 

A padaria já não vende pão-doce.

A esquina se dissolveu

no breu de andares.

 

O pão do hotel tem gosto de passagem.

Como e sigo.

O rio virou margem

A rua, pajem do tempo, alargou cintura e anca.

 

Madrinha, abre a janela!

 

As meninas da escola

passam por mim

e não puxam a minha trança.

 

Os meninos não usam tamanco

nem correm a ladeira

até a casa do filho do padre.

 

Desancorado,

o barco da minha infância

busca o rio.

 

Na varanda do hotel

olho a praça e o monumento:

a cidade se depura

e destrança seu castelo

e desata meu reino.

 

Foi assim

cresceu a cidade além do meu quarto

além do quarto da lua

além da rua da feira.

Foi assim

o peixe não quis mais nadar

o rio se dissolveu

no vidro de tinta nanquim.

 

E o tempo, desenhista,

traçou na vista

uma ponte.

 

COMO ADQUIRIR

https://www.confrariadovento.com/editora/index.php