Canal do Malhado: a mentira política que une Marão e Valderico contra Jerônimo

Gerson Marques
A obra de fechamento da 2ª etapa do Canal do Malhado, na Avenida Lindolfo Collor, está parada desde 2024. Lama, esgoto a céu aberto e riscos à saúde da população do bairro mais populoso de Ilhéus transformaram-se em arma eleitoral. O discurso repetido por aliados do ex-prefeito Mário Alexandre (Marão) e pela atual gestão do prefeito Valderico Júnior (União Brasil) é o mesmo: “o Governo Jerônimo abandonou a obra”. Essa narrativa, amplamente difundida na mídia local e usada de forma contundente contra candidaturas alinhadas ao governador, como a de Adélia Pinheiro, não resiste aos documentos oficiais.
Os registros do Convênio nº 398/2022, firmado entre a CONDER (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia) e a Prefeitura de Ilhéus, provam o contrário. O Estado cumpriu sua parte. Quem abandonou a obra foi a Prefeitura de Ilhéus.
Cronologia que desmonta a narrativa
Em 3 de setembro de 2022, o então prefeito Mário Alexandre (Marão) assinou o convênio com a CONDER. O Estado se comprometeu a repassar R$ 10.505.878,93, com contrapartida municipal de R$ 784.733,18 (total inicial de R$ 11.290.612,11). A entrega estava prevista para setembro de 2023.
Entre 2023 e 2024, foram celebrados cinco termos aditivos. O 2º incluiu acréscimo de R$ 1.436.815,03 na contrapartida municipal, elevando o valor total do convênio para R$ 12.727.427,14. O 4º aditivo, de novembro de 2024, prorrogou o prazo até junho de 2025; o 5º, de junho de 2025, estendeu ainda mais. Nesse período, o Estado liberou cerca de R$ 7 milhões. A empresa AMF Engenharia e Serviços Ltda., contratada pela Prefeitura, executou apenas parte da obra, mas recebeu pagamentos mesmo assim.
Entre maio e agosto de 2024, a obra, que já avançava lentamente, foi definitivamente paralisada e abandonada pela construtora.
Em agosto de 2025, a atual Secretaria de Infraestrutura admitiu publicamente a existência de R$ 2,7 milhões pagos por serviços não realizados. O secretário citou exemplo concreto: estavam previstas 254 aduelas; apenas cerca de 200 foram instaladas. As 54 restantes, pagas, simplesmente não existiam na obra. A prestação de contas pendente impediu novos repasses da CONDER.
Em 1º de agosto de 2025, o prefeito Valderico Júnior anunciou representação ao MPF contra Marão por irregularidades nos R$ 2,7 milhões e falta de prestação de contas. Abriu-se Processo de Apuração de Responsabilidades (PAR) interno na Prefeitura. Desde então… setembro, outubro, novembro, dezembro de 2025, janeiro, fevereiro, março e agora abril de 2026… , pouco ou nada se ouviu sobre o andamento das investigações ou conclusões públicas.
Em 5 e 6 de dezembro de 2025, durante visita a Ilhéus para agenda na UESC, o governador Jerônimo Rodrigues reafirmou o compromisso com a obra. Em entrevista coletiva, ele destacou o avanço das intervenções no Canal do Malhado como prioridade, ressaltou a necessidade de retomar entregas que impactam a mobilidade e a qualidade de vida da população e afirmou que o Governo do Estado segue disposto a ajudar, mas aguarda a regularização da prestação de contas por parte da Prefeitura. Jerônimo lembrou que o Estado já havia cumprido sua parte com os repasses de cerca de R$ 7 milhões e as prorrogações sucessivas.
Em 17 de dezembro de 2025, o governador recebeu o prefeito Valderico Júnior em audiência na Governadoria, em Salvador. Na ocasião, foram entregues ambulâncias, veículos e equipamentos de saúde, e alinhada uma agenda de trabalho. O prefeito tratou do Canal do Malhado e declarou que o município regularizaria a situação até março de 2026, o que envolveria nova licitação, atualização do cronograma com os recursos já recebidos, prestação de contas à CONDER, novo termo de ajuste e aporte da contrapartida municipal.
Em abril de 2026, a obra permanece parada. A nova licitação prometida “até março” não saiu. O convênio continua vigente.
Quem ganha com a mentira?
O grupo de Marão joga a culpa no Estado para encobrir as irregularidades cometidas em sua gestão: pagamentos indevidos, fiscalização inexistente e prestação de contas falha. Assim, evita responder pelos R$ 2,7 milhões que “desapareceram” em aduelas fantasmas.
O grupo de Valderico empurra a solução com a barriga. Tem obrigação legal de regularizar as contas, corrigir as falhas construtivas e concluir a nova licitação. Prefere manter o canal como está, transformando a paralisação em instrumento de desgaste eleitoral contra o governador Jerônimo (PT) e sua base, inclusive na campanha que se aproxima apoiando ACM Neto. A mesma mentira que prejudicou a candidatura de Adélia Pinheiro agora serve para tentar tirar votos de Jeronimo em Ilhéus.
A hipocrisia une os dois lados: ambos preferem usar politicamente a obra a resolvê-la de fato. Jerônimo cumpriu o que lhe cabia, repassou os recursos, prorrogou prazos e mantém a porta aberta para soluções, respeitando as limitações legais do convênio vigente. A paralisação não é abandono do Estado. É consequência de falhas locais que duas gestões municipais que preferiram transformar em palanque em vez de enfrentar com responsabilidade, é o uso da mentira como arma política.













