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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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Um erro urbano anunciado: a escolha equivocada da Avenida Soares Lopes para a Polícia Federal

Por Anna Lívia Ribeiro

 

É preciso tratar o tema com objetividade: a proposta de construir uma unidade da Polícia Federal na Avenida Soares Lopes é um erro técnico, urbanístico e estratégico.

E que não se distorça o argumento: não há aqui qualquer oposição à Polícia Federal. Trata-se de uma instituição essencial ao funcionamento do Estado Democrático, com atribuições que exigem estrutura, segurança e eficiência. Justamente por isso, sua instalação precisa obedecer a critérios rigorosos de localização o que, claramente, não é o caso.

A Avenida Soares Lopes é um dos principais cartões-postais de Ilhéus e, sobretudo, um espaço de convivência coletiva. Ali acontecem caminhadas, eventos culturais, encontros familiares e manifestações que fazem parte da identidade da cidade. É um ambiente aberto, democrático e simbólico, que conecta a população com o mar e com a própria história local.

Destinar um dos espaços mais valorizados e sensíveis para um equipamento público de natureza administrativa e operacional levanta uma questão básica: onde está o planejamento urbano?

A Avenida Soares Lopes é uma área de alta exposição, circulação intensa, vocação turística e uso coletivo. Inserir ali uma edificação institucional, com necessidade de controle de acesso, segurança reforçada e possível restrição de uso do entorno, não dialoga com as características do espaço. Ao contrário: entra em conflito direto com elas.

Não se trata de gosto ou preferência estética. Trata-se de função urbana. Cidades organizadas distribuem seus equipamentos conforme lógica de mobilidade, impacto, segurança e compatibilidade de uso. Uma instalação da Polícia Federal exige acessibilidade logística, possibilidade de expansão, controle perimetral e discrição operacional. Requisitos incompatíveis com uma avenida aberta, litorânea e voltada ao uso público intensivo.

Além disso, a decisão expõe problemas recorrentes: falta coerência com um projeto de cidade e a ocupação de áreas estratégicas.

Qualquer intervenção estrutural nesse espaço precisa considerar não apenas aspectos técnicos, mas também o impacto social, paisagístico e turístico. A ocupação com um equipamento institucional pode alterar significativamente essa dinâmica de uso, reduzindo um dos poucos espaços amplos e livres de convivência da cidade.

Não é razoável comprometer uma das principais frentes urbanas de Ilhéus com uma decisão que poderia, e deveria, ser resolvida em outra localização, mais adequada às exigências da própria instituição.

Por isso, o debate precisa ser ampliado, considerando não apenas a viabilidade técnica da obra, mas principalmente o interesse coletivo, o planejamento urbano e a preservação dos espaços públicos de convivência.

O resultado, se mantida essa escolha, é previsível: perda de qualidade urbana, conflitos de uso e mais um exemplo de intervenção mal planejada que a cidade terá que administrar por décadas.

Ilhéus não precisa escolher entre desenvolvimento e bom senso. Precisa, apenas, aplicá-los juntos.

Anna Lívia Rosa Ribeiro é Mãe, Avó, Ilheuense, Pedagoga, Professora, Especialista em Educação Infantil, Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, Gestora em Turismo, Sócia-diretora na empresa ViaDestino Viagens, Escritora.

 

3 respostas para “Um erro urbano anunciado: a escolha equivocada da Avenida Soares Lopes para a Polícia Federal”

  • professor Nilton Borges says:

    Com todo o respeito que a professora Anna Lívia merece de mim, mas tenho de discordar em alguns pontos que ela coloca quando defende a questão da gestão turística da cidade. Vejo uma oportunidade de transformar a avenida Soares Lopes segura em todos os aspectos, para os habitantes e visitantes que vão até ilhéus para curtir suas maravilhas naturais. Se existe a intenção de construir uma sede da PF na avenida Soares Lopes, logo existe a preocupação de inibir e combater os crimes que as facções tem praticado no Brasil e até mesmo, o tráfico de drogas que atualmente utiliza o mar para fazer o transporte da mesma.
    Acredito que nem eu e nem a professora Anna Lívia, temos condições de decidir,mas uma consulta popular se fará necessário.

  • Anna Lívia Ribeiro says:

    Com todo respeito ao professor Nilton Borges, agradeço a contribuição ao debate, que é fundamental para uma cidade que busca crescer de forma equilibrada e responsável.
    Entendo a sua colocação sobre a segurança e a possível função estratégica da instalação da Polícia Federal na Avenida Soares Lopes. No entanto, é importante considerar que decisões urbanas dessa magnitude impactam diretamente não apenas a segurança, mas também o turismo, a mobilidade, o uso dos espaços públicos e a identidade da cidade.
    É importante destacar que a simples presença da Polícia Federal na Avenida, por si só, não garante eficiência operacional, nem tampouco a inibição da atuação de facções. A atuação da Polícia Federal envolve inteligência, mobilidade e articulação estratégica e fatores que não dependem exclusivamente da localização física. Existem outras áreas da cidade que poderiam atender às necessidades funcionais sem comprometer um espaço tão valioso para a população.
    Sobretudo, é essencial lembrar que, enquanto cidadãs e cidadãos, temos sim poder de decisão coletiva. O que deve prevalecer é aquilo que for melhor para a comunidade como um todo, construído por meio do diálogo, da escuta e, como o senhor bem pontuou, de mecanismos como a consulta popular.
    O futuro da cidade precisa ser decidido com participação, responsabilidade e visão de longo prazo.

  • Maria Alice Accioly Dória says:

    Mantendo o respeito nas opiniões de todos e acreditando que o diálogo sempre será salutar principalmente nos assuntos de interesse coletivo, entendo que, as questões levantadas e bem fundamentadas são de relevância
    e necessária para a formação de um fórum onde serão discutidas em consulta popular. Os pontos levantados pela professora Anna Lívia são relevantes para serem colocados em pauta, mesmo porque não precisa ter uma unidade da polícia federal na Avenida Soares Lopes para garantir a segurança da população local e visitantes. Diante desse cenário o que preocupa é a falta de um planejamento urbano para seguir e que tão necessário é para o crescimento ordenado de uma cidade. Imaginem uma obra dessa magnitude construída na Avenida Soares Lopes, cartão postal de Ilhéus, local onde a vocação é o entretenimento, pergunto: será que é um local ideal para uma unidade da polícia federal se inserir? Por questão da vocação local ser voltado ao lazer e convivência social não seria o caso de pensar em construir mais um entretenimento para a população local e turista?
    Sendo assim, me coloco a disposição como cidadã ilheuense que sou e que ama a minha cidade para contribuir no que for necessário para que todos juntos possamos escolher o melhor para a nossa cidade para que ela cresça e desenvolva com sustentabilidade.

    Maria Alice Accioly Dória, Ilheuense, Administradora, Professora do ensino superior, Especialista em Economia Regional e Gestão do Ensino Superior, Mestre em Cultura&Turismo,

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