:: 9/maio/2015 . 13:55
Uma estrada sem placas de retorno
A cada dia que passa, jovens vem sendo assassinados em escala industrial na guerra do tráfico em Itabuna. Os crimes são motivados por disputas de pontos de venda, rusgas entre traficantes e mesmo dívidas, algumas delas irrisórias, de dependentes com os fornecedores.
É impressionante a precocidade com que nossas crianças entram para o mundo das drogas, um praga que rompeu as fronteiras das grandes metrópoles e se espalhou por todos os cantos do país. É um mundo onde se começa cedo e onde também se morre cedo.
Poucos conseguem ultrapassar a barreira dos 20 anos. Nos últimos anos, cidades como Itabuna e Ilhéus passaram a conviver com essa guerra cotidiana, alimentada pelo tráfico de drogas e que gera uma explosão de violência. Algumas das “bocas” são conhecidas, fora a ação acintosa dos traficantes na porta das escolas, aliciando alunos que mal entraram na pré-adolescência para o vicio.
Se não temos aqui os grandes chefões da droga, temos traficantes que controlam pontos de venda e muitas vezes cobram com a vida uma divida de drogas. A droga destrói, desestrutura qualquer família, arrebenta os lares mais sólidos.
Quem vive ou viveu essa drama, sabe o que é ter um irmão, um filho ou um amigo envolvido com as drogas. Em casos extremos, viciados roubam a própria família para comprar droga. O pior é que apesar de todas as campanhas de prevenção, algumas delas bastante duras, o consumo de drogas não para de aumentar.
Há quem consiga sair, mas em muitos casos é um caminho sem volta.
Um caminho onde não se deve dar o primeiro passo, já que na maioria das vezes não existe placa indicando o caminho de volta.
Dez pessoas são presas por furto e abate ilegal de gado, em Itapetinga

Uma tonelada de carne bovina imprópria para o consumo foi apreendida e dez pessoas presas, durante operação da 21ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Itapetinga) e da Delegacia Territorial (DT), de Macarani. Batizada de “Terra Firme”, a ação foi deflagrada para combater o furto e o abate clandestino de gado, além da venda clandestina de carne.
A operação cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos contra Alan Oliveira Guimarães, de 37 anos, João de Jesus, 45, André Santos Cerqueira, 38, e Leôncio Alves de Almeida, 36, por furto de gado em fazendas de Itapetiga e Maiquinique.
Foram presos ainda os comerciantes Ismério José Almeida, 71, Gildásio Moreira de Souza, 52, Ulias Alves Gomes, 44, Antônio Santos Azevedo e João Rodrigues da Silva, ambos de 53 anos, autuados em flagrante por expor à venda produtos impróprios para o consumo.
A operação prendeu também em flagrante Luís Eduardo Souza Costa, 36, que portava uma pistola 380 e uma espingarda de fabricação caseira. Ele foi autuado por porte ilegal de arma. Três picapes Fiat Strada e uma Silverado, usada para transportar o gado furtado, foram apreendidas.
Os policiais apreenderam ainda, com os criminosos, uma motosserra, facas, machados, cordas, lonas e bombonas, que eram usadas para acondicionar a carne. Os presos permanecerão custodiados na carceregem da 21ª Coorpin/Itapetinga, à disposição da Justiça.
Putin celebra setenta anos de vitória soviética sobre nazismo

Breno Altman
Dia 8 de maio, 1945.
O relógio apontava quase meia-noite na Escola de Engenharia Militar da Wehrmacht, em Karlshorst, na periferia de Berlim, onde estava instalado o quartel-general das forças soviéticas.
Começava a cerimônia de rendição formal das tropas alemãs, findando uma guerra de agressão que durara quase seis anos.
Os derrotados estavam representados pelo marechal Wilhelm Keitel (Exército), o general Hans-Juergen Strumpff (Aeronáutica) e o almirante Hans-Georg von Friedeburg (Marinha).
O ato de capitulação incondicional era presidido pelo marechal Georgi Konstantinovich Zhukov, principal liderança militar da União Soviética.
O marechal britânico Arthur William Tedder, representando o comando do Corpo Expedicionário Aliado na Europa, subscrevia o documento de rendição junto com o comandante do Exército Vermelho.
O general norte-americano Carl Spaatz e seu colega francês, Jean de Lattre de Tassigny, assinavam como testemunhas.
Às 00h45 do dia 9 de maio entrava para a história o documento que determinava a vitória das forças antinazistas.
Outros momentos de rendição anteciparam a solenidade em Berlim, mas este seria consagrado como a página final do conflito mais épico e doloroso da história.
Acima de tudo, porque era o reconhecimento simbólico, com os nazistas de joelhos, que o mundo devia ao heroísmo soviético a colaboração principal para a derrota de uma ditadura forjada no terror contra os trabalhadores e a democracia.
Mais de 74% das baixas totais da Wehrmacht (10 milhões, sobre 13,4 milhões de soldados abatidos) foram provocadas pelas armas soviéticas.
O Exercito Vermelho eliminou 607 divisões inimigas entre 1941 e 1945, contra 176 dizimadas por britânicos e norte-americanos juntos.
O número de combatentes mortos e feridos na frente oriental foi seis vezes maior que na ocidental e no Mediterrâneo somados.
No calor dos dias finais de combate, quando a verdade se impunha a sangue e fogo, os chefes das nações capitalistas aceitaram naturalmente a proeminência da União Soviética na luta contra o inimigo comum.
“O exército russo está matando mais soldados do Eixo e destruindo mais material nazista do que todas as outras 25 nações juntas”, disse o presidente do EUA, Franklin Roosevelt, a certa altura do conflito.
O anticomunismo e a Guerra Fria, porém, levariam à disputa incessante para reescrever o que havia se passado nos campos de batalha.
Discursos, filmes, livros, peças e toda sorte de documentos passaram a ser produzidos para esmaecer o papel do Exército Vermelho e criminalizar o desempenho do líder da primeira pátria socialista, Joseph Stálin.
Até mesmo setores de esquerda claudicaram diante de versões destinadas a recontar o enredo da Segunda Guerra Mundial, pressionados pela ofensiva ideológica da burguesia mundial ou movidos por legítimas críticas à experiência soviética sob o tacão de ferro do velho militante bolchevique.
O sucessor de Lênin foi acusado por muitos erros e crimes no dramático período de governo revolucionário que lhe tocou conduzir, durante o qual, como registrado pelo historiador trotsquista Isaac Deutscher, o país saiu da era do arado e se converteu em uma potência atômica.
Mas a verdade é que os homens e mulheres livres devem a derrocada do nazismo ao Exército Vermelho e a União Soviética, à abnegação de seus combatentes e cidadãos, ao comando de Stálin e seus militares.
A partir da lendária Batalha de Stalingrado, a mais gloriosa de todas as gestas militares, na qual os nazistas beijam a lona pela primeira vez, concluída em 1943, alterou-se a sorte do enfrentamento, transformado em grande guerra patriótica, como até hoje é tratada em solo russo, pela comunhão armada de soldados regulares, guerrilheiros comunistas e resistência popular.
Dois anos depois, Berlim caia nas mãos das guerreiros de Zhukov, consolidando o triunfo dos aliados em todas as demais frentes.
A bandeira com a foice e o martelo, alçada sobre as ruínas do Reichstag, foi a arma que feriu de morte a besta hitlerista, empunhada pelos 20 milhões de mortos que a União Soviética doou à libertação dos povos.
Quando as tropas russas voltarem a marchar sobre Moscou, no dia 9 de maio, diante de Vladimir Putin e convidados, estes fatos serão lembrados e o mundo terá mais uma chance de bater continência à honestidade histórica.
O presidente russo fará questão de mostrar, mesmo em circunstâncias históricas diferentes, ainda marcadas pelo colapso do socialismo, mas resgatando o feito monumental da vitória contra o nazismo, que não se brinca com a soberania e a independência de sua nação.
Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.
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