:: ‘O Príncipe Encantado nunca existiu! Ilusão ou desilusão?’
O Príncipe Encantado nunca existiu! Ilusão ou desilusão?

Mônica Ralile
Desde cedo, muitas mulheres crescem embaladas por histórias de contos de fadas, onde o príncipe encantado surge como a solução mágica para todos os problemas. Ele chega no cavalo branco, resgata, salva e garante um final feliz eterno. Mas será que esse personagem idealizado realmente existe fora das páginas da fantasia?
A verdade é que o “príncipe encantado” nunca passou de uma construção simbólica, fruto da ilusão coletiva de que a felicidade depende de alguém perfeito que virá completar nossas faltas, e preencher o vazio que só pode ser preenchido pelo nosso amor próprio.
Reconhecer que o príncipe não existe é compreender que a vida real é feita de pessoas imperfeitas, que amam, erram, aprendem e se transformam. E que nós mulheres podemos construir nosso próprio castelo sem precisar de príncipe encantado para nos salvar. Somos donas de nós, somos protagonistas da nossa própria história. Podemos escolher ficarmos sozinhas, mas podemos escolher termos um amor companheiro, real e imperfeito. Porque também somos imperfeitas.
A construção da nossa história pode ser libertadora. Mas primeiro devemos buscar o nosso amor próprio para depois amar o outro. Nossas buscas e encontros estão dentro de nós.
Não é desilusão, mas revelação: não precisamos de um príncipe encantado para viver o amor. A vida real não se faz de coroas douradas, mas de mãos dadas no caminho incerto. Amar não é encontrar o ser perfeito, mas construir a perfeição possível no encontro das imperfeições, o olhar cúmplice, a palavra sincera, o abraço que acolhe sem precisar salvar.
A ilusão cria expectativas irreais. A desilusão rompe essas expectativas, mas também abre espaço para o real: relações reais, sustentadas pela cumplicidade. Não existem príncipes encantados, mas há seres humanos que, sem coroas ou cavalos brancos, podem oferecer algo ainda mais valioso, a possibilidade de viver um amor real, imperfeito, humano e possível.
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Mônica Ralile é educadora e escritora
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