:: ‘Kiko de Assis’
Como seria nosso Museu do Amanhã?

Kiko de Assis
O traço de Oscar Niemeyer ajudou a consolidar uma ideia de arquitetura brasileira associada ao gesto grandioso, ao concreto moldado como escultura e à paisagem monumental. Obras como a Catedral de Brasília não são apenas edifícios, são afirmações de poder técnico, estético e político. Mas, à luz das urgências ambientais do nosso tempo, é inevitável revisitar esse legado sob uma nova lente: a do impacto ecológico e da responsabilidade climática.
O monumentalismo, por sua própria natureza, tende ao excesso. Grandes vãos, volumetrias generosas, superfícies extensas de concreto e vidro. Tudo isso cobra um preço ambiental alto, desde a extração de matéria-prima até o consumo energético para manter essas estruturas funcionando. O concreto armado, material-símbolo dessa arquitetura, é também um dos maiores emissores de CO? do planeta.
Enquanto isso, a maior parte das cidades brasileiras, de Itabuna/Ilhéus a tantas outras fora do eixo monumental, enfrentam desafios muito mais urgentes: ilhas de calor, drenagem precária, ocupações em áreas de risco, moradias sem ventilação adequada. Nessas realidades, repetir a lógica do espetáculo arquitetônico não é apenas inviável, é ambientalmente irresponsável.
Surge então uma pergunta incômoda: que arquitetura faz sentido em um planeta em crise climática?
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