A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) participa da segunda edição do navio-escola “Laboratório de Ensino Flutuante – Embarcação Ciências do Mar IV”, iniciativa voltada à formação prática de estudantes e ao desenvolvimento de pesquisas oceanográficas. O projeto é resultado de uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC), a Marinha do Brasil e a Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA).

O navio-escola funciona como laboratório flutuante para atividades de ensino e pesquisa nas áreas das Ciências do Mar, permitindo que estudantes e docentes realizem coletas de dados e análises oceanográficas diretamente no ambiente marítimo.

O percurso é realizado em duas pernadas distintas, com equipes diferentes de docentes e estudantes em cada etapa, permanecendo inalterada apenas a tripulação da embarcação. A primeira pernada contou com a participação dos professores Ângelo Lemos e Ronaldo Torres. Já a segunda etapa reúne os professores Caio Turbay, Marcos Bernardes e Leonardo Moraes.

Pesquisa oceanográfica e novos equipamentos
O professor Caio Turbay explica que a segunda edição dá continuidade aos estudos iniciados em 2022 na região de Royal Charlotte, aprofundando análises e possibilitando comparações com dados coletados anteriormente no Banco dos Abrolhos.

Segundo o docente, embora o navio não tenha passado por mudanças estruturais significativas, houve melhorias importantes nos equipamentos utilizados durante a expedição. “O navio não mudou substancialmente, mas está com alguns equipamentos novos. Existe uma melhora importante principalmente no sonar de varredura lateral, que produz imagens do fundo marinho e isso é extremamente relevante para os estudos em Geologia”, afirma.

Caio também destaca que a experiência acumulada pelos estudantes que participaram da primeira edição contribui para um melhor aproveitamento das atividades. “Quem já participou anteriormente fica mais habituado ao embarque. O navio balança um pouco mais do que outras embarcações e, com o tempo, os estudantes acabam se acostumando melhor à dinâmica no mar”, comenta.

 

O professor Leonardo Moraes detalha que a expedição foi organizada em diferentes etapas de pesquisa. “Na primeira pernada, trabalhamos mais a oceanografia física e química da água, principalmente observando correntes marítimas, inclusive em uma área de ressurgência em frente a Belmonte, onde águas frias do fundo emergem para a superfície”, explica.

 

Já a segunda etapa da expedição é voltada ao mapeamento do fundo marinho. “Vamos passar um dia inteiro navegando para realizar um side scan, buscando compreender toda a composição do fundo, identificando bentos e verificando se a área possui lama, cascalho ou areia”, destaca.

 

Leonardo Moraes também ressalta que esta será a primeira vez em que a equipe realizará amostragens biológicas durante a embarcação. “Estamos levando redes específicas para realizar a amostragem biológica, algo que ainda não havíamos conseguido desenvolver nas etapas anteriores”, completa.

 

Formação prática e experiência dos estudantes
Além das atividades de pesquisa, a embarcação também funciona como espaço de formação prática para estudantes da Oceanologia, incluindo discentes ingressantes no curso.

Para o professor Caio, o contato com os equipamentos e procedimentos ainda nos primeiros períodos da graduação contribui para consolidar o aprendizado futuramente trabalhado em sala de aula. “Mesmo sem ainda terem todo o conhecimento teórico, esse primeiro contato é muito importante porque ajuda a fixar o aprendizado. Muitos conceitos podem ser ensinados de forma mais simples na prática, observando os equipamentos e acompanhando os procedimentos”, afirma.

 

Ainda, segundo ele, a experiência prática facilita a assimilação dos conteúdos teóricos posteriormente. “Quando os estudantes tiverem contato teórico com determinados conceitos ou equipamentos, eles já terão aquilo na memória. Esse aprendizado vivido na prática torna o aprofundamento posterior muito mais fácil”, explica.

 

A estudante de Oceanologia, Daniela de Souza, conta que participar da embarcação pela segunda vez representa uma oportunidade importante para aplicar os conhecimentos aprendidos ao longo do curso. “Está sendo uma experiência incrível. A primeira vez que embarquei foi na Marinha e agora estou participando do Ciências do Mar. Vai ser muito importante porque vamos colocar em prática tudo aquilo que aprendemos, como a coleta de água, temperatura e salinidade”, relata.

 

Ela também destaca o contato direto com o ambiente marinho durante a expedição. “É uma experiência maravilhosa. A gente vê um pôr do sol incrível e também animais marinhos, como os golfinhos acompanhando a embarcação”, completa.

 

A expectativa é que o projeto continue sendo realizado regularmente, ampliando as oportunidades de formação prática e fortalecendo as pesquisas oceanográficas desenvolvidas pela UFSB.