Biofábrica da Bahia denuncia invasão em área de segurança fitossanitária

Instituto afirma que declarações sobre suposta distribuição de mudas contaminadas são “infundadas” e acusa presidente da associação de descumprir protocolos de biossegurança durante visita a áreas restritas.
O Instituto Biofábrica da Bahia divulgou nota de repúdio contra declarações feitas pela presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Lima Barroso. Segundo a instituição, a dirigente entrou, no último dia 5 de maio, em áreas de jardins clonais e campos de multiplicação durante o expediente dos colaboradores, sem seguir protocolos de biossegurança exigidos para o local.
De acordo com a Biofábrica, os trabalhadores realizavam a renovação genética de cacaueiros por meio da supressão de plantas antigas e implantação de mudas enraizadas, procedimento considerado rotineiro para garantir a qualidade fitossanitária.
Veja a Nota Completa:
Instituto de Fomento e Desenvolvimento Agro-Sócio-Ambiental da Bahia
GOVERNO DO ESTADO BAHIA
NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO
O Instituto Biofábrica da Bahia, organização privada de interesse público, manifesta veemente repúdio às declarações recentemente divulgadas pela Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), por meio de sua presidente, Sra. Vanuza Lima Barroso, que adentrou no último dia 05 de maio de 2026, às áreas de jardins clonais e campos de multiplicação em pleno horário de trabalho dos colaboradores, os quais realizavam a supressão de cacaueiros para a prática de renovação do material genético através de mudas enraizadas. Essa prática é rotineira em áreas voltadas à produção de propágulos, como jardins clonais, pois assegura a uniformidade genética e a qualidade fitossanitária do material de propagação, independentemente da estrutura de copa de plantas adultas.
Ainda assim, a ação da presidente coloca em risco a segurança fitossanitária da área, visto que a mesma não realizou nenhum dos protocolos de biossegurança aderidos e recomendados pela Biofábrica e não usava nenhum equipamento de proteção individual recomendados pelas normas de biossegurança.
É mais repudiante ainda, a imputação de suposta distribuição de mudas de cacau contaminadas pelo vírus do mosaico, realizado por este Instituto.
Tais acusações são infundadas, levianas e desprovidas de qualquer respaldo técnico-científico ou comprovação oficial, gerando desinformação e insegurança no setor produtivo, além de atingirem injustamente a reputação de uma instituição com quase três décadas de atuação reconhecida na cadeia do cacau.
Conforme amplamente documentado e respaldado pelos órgãos competentes, destaca-se que:
Não há qualquer laudo oficial emitido por laboratório credenciado que comprove a presença do vírus do mosaico (CaMMV) em áreas sob gestão do Instituto Biofábrica;
De acordo com a legislação fitossanitária brasileira, apenas laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) podem emitir diagnósticos oficiais – e não existe, até o momento, protocolo validado no Brasil para detecção oficial do CaMMV;
O referido vírus não integra a lista oficial de pragas quarentenárias do país, estando ainda em fase de estudo por instituições como a CEPLAC, sob acompanhamento de órgãos como o MAPA e a ADAB;
Todas as atividades da Biofábrica seguem rigorosos protocolos de biossegurança e controle fitossanitário, sendo constantemente monitoradas pelos órgãos reguladores.
É importante reforçar que a invasão de áreas restritas e de segurança fitossanitária, sem adoção de protocolos técnicos, representam risco real à integridade sanitária dos materiais genéticos e à própria cadeia produtiva do cacau, fato este já objeto de medidas legais cabíveis, às quais já foram encaminhadas.
Diante desse fato lamentável, desprovido de qualquer espírito público, social e econômico o Instituto Biofábrica da Bahia reafirma:
Seu compromisso histórico com a qualidade, sanidade e rastreabilidade das mudas produzidas;
Sua atuação pautada na ciência, na legalidade e na transparência institucional;
Que não compactua com a disseminação de informações não verificadas que possam prejudicar agricultores, parceiros e políticas públicas estruturantes do setor.
Por fim, a instituição conclama a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) e suas lideranças a adotarem postura responsável, baseada em evidências técnicas e nos canais institucionais adequados, evitando a propagação de acusações que fragilizam o setor cacaueiro nacional.
O Instituto Biofábrica da Bahia permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos técnicos junto às autoridades competentes e à sociedade.
LEANDRO LUIZ RAMOS SANTOS
Presidente do Conselho de Administração do Instituto Biofábrica da Bahia
VALDEMIR JOSÉ DOS SANTOS
Diretor Executivo
Dra. KALEANDRA FREITAS SENA
Engenheira Agrônoma – Responsável Técnica
O Instituto Biofábrica também registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia de Ilhéus.












