Em Memória de Joel Filho: O Jornalista do Povo e a Voz de Itabuna

Joel Filho morre aos 69 anos
Jorge Almeida
Distante de Itabuna nestes dias, foi com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento de Joel Filho, um dos mais íntegros jornalistas que Itabuna já conheceu.
Mais do que um profissional exemplar, Joel foi um ser humano de sensibilidade ímpar, um amigo cuja trajetória tive a honra de acompanhar, principalmente em tempos efervescentes da minha militância estudantil e sindical.
Conheci Joel quando minhas convicções ainda eram forjadas nas assembleias, passeatas e nas elaborações de jornais e boletins de movimentos sociais.
Naquela época, *em que lutávamos por uma sociedade mais justa*, ele já era uma voz ativa e corajosa na imprensa, muitas vezes contrariando os seus superiores.
Enquanto muitos se calavam, Joel usava seu microfone e sua caneta como instrumentos de transformação social.
Ele não apenas noticiava os fatos; ele tomava partido, o partido do povo. Sua contribuição para os movimentos sociais e políticos de nossa cidade é imensurável.
Lembro-me vividamente de seu apoio incansável à luta pela estadualização da nossa querida UESC, um marco que transformou a educação superior no sul da Bahia e do Brasil.
Ele esteve ao lado dos trabalhadores na formação de muitos sindicatos, amplificando suas reivindicações e fortalecendo a organização da classe.
Nos movimentos populares, sua cobertura ia além do registro: *era um ato de solidariedade e engajamento, sempre*.
Joel Filho era um jornalista “raiz”, como se diz hoje. Um repórter que gastava a sola do sapato, que conhecia as ruas, as fontes e, acima de tudo, a alma de Itabuna.
Sua passagem por veículos como as rádios Difusora e Jornal, e os jornais Diário de Itabuna, Tribuna do Cacau e Agora, deixou um legado de ética, precisão e compromisso com a verdade.
Nunca vi Joel se curvar aos poderosos, mesmo quando os institutos onde atuava eram dirigidos por “redações tortas”.
Pelo que sempre vivenciei, Joel sempre deu voz àqueles que mais precisavam.
Seu amor por Itabuna era a força motriz de seu trabalho. Cada reportagem, cada editorial, cada comentário era uma declaração de amor à sua terra.
Ele acreditava no potencial de nossa gente e lutava, com as armas que tinha, por uma cidade melhor para todos.
Hoje, Itabuna perde mais do que um grande jornalista, como outros tantos do seu tempo.
Também perde um de seus filhos mais ilustres, um defensor incansável de suas causas, um homem que dedicou sua vida a dar voz à sua comunidade.
Tomara, ah, Deus tomara, que a lacuna que ele deixa, que seu legado de coragem, de integridade e de amor ao próximo continue a inspirar as novas gerações de jornalistas, comunicadores e todos aqueles que sonham com um mundo mais justo.
Descanse em paz, meu amigo. Sua luta não foi em vão.













