:: 3/jun/2014 . 8:43
Prefeitura de Ilhéus autoriza reajuste da tarifa do transporte coletivo a partir de 8 de junho
Baseado no resultado do estudo do contrato de concessão e da planilha de custos do sistema de transporte coletivo de Ilhéus, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), instituição vinculada à Universidade de São Paulo (USP), o prefeito Jabes Ribeiro autorizou na sexta-feira, 30, o reajuste da tarifa única, que passará a custar R$ 2,60, a partir da zero hora do dia 8 de junho.
Conforme o decreto 33/2014 (disponível no site www.ilheus.ba.gov.br), o reajuste considerou a defasagem dos custos das empresas que exploram o sistema – que solicitaram aumento da tarifa para R$ 3,19 – parecer favorável do Conselho de Transportes do Município (Comutrans) e manifestação da Câmara Municipal através do ofício nº 124/2014, em cumprimento à Lei Orgânica do Município (LOMI).
O Comutrans discutiu e aprovou o reajuste na sessão realizada na sexta-feira, 30, após votação com resultado de nove votos a favor e três contra, na plenária formada por 12 conselheiros. A pauta também foi apreciada na sessão anterior do conselho, realizada na última segunda-feira, dia 26. Os membros da entidade consideraram o resultado do estudo da Fipe e parecer da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do município (Sedur).
O titular da Sedur, Isaac Albagli, enfatizou que o prefeito tratou a questão do reajuste da tarifa com transparência, responsabilidade e dentro dos trâmites legais que o processo requer. “Em primeiro lugar, ele não acatou o aumento proposto pelas empresas (R$ 3,19), depois contratou a Fipe para garantir um parecer técnico idôneo e competente e por último ouviu o Comutrans e a Câmara”, justificou o secretário.
Melhorias no sistema de transporte coletivo – Além do reajuste da tarifa única, o prefeito também determinou uma série de medidas para a melhoria do sistema de transporte coletivo de Ilhéus, a partir deste ano. Entre elas, a renovação da frota, para atingir o índice de 25% até o próximo mês de dezembro, criação de nova linha circular, implantação de bagageiros em veículos de algumas linhas do interior, duas novas linhas para a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Salobrinho, espaço de descanso de motoristas e cobradores no terminal urbano, instalação de GPS em 100% da frota de ônibus e implantação de painel, tipo telão, no Terminal Urbano, com informações gerenciais online do sistema de transporte.
Durante a última entrevista coletiva concedida à imprensa, no último dia 20, Jabes Ribeiro justificou a decisão, assinalando que “não poderia permitir que houvesse reajuste da tarifa sem um estudo prévio e sem melhorias no serviço, por isso, mesmo contrariando os empresários que queriam aumentar a passagem para R$ 3,19, fizemos a consultoria para que houvesse um reajuste justo para todos”.
Vamos todos juntos. Pra frente Brasil, salve a Seleção!
Carla Liane N. dos Santos
Sempre é tempo de questionar as desigualdades sociais, lutar por direitos e reivindicar pela democracia conquistada à duras penas. A opressão e a subalternidade dos moradores de rua que afetam o direito a moradia do Brasil, a rede de prostituição e exploração sexual contra mulheres e contra crianças que se multiplica cotidianamente, a precarização das condições de vida e de trabalho dos vendedores ambulantes historicamente revelou a face perversa do capital afetando não somente o direito ao emprego, mas, por consequência à própria dignidade humana. As práticas racistas que assistimos entranhadas nas relações sociais nos informam o quanto ainda precisamos de civilidade e respeito às diferenças.
A perversão do capital não surge com a copa do mundo. Isso é superficialismo e artificialismo. A violação de direitos e a ameaça ao ESTADO democrático batem a nossa porta todos os dias de inúmeras formas.O episódio da copa, assim como tantos outros eventos mundiais, são ocasiões que revelam a selvageria do capital e trazem a luz com lentes agigantadas tais desigualdades.
O movimento anti-copa traz no seu bojo o risco da temporalidade das reivindicações, o esvaziamento de um debate politico acerca de um projeto de desenvolvimento para o país, assim como projeta consequências autofágicas para o sentimento e consciência coletiva de nação.
Não sejamos hipócritas! Apesar de todas as assimetrias, sempre torcermos pelo Brasil em todas as copas do mundo, sempre vestimos a camisa verde e amarela e nos destacamos por nossa alegria, garra e por nossa avassaladora paixão pelo futebol. Majoritariamente nos sentimos representados como uma das melhores seleções de futebol do mundo, se não a melhor, formadas por negros que levavam para o palco mundial a representação das verdadeiras cores do nosso país.
É certo que isso por si só não basta, queremos ter acesso aos estádios, acessibilidade, ter direito à cidade, queremos ser melhores em inclusão, em politicas reparatórias, em educação, em equidade e reconhecimento social. Essa é uma luta dos diversos movimentos sociais nos doze meses do ano, uma luta histórica que se reproduz por décadas e décadas. Por isso, não podemos cair na armadilha e no jogo da autodesclassificação temporária. Não precisamos dos megaeventos esportivos para mostrar o nosso potencial reinvidicativo.
Por que desde 2007 quando o Brasil foi escolhido como país-sede da Copa do Mundo- não hasteamos incessantemente as bandeiras da justiça e contestamos mundialmente a representação capitalista e imperialista da FIFA e por tabela de outros organismos mundiais a serviço da exploração e da desigualdades dos povos? Será que é isso mesmo que está em questão?
Vamos nos perguntar: a quem interessa um ataque ao patrimônio cultural, a autoestima e a imagem do nosso país? De forma tão contextualizada e pontual?
Temos uma herança de colonização do pensamento e subestimação da nossa capacidade crítica. Mais uma vez iremos nos permitir as manipulações politicas mediadas pela tecnologia interativa tendenciosa?
Não vamos negar o nosso país, torcer pelo seu fracasso, queremos construir a imagem de que lutamos pelo Brasil, vestindo a camisa dele e não a queimando, vamos às ruas de verde e amarelo, deixar o coração acelerar, torcer pela nossa seleção, pelo hexacampeonato, torcer pelo nosso BRASIL, torcer pela nossa vitória, como sempre fizemos, antes e também depois da copa!
(*)Carla Liane N. dos Santos e Drª em Ciências Sociais-UFBA, Profª Adjunta da Universidade do Estado da Bahia, Vice-Reitora da UNEB.













