Degeneração Macular Relacionada à Idade
Dr. Rafael Ferrari
Hoje nós temos no Brasil cerca de 1,4 milhão de cegos e 4,2 milhões de pacientes com visão subnormal, totalizando 5,6milhões de pessoas com baixa severa da visão. A Degeneração Macular Relacionada a Idade (DMRI) é responsável por quase 10% das causas de baixa da visão.
A DMRI é uma doença que ocorre geralmente depois dos 60 anos de idade e afeta a área central da retina, que é a área mais nobre, chamada mácula, e devido a alguns fatores de risco entra em processo de degeneração.
A DMRI acarreta baixa visão central (mancha central) dificultando principalmente a visão de leitura, importante saber que é uma doença que não leva a cegueira, mas incapacita a pessoa de enxergar detalhes. Veja na figura como enxerga a pessoa com DMRI.
Apesar desta doença não ser tão conhecida pela população, aos poucos ela está se tornando, pois sua prevalência está aumentando substancialmente devido ao aumento da expectativa de vida e o aumento da população.
Diversos fatores podem estar associados ou serem creditados como favorecedores ao aparecimento da degeneração macular, alguns ainda não completamente comprovados pela ciência. Sem dúvida o principal fator é a idade acima de 60 anos, pele clara e olhos azuis ou verdes, exposição excessiva à radiação solar, o tabagismo está fortemente associado e dieta rica em gorduras são fatores que correspondem à maior incidência de degeneração macular relacionada à idade.
Existem duas formas de apresentação distintas da doença, em 90% dos pacientes acometidos é observada a forma denominada de DMRI seca ou não-exsudativa. Os 10% restantes apresentam a forma úmida ou também chamada de exsudativa (caracterizada pelo desenvolvimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina (Membrana Neovascular Subretiniana). A forma seca geralmente é a que primeiramente aparece e sua manifestação inicial é o aparecimento de depósitos amarelados na área macular da retina, chamamos este depósito de drusas. As drusas são compostos de composição complexa, geralmente liberados pelo metabolismo das próprias celulas da retina.
A mácula é a área central da retina, onde estão as células responsáveis pela visão de detalhes e da leitura. Veja na figura a mácula(área circulada) com drusas, esta é a forma Seca da Doença que pode evoluir e em seu estágio final baixar muito a visão central, a chamada Atrofia Geográfica. A forma úmida é a principal responsável pela devastadora perda visual central referida à degeneração macular. Ela ocorre devido a ruptura de uma das camadas da retina e a invasão de novos vasos sangíneos para dentro da retina, formando a Membrana Neovascular Subrretiniana.
Para evitar o aparecimento ou mesmo a progressão da DMRI é necessário alguns cuidados importantes. O primeiro é a consulta com oftalmologista ou oftalmologista que tenha experiência em tratamento de doenças da retina (Retinólogo), pois é a única forma de diagnosticar a doença, principalmente nas fases iniciais, inclusive quanto mais precoce o tratamento é iniciado , maior a chance de recuperação da visão. Hábitos como aumentar o consumo de vegetais e folhas verdes, reduzir o consumo de alimentos ricos em gordura, usar proteção de raios ultra violetas (óculos de sol que tenham proteção contra radiação ultra violeta) ajudam a prevenir o aparecimento.
Como já mencionado, o tabagismo aumenta a incidência da Degeneração Macular, portanto deve ser evitado. Existem indicações de tratamento para cada forma da doença. O uso de vitaminas associados a anti-oxidantes quando usado na forma Seca, previne o avanço para formas graves em 25% do casos. Nas formas mais graves da doença chamada de Exsudativa ou Úmida, já foi usado tratamento com terapia a laser, mas atualmente novos medicamentos, revolucionários na área de oftalmologia, chamados de anti-angiogênicos, estão sendo usado para doença e promovem subtancialmente a redução das sequelas e em alguns casos, quando diagnosticado precocemente, chegam a melhorar completamente a visão do paciente. Em nosso serviço (Hospital de Olhos, no Centro Avançado de Retina e Vítreo) temos centenas de pacientes que iniciaram precocemente o tratamento e tiveram sucesso de 100%, sem deixar sequela.
Os danos à visão central são irreversíveis, mas a detecção precoce e os cuidados podem ajudar a controlar alguns dos efeitos da doença, basta ficar atento aos sintomas e procurar especialista em retina o mais breve possível.
(*) O Dr. Rafael Ferrari é
Médico do Centro Avançado de Retina e Vítreo do Hospital de Olhos Beira Rio, especialista em oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Associação Médica Brasileira (CBO/AMB), em retina e vítreo pelo CARV/HOBR e em Mácula pela UNIFESP.













