Homens na luta: construir uma sociedade livre do machismo é responsabilidade de todos!
Carla Sandra Vieira
A luta das mulheres por respeito, dignidade e direito à vida não é uma pauta exclusiva das mulheres. É uma luta pela própria humanidade da sociedade. Diante de números tão dolorosos de feminicídio, violência doméstica, assédio e discriminação, torna-se cada vez mais evidente que enfrentar o machismo exige também o compromisso ativo dos homens. Os dados mostram a dimensão do problema.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra cerca de 1.400 feminicídios por ano, o que significa que uma mulher é assassinada por razões de gênero a cada seis horas. Em aproximadamente 97% dos casos, o autor do crime é um homem, geralmente alguém próximo da vítima. Ainda de acordo com os dados nacionais, mais de 60% dos feminicídios são cometidos por companheiros ou ex-companheiros, revelando que o lugar que deveria ser de cuidado e proteção muitas vezes se torna o cenário da violência. A violência, porém, não começa no feminicídio.
Ela se manifesta antes, em formas aparentemente “naturalizadas”. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que milhões de mulheres sofrem violência doméstica todos os anos no país, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais. A violência psicológica, inclusive, aparece hoje como uma das formas mais recorrentes de agressão. Entre jovens e adolescentes, os sinais também são alarmantes.
Pesquisas educacionais mostram que 7 em cada 10 professores já ouviram falas machistas em sala de aula, e cerca de 42% já presenciaram meninos tocando meninas sem consentimento. Esses comportamentos revelam como a cultura machista começa a ser reproduzida desde cedo, se não for questionada e enfrentada. Diante desse cenário, é impossível falar em superação da violência contra as mulheres sem a participação ativa dos homens. O machismo não é apenas um problema individual; é uma estrutura cultural que naturaliza desigualdades, silencia violências e legitima comportamentos que colocam a vida das mulheres em risco.
Por isso, a transformação precisa acontecer também dentro dos espaços onde os homens circulam, falam e influenciam: nas famílias, nas escolas, nos ambientes de trabalho, na política, nas igrejas, nos esportes e nas instituições. Quando homens se posicionam contra piadas machistas, quando educam seus filhos para o respeito, quando não silenciam diante de situações de violência ou assédio, eles ajudam a romper um ciclo histórico de naturalização da violência contra as mulheres.
Apoiar essa luta significa compreender que igualdade não retira direitos de ninguém — ao contrário, amplia a possibilidade de construirmos relações mais justas, humanas e baseadas no respeito. Uma sociedade verdadeiramente democrática não pode conviver com o medo cotidiano vivido por tantas mulheres.
Por isso, é fundamental que homens assumam o compromisso de serem aliados na construção de uma cultura de paz, de equidade e de justiça de gênero. Ser aliado nessa luta não é um gesto de concessão, é um ato de responsabilidade social. É reconhecer que a defesa da vida das mulheres, o enfrentamento ao feminicídio e a construção de uma sociedade antimachista são passos essenciais para que possamos viver em um país mais justo, seguro e civilizado para todas as pessoas.
A transformação cultural que buscamos passa pelo engajamento coletivo. E quando homens e mulheres caminham juntos na defesa da dignidade humana, damos um passo decisivo para construir uma sociedade onde nenhuma mulher precise lutar apenas para continuar viva.













