Uma área de 800 mil hectares nas províncias de Malange e Cuanza Norte será concessionada a empresários brasileiros pelo Governo de Angola para implantação de um verdadeiro Polo de Produção Agrícola em grande escala no País. A novidade apresentada foi em palestra pelo presidente da Câmara de Comércio Angola Brasil (CCAB), Raimundo Lima, foi bem recebida pelos participantes do GreenFarm, um dos maiores eventos do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro, que ocorre de 17 a 20 de setembro, em Cuiabá, no Parque Novo Mato Grosso.

Com base em informações fornecidas em Luanda a empresários brasileiros pelo Ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, o líder empresarial disse que será implantado em breve em Angola “um verdadeiro polo de intensificação da produção”, mediante a instalação de fazendas para produzir em grande escala, com medidas de estímulo concertadas entre os dois países, que vão muito alem da concessão da terra.

A definição da estrutura financeira que vai suportar a deslocação de empresários brasileiros para instalação de grandes fazendas para a produção de grãos já está em fase de preparação. A ideia é cultivar principalmente os itens do agronegócio brasileiro nos quais o país se destaca globalmente na exportação, que incluem soja, milho, algodão, laranja e carnes (bovina, de aves e suína), entre outros.

Para o assentamento dos empresários brasileiros, a área deverá ser submetida a um levantamento, a fim de incluir as comunidades locais encontradas, conforme destacou o ministro em recente encontro com a Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran), da qual Raimundo Lima também é presidente.

Ao fazer a conferência online a partir de Luanda com projeção no telão do GreenFarm, o presidente da CCAB salientou que se trata de um evento do agronegócio com presença internacional, focando em inovação, sustentabilidade e tecnologia, que se torna um palco para a conexão do mundo com o agro brasileiro, sendo portanto de grande importância a presença deste País africano neste momento em que Angola se prepara para fazer uma verdadeira “revolução no campo”.

Na ocasião em que apresentou no evento internacional as oportunidades de negócios para brasileiros no setor agropecuário de Angola, Raimundo Lima destacou o envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como instituição brasileira para o financiamento dos equipamentos e da logística fundamental ao investimento, conforme entendimentos mantidos pelo ministro da Agricultura com seu congênere brasileiro, Carlos Fávaro.

O Fundo Soberano de Angola terá uma comparticipação das garantias do financiamento até a recuperação dos investimentos com o início das exportações dos produtos, como garantiu recentemente às entidades empresariais o ministro Isaac dos Anjos. Segundo ele, haverá o envolvimento de dois bancos angolanos para o financiamento das operações da logística interna e cobertura de custos locais por um período que deverá ser definido entre três e cinco anos.

Quanto à absorção da produção, Angola acaba de obter a garantia de um mercado de exportação preferencial para a China de 500 mil toneladas métricas de seus produtos agrícolas excedentes, com possibilidade de ser duplicada essa quantidade. Para tanto, de acordo com as informações avançadas pelo ministro aos dirigentes da Aebran, o Governo angolano deve conceder para empresários chineses uma área de dimensão igual à dos brasileiros.

O interesse no assentamento de Fazendas comerciais especificamente vocacionadas à exportação também já foi manifestado pelos mercados do Médio Oriente, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita, de acordo com o Ministro da Agricultura de Angola. Há possibilidades de ser fechado um programa semelhante ao desenvolvido com o Brasil, segundo ele.

A Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outras agências multilaterais vão disponibilizar recursos para projetos voltados à modernização da agricultura familiar na perspectiva de cada vez mais os conduzir para a integração no mercado, ainda conforme avançou

Com relação à concessão e titularidade das terras, Raimundo Lima enfatizou que o Executivo angolano inaugurou esta semana a Janela Única de Concessão de Direitos Fundiários. A plataforma, suportada por uma aplicação tecnológica, vai tornar o processo de obtenção de títulos de propriedade de terra menos burocrático e mais vantajoso, conferindo maior celeridade e transparência na legalização de terrenos no país.