{"id":97817,"date":"2019-12-17T08:00:55","date_gmt":"2019-12-17T11:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=97817"},"modified":"2019-12-16T15:40:09","modified_gmt":"2019-12-16T18:40:09","slug":"pesquisadores-baianos-atuam-em-projeto-que-revoluciona-estudos-sobre-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/12\/17\/pesquisadores-baianos-atuam-em-projeto-que-revoluciona-estudos-sobre-desmatamento\/","title":{"rendered":"Pesquisadores baianos atuam em projeto que revoluciona estudos sobre desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-97819\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmata.jpg\" alt=\"desmata\" width=\"456\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmata.jpg 580w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/desmata-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/>Por que algumas esp\u00e9cies de animais est\u00e3o mais sujeitas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, enquanto outras s\u00e3o capazes de se adaptar com mais efic\u00e1cia? Esta foi a pergunta que norteou Deborah Faria, professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que em parceria com Matthew Betts, da Universidade do Oregon, nos EUA, e outros 40 pesquisadores, desenvolveram um estudo para identificar como habitats fragmentados pela a\u00e7\u00e3o humana podem ter impacto na capacidade dos animais de sobreviverem \u00e0s mudan\u00e7as ambientais. Al\u00e9m de Deborah, outros cinco pesquisadores brasileiros fazem parte da equipe, vinculados a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Federal de Lavras (Ufla) e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 fruto de uma coopera\u00e7\u00e3o internacional (BioFrag), que se trata de um banco de dados feito a partir de estudos no mundo todo, abordando quest\u00f5es ligadas a perda da floresta e sua fragmenta\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ado em 2012 por pesquisadores da Imperial College de Londres. A degrada\u00e7\u00e3o de ambientes naturais prejudica a fauna local, entretanto a resposta para esta perda de espa\u00e7o pode variar de esp\u00e9cie para esp\u00e9cie. \u201cExistem esp\u00e9cies que lidam bem com esta nova situa\u00e7\u00e3o, conseguindo encontrar alimento e abrigo em cidades e \u00e1reas de agricultura, j\u00e1 outras s\u00e3o bem vulner\u00e1veis, sendo negativamente afetadas quando a paisagem \u00e9 fragmentada\u201d, explicou Deborah.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Diante desta realidade, surge a quest\u00e3o: o que determina que uma esp\u00e9cie seja vulner\u00e1vel ou favorecida pela fragmenta\u00e7\u00e3o? No artigo em quest\u00e3o, foi testada a hip\u00f3tese de que algumas esp\u00e9cies s\u00e3o mais adapt\u00e1veis porque em um determinado momento j\u00e1 tiveram contato com situa\u00e7\u00f5es como inc\u00eandios, desmatamento, glacia\u00e7\u00e3o e furac\u00f5es que a tornaram mais resistentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras esp\u00e9cies presentes em habitats que n\u00e3o tiveram contato com tais dist\u00farbios. Na amostragem, foram utilizados dados de 4489 esp\u00e9cies animais.<\/p>\n<p>Algumas conclus\u00f5es do trabalho j\u00e1 trouxeram indicadores que exigem adotar medidas ecol\u00f3gicas. \u201cO n\u00famero de esp\u00e9cies sens\u00edveis aumentou seis vezes em dire\u00e7\u00e3o ao Equador, ou seja, em latitudes mais baixas. Portanto, as a\u00e7\u00f5es para evitar a fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat, como a forma\u00e7\u00e3o de bordas, s\u00e3o particularmente importantes nas florestas tropicais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a ideia n\u00e3o \u00e9 nova, mas test\u00e1-la foi algo precursor, ainda mais levando em considera\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o global relacionada a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cA ideia que foi testada tem a ver com o que chamamos de \u2018filtro de extin\u00e7\u00e3o\u2019, ou seja, se as esp\u00e9cies que hoje resistem e se beneficiam das modifica\u00e7\u00f5es naturais o fazem \u00e9 porque foram \u2018filtradas\u2019 ao longo de sua hist\u00f3ria evolutiva, enquanto outras s\u00e3o mais sens\u00edveis porque nunca tiveram que enfrentar tais mudan\u00e7as ao longo da sua evolu\u00e7\u00e3o, mas est\u00e3o tendo que faz\u00ea-lo agora\u201d.<\/p>\n<p>O co-autor do estudo, Jos\u00e9 Morante-Filho (Uefs), acredita que a pesquisa revelou que esp\u00e9cies evolu\u00eddas em regi\u00f5es expostas a eventos cr\u00f4nicos de perturba\u00e7\u00e3o como inc\u00eandios, desmatamento, glacia\u00e7\u00e3o e furac\u00f5es est\u00e3o mais tolerantes e at\u00e9 s\u00e3o favorecidas em situa\u00e7\u00f5es de fragmenta\u00e7\u00e3o do seu habitat atual quando comparadas a esp\u00e9cies cujo passado evolutivo ocorreu em regi\u00f5es de clima mais est\u00e1vel e com poucos dist\u00farbios\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m aponta que as florestas tropicais, que guardam a maior parte da biodiversidade no planeta, devido ao seu estado \u201cmais intoc\u00e1vel\u201d, s\u00e3o, atualmente, as mais vulner\u00e1veis quando o assunto \u00e9 extin\u00e7\u00e3o de animais. \u201cNeste artigo, n\u00f3s apresentamos uma importante contribui\u00e7\u00e3o para entender o que poderia explicar a varia\u00e7\u00e3o da resposta das esp\u00e9cies de animais a um dos processos mais perversos e generalizados ligados a a\u00e7\u00e3o humana: a separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos habitats naturais que restaram. Hoje, podemos afirmar que o n\u00edvel de vulnerabilidade das esp\u00e9cies a este processo antr\u00f3pico \u00e9 parcialmente explicado pelo contexto no qual cada esp\u00e9cie evoluiu\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Dessa forma, Deborah faz um alerta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de preservar a natureza: \u201cO trabalho reitera a relev\u00e2ncia dos ambientes tropicais, como as nossas florestas Amaz\u00f4nica e Atl\u00e2ntica, por exemplo, em abrigar esp\u00e9cies vulner\u00e1veis a fragmenta\u00e7\u00e3o e a nossa responsabilidade de evitar esta eros\u00e3o biol\u00f3gica em escala planet\u00e1ria\u201d. Al\u00e9m disso, ela deixa claro que pretende dar continuidade no estudo junto ao BioFraga. \u201cEste \u00e9 o segundo artigo de grande impacto produzido pelo grupo, mas a ideia \u00e9 que outras perguntas e mais bases de dados fa\u00e7am parte de an\u00e1lises futuras\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que algumas esp\u00e9cies de animais est\u00e3o mais sujeitas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, enquanto outras s\u00e3o capazes de se adaptar com mais efic\u00e1cia? 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