{"id":96598,"date":"2019-11-08T16:00:16","date_gmt":"2019-11-08T19:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=96598"},"modified":"2019-11-08T12:05:29","modified_gmt":"2019-11-08T15:05:29","slug":"artigo-em-revista-internacional-descreve-novas-populacoes-de-graminea-ameacada-de-extincao-no-sul-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/11\/08\/artigo-em-revista-internacional-descreve-novas-populacoes-de-graminea-ameacada-de-extincao-no-sul-da-bahia\/","title":{"rendered":"Artigo em revista internacional descreve novas popula\u00e7\u00f5es de gram\u00ednea amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o no Sul da Bahia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u00a0Heleno Naz\u00e1rio<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-96600\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/grama1.jpg\" alt=\"grama\" width=\"255\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/grama1.jpg 400w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/grama1-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/>Um artigo na \u00e1rea da Bot\u00e2nica trata de uma esp\u00e9cie rara de gram\u00ednea, existente apenas na Mata Atl\u00e2ntica do Sul da Bahia. O trabalho intitulado\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/botlinnean\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/botlinnean\/boz039\/5601912?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/academic.oup.com\/botlinnean\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/botlinnean\/boz039\/5601912?redirectedFrom%3Dfulltext&amp;source=gmail&amp;ust=1573299772192000&amp;usg=AFQjCNGfAxPox1c6bAYuxQEAc_2yojIAlw\"><strong>Ecological niche modelling and genetic diversity of\u00a0<em>Anomochloa marantoidea<\/em>\u00a0(Poaceae): filling the gaps for conservation in the earliest-diverging grass subfamily<\/strong><\/a>\u00a0est\u00e1 publicado na\u00a0<em><strong>Botanical Journal of the Linnean Society<\/strong><\/em>\u00a0e \u00e9 assinado pelos cientistas Jo\u00e3o P. Silva Vieira (Universidade Estadual de Feira de Santana &#8211; UEFS), Alessandra S. Schnadelbach (UFBA), Frederic Mendes Hughes (Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica \u2013 INMA), Jomar Gomes Jardim (Centro de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agroflorestais da Universidade Federal do Sul da Bahia &#8211; CFCAF\/UFSB), Lynn G. Clark (Iowa State University) e R. Patr\u00edcia de Oliveira (UEFS). O professor Jomar Jardim respondeu a perguntas sobre o estudo para a se\u00e7\u00e3o UFSB Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Morta em Paris, &#8220;vivinha da silva&#8221; na Bahia<\/p>\n<p>Os pesquisadores localizaram e coletaram amostras de popula\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Anomochloa marantoidea<\/em>, esp\u00e9cie bastante rara e pertencente a uma linhagem divergente e das mais antigas de gram\u00edneas, e por isso essencial para o estudo de padr\u00f5es evolucion\u00e1rios em grupos biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Um detalhe da hist\u00f3ria da pesquisa sobre essa esp\u00e9cie \u00e9 que ela foi redescoberta por bot\u00e2nicos em 1976, quando encontraram duas popula\u00e7\u00f5es da gram\u00ednea na regi\u00e3o de Una. Isso ocorreu mais de um s\u00e9culo ap\u00f3s a descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica original, feita a partir de esp\u00e9cimes cultivados em estufas em Paris, com poucos detalhes sobre a localiza\u00e7\u00e3o original \u2013 sabia-se apenas que foram coletadas no Brasil. No entanto, as plantas na estufa parisiense morreram alguns anos ap\u00f3s a coleta, motivando o trabalho de campo nos anos 1970.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A equipe atual de bot\u00e2nicos localizou duas novas popula\u00e7\u00f5es naturais da\u00a0<em>Anomochloa marantoidea<\/em>\u00a0na regi\u00e3o, ambas descobertas em reservas ind\u00edgenas do povo Tupinamb\u00e1. As sa\u00eddas a campo, cada uma com dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dias, ocorreram em julho, agosto e outubro de 2015 e em junho e julho de 2016. Segundo o professor Jomar Jardim, as etapas da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica combinaram\u00a0trabalho de campo, an\u00e1lise gen\u00e9tica em laborat\u00f3rio e an\u00e1lise de dados em computador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Descobertas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"CToWUd a6T\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/tXC4WSaKSvhSqKUc5mgxZEKQOaoxq71zId7OGUWE22fFLLt1ts_jswlCRZiEniLKEfuVLMFnqyYlQ_yaPr7Ae_wDKzfaumCvZvZN5jJspM-cbA1Wo1u19ZGLOOuthdWOG5V7PNTnMO-Q1FI8qDivskBtaYOkw-Y-GKvEICra=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2019\/novembro\/artigo_jomar_ufsbciencia\/Anomochloa_habitat_2.JPG\" alt=\"Anomochloa habitat 2\" width=\"500\" height=\"331\" \/><\/p>\n<p>Para chegar a essas localiza\u00e7\u00f5es, os pesquisadores usaram um recurso indispon\u00edvel aos antecessores da d\u00e9cada de 1970: a t\u00e9cnica da modelagem de nicho ecol\u00f3gico, uma forma de modelagem computacional com programas espec\u00edficos que levam em conta dados de\u00a0clima, eleva\u00e7\u00e3o, solo e vegeta\u00e7\u00e3o a partir de bases digitais online e correlacionar matematicamente com dados das popula\u00e7\u00f5es conhecidas. Com isso, os cientistas orientaram as sa\u00eddas a campo pelo modelo computacional e com uso de um equipamento de GPS port\u00e1til, o que permitiu concluir que a esp\u00e9cie se caracteriza tamb\u00e9m pela alta restri\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, isto \u00e9, se estabelece e se multiplica em condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas de bastante umidade e temperatura m\u00e9dia elevada, t\u00edpicas da floresta ombr\u00f3fila densa, uma subdivis\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Um dos dois habitat encontrados fica na\u00a0Serra do Padeiro,\u00a0aldeia ind\u00edgena Tupinamb\u00e1, em Buerarema-BA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e os locais com potencial ecol\u00f3gico para a ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie ajuda na tomada de decis\u00f5es de\u00a0conserva\u00e7\u00e3o tanto da\u00a0<em>Anomochloa marantoidea<\/em>, que est\u00e1 na Lista Vermelha da Flora Brasileira, e na lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, na categoria criticamente em risco de extin\u00e7\u00e3o, quanto de outras esp\u00e9cies associadas \u00e0 mesma vegeta\u00e7\u00e3o. O motivo \u00e9 a prefer\u00eancia da esp\u00e9cie por locais em que possa estar abrigada pelas copas das \u00e1rvores e no microclima espec\u00edfico que \u00e9 tamb\u00e9m favor\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cacau no sistema cabruca e, mais recentemente, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de banana e pupunha. Em ambos os casos, a gram\u00ednea corre risco de ser destru\u00edda por se tratar de esp\u00e9cie herb\u00e1cea pouco conhecida e sem import\u00e2ncia econ\u00f4mica aparente. Um dos autores do estudo, o professor Jomar Jardim, afirma que a esp\u00e9cie est\u00e1 em \u201celevado grau de amea\u00e7a e que um plano de conserva\u00e7\u00e3o deve ser elaborado para manter as popula\u00e7\u00f5es conhecidas e buscar por outras a partir das \u00e1reas indicadas na an\u00e1lise de nicho ecol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>Encontrar as novas popula\u00e7\u00f5es permitiu chegar ao segundo objetivo do estudo: coletar esp\u00e9cimes da gram\u00ednea em cada uma das popula\u00e7\u00f5es encontradas para an\u00e1lise gen\u00e9tica. Conforme o professor Jomar, \u201ca an\u00e1lise da estrutura gen\u00e9tica a partir de marcadores moleculares sugere fragmenta\u00e7\u00e3o recente e baixo fluxo g\u00eanico entre as popula\u00e7\u00f5es\u201d, o que significa que h\u00e1 dois grupos com diferen\u00e7as gen\u00e9ticas que n\u00e3o est\u00e3o trocando genes em quantidade suficiente, pelo isolamento dessas popula\u00e7\u00f5es, o que tende a enfraquecer a esp\u00e9cie. O processo reprodutivo de\u00a0<em>Anomochloa marantoidea<\/em>\u00a0ainda precisa ser mais estudado, afirmam os autores da pesquisa. A boa not\u00edcia \u00e9 que, em paralelo com a prote\u00e7\u00e3o de locais onde essa esp\u00e9cie ocorre e de pontos potencialmente vi\u00e1veis para essa ocorr\u00eancia, a conserva\u00e7\u00e3o em cativeiro tamb\u00e9m \u00e9 vi\u00e1vel, como demonstrado pela reprodu\u00e7\u00e3o de plantas da gram\u00ednea no herb\u00e1rio da Ceplac, onde um exemplar est\u00e1 em cultivo desde 1986.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fotos por Jomar G. Jardim<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Heleno Naz\u00e1rio Um artigo na \u00e1rea da Bot\u00e2nica trata de uma esp\u00e9cie rara de gram\u00ednea, existente apenas na Mata Atl\u00e2ntica do Sul da Bahia. 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