{"id":964,"date":"2016-12-24T10:07:00","date_gmt":"2016-12-24T13:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/12\/25\/o-evangelho-segundo\/"},"modified":"2016-12-21T10:36:50","modified_gmt":"2016-12-21T13:36:50","slug":"o-evangelho-segundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/12\/24\/o-evangelho-segundo\/","title":{"rendered":"O Evangelho segundo&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TRXs09NbhwI\/AAAAAAAAB0o\/4Qvi8JrU72I\/s1600\/viajante.jpg\"><img id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5554606109959620354\" style=\"display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: hand; width: 400px; height: 299px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TRXs09NbhwI\/AAAAAAAAB0o\/4Qvi8JrU72I\/s400\/viajante.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>\nViajante errante, andava eu l\u00e1 pelos lados do Oriente M\u00e9dio. Os neg\u00f3cios, como sempre, iam mal. O dinheiro, quando havia, mal dava para o p\u00e3o e o vinho. Tempos dif\u00edceis, como sempre foram dif\u00edceis os tempos para quem n\u00e3o tem a felicidade de nascer rico nesse mundo dividido entre os que tem tudo e nos exploram e os que n\u00e3o temos nada e somos subjugados.<\/p>\n<p>Estava em Bel\u00e9m, uma cidadezinha perdida no mapa. Aquele dia tinha sido excepcionalmente ruim para mim. Tanto que s\u00f3 me alimentara porque um casal \u2013 a esposa em adiantado estado de gravidez- dividira comigo um peda\u00e7o de p\u00e3o. Pareciam caminhar a ermo, mas a mulher tinha um semblante de quem trazia no ventre n\u00e3o um filho, mas um tesouro.<\/p>\n<p>Sem dinheiro nem para a mais modesta das hospedagens, fui procurar abrigo nos arredores da cidade. Era uma noite linda e uma estrela l\u00e1 no c\u00e9u brilhava mais do que todas as estrelas. Parecia um sinal, n\u00f3s que \u00e0quela \u00e9poca esper\u00e1vamos tanto por um sinal. Quem sabe algu\u00e9m capaz de mudar o mundo. Ou, mais modestamente, garantir que todos tivessem p\u00e3o e moradia digna. Nossos desejos eram simpl\u00f3rios, naqueles tempos simpl\u00f3rios em que viv\u00edamos.<\/p>\n<p>Andei pouco, o suficiente para avistar uma estrebaria. Cansado, s\u00f3 pensava numa reconfortante noite de sono. Ao me aproximar da estrebaria, a surpresa. L\u00e1 estava o casal que dividira comigo o peda\u00e7o de p\u00e3o. Ao lado deles, alguns pastores de ovelhas, uns poucos animais. Ao centro, brilhando como a mais brilhante das estrelas, iluminada como a mais intensa das luzes, estava a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive coragem de me aproximar. Cansado, preocupado com o dia seguinte, me afastei e encontrei uma estrebaria vazia. Antes, olhei para aquela crian\u00e7a que tanto me impressionara. Acho que ela sorriu pra mim. Ou, talvez tenha sido s\u00f3 impress\u00e3o minha.<\/p>\n<p>Naquela noite, sonhei que aquela crian\u00e7a, que os pais deram o nome de Jesus, se transformara num grande l\u00edder popular. N\u00e3o desses l\u00edderes que ap\u00f3s chegar ao poder viram as costas para o povo e s\u00f3 pensam em fazer fortuna. Mas um l\u00edder que combate as injusti\u00e7as sociais, a viol\u00eancia. Um l\u00edder que n\u00e3o apenas divide, mas multiplica o p\u00e3o. No meu sonho, Jesus arrebatou uma multid\u00e3o de seguidores, todos eles humildes. Por isso, despertou a ira dos poderosos.<\/p>\n<p>No meu sonho, aquele barbudo revolucion\u00e1rio n\u00e3o se curvou aos poderosos, n\u00e3o desviou um mil\u00edmetro do bom caminho, nunca abandonou os humildes e pagou um pre\u00e7o alt\u00edssimo por isso. Numa tarde sombria como s\u00f3 as tardes tr\u00e1gicas s\u00e3o sombrias, ele foi crucificado.<\/p>\n<p>Meu sonho, entretanto, n\u00e3o terminaria na crucifica\u00e7\u00e3o daquele homem que eu vira nascer numa noite estrelada. Morto, ele se multiplicou e sua mensagem se espalhou pelo mundo, atravessou s\u00e9culos, cruzou mil\u00eanios. O mundo continuaria desigual, mas jamais seria o mesmo, porque ele havia deixado um sinal. Ou melhor, ele era o pr\u00f3prio Sinal. Quem tiver olhos para ver, Veja. Quem tiver desprendimento para seguir, Siga.<\/p>\n<p>No retorno para Bel\u00e9m, notei que a manjedoura onde nascera a crian\u00e7a estava vazia. Os pastores cuidavam de suas ovelhas e a vida seguia seu ritmo normal. Mas, eu estava extremamente inquieto.<\/p>\n<p>Teria sido apenas um sonho? Ou teria, eu, recebido o sinal e n\u00e3o percebido. Durante minhas andan\u00e7as nunca deixei de olhar para o c\u00e9u. Em busca de uma estrela que me indicasse o caminho.<\/p>\n<p>Viajante errante, at\u00e9 hoje eu me sinto passageiro de uma hist\u00f3ria onde poderia ter sido personagem. Porque apenas e t\u00e3o somente a a\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o a simples contempla\u00e7\u00e3o- \u00e9 capaz de mudar a Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E que bela hist\u00f3ria, que come\u00e7aria assim:<\/p>\n<p>Viajante errante, andava eu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viajante errante, andava eu l\u00e1 pelos lados do Oriente M\u00e9dio. Os neg\u00f3cios, como sempre, iam mal. O dinheiro, quando havia, mal dava para o p\u00e3o e o vinho. 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