{"id":94221,"date":"2019-09-08T09:33:33","date_gmt":"2019-09-08T12:33:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=94221"},"modified":"2019-09-06T16:41:51","modified_gmt":"2019-09-06T19:41:51","slug":"pesquisa-internacional-descreve-papel-da-restauracao-ativa-de-florestas-para-recuperacao-de-diversidade-e-de-funcoes-ecossistemicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/09\/08\/pesquisa-internacional-descreve-papel-da-restauracao-ativa-de-florestas-para-recuperacao-de-diversidade-e-de-funcoes-ecossistemicas\/","title":{"rendered":"Pesquisa internacional descreve papel da restaura\u00e7\u00e3o ativa de florestas para recupera\u00e7\u00e3o de diversidade e de fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-94222\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/muda_foto-Luiz-Fernando-Magnago.jpg\" alt=\"muda_foto Luiz Fernando Magnago\" width=\"427\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/muda_foto-Luiz-Fernando-Magnago.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/muda_foto-Luiz-Fernando-Magnago-300x142.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/p>\n<p>Em tempos de aten\u00e7\u00e3o redobrada com os recursos naturais do Brasil, uma pesquisa conduzida por equipe multidisciplinar de cientistas do Brasil, Estados Unidos e Taiwan apresentou dados de um experimento sobre a restaura\u00e7\u00e3o ativa de \u00e1reas florestais. O artigo\u00a0Restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica aumenta a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade beta taxon\u00f4mica e funcional de plantas lenhosas em uma paisagem tropical fragmentada\u00a0(nome em ingl\u00eas\u00a0Ecological restoration increases conservation of taxonomic and functional beta diversity of woody plants in a tropical fragmented landscape) foi publicado na revista\u00a0Forest Ecology and Management\u00a0e \u00e9 assinado por D\u00e9bora Cristina Rother (Unicamp), Ana Paula Liboni e Ricardo Ribeiro Rodrigues (Esalq\/USP), Luiz Fernando Silva Magnago (Centro de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agroflorestais &#8211; CFCAF\/UFSB), Robin Chazdon (Universidade de Connecticut\/EUA) e Anne Chao (Universidade Nacional de Tsing Hua, Taiwan).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-94223\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/floresta_recuperada_debora_rother.jpg\" alt=\"floresta_recuperada_debora_rother\" width=\"318\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/floresta_recuperada_debora_rother.jpg 569w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/floresta_recuperada_debora_rother-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/p>\n<p>O artigo apresenta resultados que indicam, de forma pioneira na literatura, que a restaura\u00e7\u00e3o ativa (plantio de reflorestamento) pode contribuir para a recupera\u00e7\u00e3o de diversidade de esp\u00e9cies e de fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas em \u00e1reas florestais sob forte impacto da atividade humana, contanto que o foco desse tipo de a\u00e7\u00e3o contemple o uso de v\u00e1rias esp\u00e9cies nativas em cada regi\u00e3o. Essa diversidade de \u00e1rvores e arbustos \u00e9 importante para que a \u00e1rea reflorestada possa tamb\u00e9m oferecer o que os pesquisadores chamam de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, isto \u00e9, influ\u00eancia na regula\u00e7\u00e3o de regime de chuvas, controle da eros\u00e3o e estoque de carbono.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O professor Luiz Fernando Magnago (UFSB)\u00a0 deu mais informa\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa e a relev\u00e2ncia dos resultados encontrados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-94224\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/area_em_recuperacao_ana_paula_liboni-300x225.jpg\" alt=\"area_em_recuperacao_ana_paula_liboni\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/area_em_recuperacao_ana_paula_liboni-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/area_em_recuperacao_ana_paula_liboni.jpg 745w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De que trata a pesquisa?<\/p>\n<p>Projetos que visam a restaura\u00e7\u00e3o das florestas tropicais s\u00e3o fundamentais para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade (por exemplo, esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o) e tamb\u00e9m para aumentar o potencial de provis\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, controle de eros\u00f5es e sequestro de carbono da atmosfera. Anteriormente, os projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal visavam apenas o retorno da cobertura florestal de uma \u00e1rea. Contudo, estes projetos devem agora se preocupar em aumentar, al\u00e9m da cobertura florestal, tamb\u00e9m as propriedades funcionais de uma \u00e1rea, por exemplo, alimentos para a fauna associada. Por isso, compreender o papel das florestas restauradas na mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos da fragmenta\u00e7\u00e3o e da perda de habitat de esp\u00e9cies nativas \u00e9 crucial, uma vez que uma grande propor\u00e7\u00e3o da biodiversidade da floresta tropical est\u00e1 hoje restrita a pequenos fragmentos (fragmentos menores que 100 ha) e imersos em paisagens de grandes \u00e1reas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Nessa pesquisa fizemos duas perguntas:<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o ativa* se soma \u00e0s florestas secund\u00e1rias e assim aumenta a diversidade de esp\u00e9cies e fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas em paisagens muito desmatadas?<br \/>\nAs fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas providas pelas esp\u00e9cies de \u00e1rvores (por exemplo, densidade da madeira, tamanho das sementes e s\u00edndromes de dispers\u00e3o) s\u00e3o diferentes entre as \u00e1reas de Restaura\u00e7\u00e3o Passiva e Ativa?<br \/>\nPara responder a essas perguntas, avaliamos a\u00a0diversidade taxon\u00f4mica\u00a0e funcional em diferentes n\u00edveis, utilizando m\u00e9tricas baseadas em dados de riqueza e abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies, na Mata Atl\u00e2ntica do sudeste do Brasil. Este estudo apresenta e analisa os resultados das m\u00e9tricas de diversidade em diferentes escalas e discute a import\u00e2ncia cr\u00edtica das florestas remanescentes para a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade de plantas e os efeitos dos esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o na diversidade em regi\u00f5es degradadas e desmatadas.<\/p>\n<p>*A t\u00e9cnica de\u00a0Restaura\u00e7\u00e3o Ativa \u00e9 feita quando se \u00e9 utilizado o plantio de mudas de esp\u00e9cies nativas.\u00a0A t\u00e9cnica de Restaura\u00e7\u00e3o Florestal Passiva \u00e9 feita quando se utiliza a sucess\u00e3o natural das florestas no projeto de restaura\u00e7\u00e3o, ou seja, as \u00e1reas s\u00e3o abandonadas e naturalmente a floresta se regenera, sem manejo humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como foi feita a pesquisa?<\/p>\n<p>Nosso estudo foi feito na regi\u00e3o norte de S\u00e3o Paulo e compreende \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica e Cerrado. A maioria das \u00e1reas estudadas fazem parte do\u00a0Programa de Planejamento Ambiental de Fazendas, realizadas de 2000 a 2010 pelo Laborat\u00f3rio de Ecologia e Restaura\u00e7\u00e3o Florestal da Universidade de S\u00e3o Paulo, sob coordena\u00e7\u00e3o do professor Ricardo Ribeiro Rodrigues.<\/p>\n<p>Realizamos nosso estudo em 32 \u00e1reas restauradas, sendo 14 \u00e1reas de restaura\u00e7\u00e3o ativa (cobrindo um total de 146,14 ha) e 18 fragmentos florestais secund\u00e1rios, totalizando 1240,68 ha. Em \u00e1rea foram alocadas 10 parcelas de \u00e1rea fixa, com dimens\u00f5es de 4 \u00d7 25 m (total de 0,1 ha por local). Em todas as parcelas foram medidas todas as esp\u00e9cies lenhosas dentro de um crit\u00e9rio pr\u00e9-estabelecido. Para cada esp\u00e9cie amostrada n\u00f3s medimos suas caracter\u00edsticas funcionais, ligadas \u00e0 provis\u00e3o de recursos alimentares, ao armazenamento de carbono e \u00e0 estrutura florestal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qual a contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e aplicada desse artigo?<\/p>\n<p>O nosso estudo mostrou que os projetos de restaura\u00e7\u00e3o ativa podem contribuir para aumentar a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade de esp\u00e9cies e suas fun\u00e7\u00f5es em paisagens altamente fragmentadas e degradadas. Com esses resultados podemos estabelecer, em termos pr\u00e1ticos, que os plantios para restaura\u00e7\u00e3o florestal devem ser baseados na diversidade de esp\u00e9cies e fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas existentes na regi\u00e3o de interesse e principalmente no reestabelecimento de esp\u00e9cies e fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o mais presentes na regi\u00e3o (localmente extintas).<\/p>\n<p>Nosso estudo ainda enfatiza o papel fundamental dos propriet\u00e1rios agr\u00edcolas na conserva\u00e7\u00e3o das florestas nativas. Estas possuem um valor insubstitu\u00edvel para a conserva\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Estes propriet\u00e1rios tamb\u00e9m t\u00eam a importante fun\u00e7\u00e3o de restaurar em suas propriedades as \u00e1reas que legalmente s\u00e3o destinadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental (Reserva Legal e \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente), obtendo assim benef\u00edcios efetivos para a conserva\u00e7\u00e3o das paisagens da Floresta Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>H\u00e1 o efeito sin\u00e9rgico entre as \u00e1reas de reflorestamento e as matas nativas.\u00a0Esse efeito sin\u00e9rgico est\u00e1 ligado \u00e0 complementaridade\u00a0de esp\u00e9cies e fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas prestadas por essas esp\u00e9cies em ambos os tipos de florestas. Nesse cen\u00e1rio, enquanto nas florestas nativas se deve manter o estoque de biodiversidade\u00a0e fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas, nas \u00e1reas florestas restauradas com restaura\u00e7\u00e3o ativa se deve buscar plantar esp\u00e9cies nativas localmente extintas. Desta forma, as duas devem somar maiores valores de fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas e biodiversidade para uma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Equipe respons\u00e1vel pela pesquisa:<br \/>\nDra. D\u00e9bora Cristina Rother\u00a0&#8211; Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Departamento de Biologia Vegetal, Campinas, S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Dra. Ana Paula Liboni\u00a0&#8211; Universidade de S\u00e3o Paulo, Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d, Laborat\u00f3rio de Ecologia e Restaura\u00e7\u00e3o Florestal, Piracicaba, S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Dr. Luiz Fernando Silva Magnago\u00a0&#8211; Universidade Federal do Sul da Bahia, Centro de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agroflorestais, Ilh\u00e9us, Bahia<\/p>\n<p>Dra. Anne Chao\u00a0&#8211; National Tsing Hua University, Institute of Statistics, Hsin-Chu, Taiwan<\/p>\n<p>Dra. Robin L. Chazdon\u00a0&#8211; University of Connecticut, Department of Ecology and Evolutionary Biology, Storrs, CT, USA<\/p>\n<p>Dr. Ricardo Ribeiro Rodrigues\u00a0&#8211; Universidade de S\u00e3o Paulo, Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d, Laborat\u00f3rio de Ecologia e Restaura\u00e7\u00e3o Florestal,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de aten\u00e7\u00e3o redobrada com os recursos naturais do Brasil, uma pesquisa conduzida por equipe multidisciplinar de cientistas do Brasil, Estados Unidos e Taiwan apresentou dados de um experimento sobre a restaura\u00e7\u00e3o ativa de \u00e1reas florestais. 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