{"id":935,"date":"2010-11-30T09:57:00","date_gmt":"2010-11-30T12:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/11\/30\/a-fazenda\/"},"modified":"2010-11-30T09:57:00","modified_gmt":"2010-11-30T12:57:00","slug":"a-fazenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/11\/30\/a-fazenda\/","title":{"rendered":"A Fazenda"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TPT1Gdxt90I\/AAAAAAAABwA\/WTLgu5zyorU\/s1600\/tiro%2Bno%2Bcacau.jpg\"><img style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TPT1Gdxt90I\/AAAAAAAABwA\/WTLgu5zyorU\/s200\/tiro%2Bno%2Bcacau.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5545326532621104962\" \/><\/a><br \/><em>\u201cA gente passava v\u00e1rias  semanas colhendo cacau, levando para as barca\u00e7as, ensacando, os caminh\u00f5es saindo lotados para Ilh\u00e9us. Tinha um monte de gente trabalhando aqui&#8230;\u201d <\/em> <\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 exuberante, o verde chega a doer nos olhos, enquanto caminhamos em meio aos cacaueiros. Amaro, o autor da frase, \u00e9 administrador de uma fazenda localizada numa estrada vicinal em Pau Brasil, no Sul da Bahia.<br \/>Ou, o que restou dela.<\/p>\n<p><em>\u201cA gente chegou a colher tr\u00eas mil arrobas de cacau. Esse ano vamos colher 120 arrobas. E olha que j\u00e1 colhemos menos. O dono s\u00f3 vem aqui uma vez por ano. Ainda bem que tem outras atividades, porque o que tira daqui n\u00e3o paga nem os trabalhadores&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por \u201cos trabalhadores\u201d, entendam-se oito pessoas, quase todos da mesma fam\u00edlia. A maioria ficou na fazenda por absoluta falta de op\u00e7\u00f5es. Amaro entre eles. Com a mulher e os filhos, cuida da pequena \u00e1rea de cacau e cultiva produtos de subsist\u00eancia. <\/p>\n<p><em>\u201cO dono da fazenda fez clonagem, mas as \u00e1rvores n\u00e3o eram resistentes e a vassoura voltou com tudo. Agora estamos tentando novos clones para ver se a produ\u00e7\u00e3o aumenta de novo, mas nunca ser\u00e1 como antes, isso eu sei&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por \u201cantes\u201d entenda-se duas d\u00e9cadas. Antes da chegada da vassoura-de-bruxa, doen\u00e7a que por absoluta falta de cuidados e de conhecimentos praticamente dizimou a lavoura cacaueira e que num par de anos empobreceu uma regi\u00e3o absurdamente rica. O que Amaro sabe, o que todos j\u00e1 sabem, \u00e9 que nunca ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p><em>\u201cOlhe esse jacarand\u00e1, deve ter mais de cem anos. Essa \u00e1rvore aqui \u00e9 pau-brasil. O fazendeiro n\u00e3o permitiu que a gente derrubasse a mata, t\u00e1 tudo conservado. Mas o cacau, a vassoura levou embora&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>Amaro acaricia os poucos frutos sadios, aponta para as plantas semi-mortas, espera que dessa vez a clonagem seja bem sucedida, para que pelo menos o cacau pague as despesas da fazenda. O receio, evidente, \u00e9 que o dono tenha um limite para arcar com os preju\u00edzos, ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p><em>\u201cQuanta gente foi embora e hoje eu nem sei por onda anda. A gente vai nas outras fazendas e d\u00e1 pena. Muitas delas est\u00e3o abandonadas,  as casas depredadas, onde tinha cacau, hoje s\u00f3 tem mato. Tenho 50 anos, nasci e cresci nas ro\u00e7as de cacau. Nunca pensei que iria ver isso&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>Amaro sai da planta\u00e7\u00e3o de cacau e se dirige para casa, onde a mulher, tamb\u00e9m nascida e criada nas ro\u00e7as de cacau, serve um caf\u00e9 ralo. A  impress\u00e3o \u00e9 de que, ao transpor aqueles cacaueiros, deixou para tr\u00e1s um sonho.<br \/>Ou, um pesadelo, que insiste em atormentar o sono de Amaro e  de ilhares de pessoas que esperam pelo fim de uma crise como quem espera pelo fim de uma longa noite tenebrosa.<\/p>\n<p>Um dia que insiste em n\u00e3o amanhecer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA gente passava v\u00e1rias semanas colhendo cacau, levando para as barca\u00e7as, ensacando, os caminh\u00f5es saindo lotados para Ilh\u00e9us. Tinha um monte de gente trabalhando aqui&#8230;\u201d A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 exuberante, o verde chega a doer nos olhos, enquanto caminhamos em meio aos cacaueiros. 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