{"id":926,"date":"2010-11-19T08:21:00","date_gmt":"2010-11-19T11:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/11\/19\/um-rio-que-agoniza\/"},"modified":"2010-11-19T08:21:00","modified_gmt":"2010-11-19T11:21:00","slug":"um-rio-que-agoniza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/11\/19\/um-rio-que-agoniza\/","title":{"rendered":"UM RIO QUE AGONIZA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TOZd5v0eH4I\/AAAAAAAABu4\/yjAtmKNgyN0\/s1600\/exposi%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bconcei%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bportela%2B2.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 200px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TOZd5v0eH4I\/AAAAAAAABu4\/yjAtmKNgyN0\/s320\/exposi%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bconcei%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bportela%2B2.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5541219638196445058\" \/><\/a><br \/>Esque\u00e7am os poemas, as can\u00e7\u00f5es, os quadros.<\/p>\n<p>Esque\u00e7am os artistas que, cada qual com sua arte, o eternizaram.<\/p>\n<p>Esque\u00e7am o passado.<\/p>\n<p>E, muito provavelmente, esque\u00e7am o futuro.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o h\u00e1 futuro diante de uma morte tantas e tantas vezes anunciada.<\/p>\n<p>O Rio Cachoeira, dos poemas, das can\u00e7\u00f5es e dos quadros, agoniza.<\/p>\n<p>O Rio Cachoeira, de passado glorioso e de ingl\u00f3rio presente, est\u00e1 \u00e0s portas da morte.<\/p>\n<p>Assassinado por aqueles que deveriam preserv\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Poemas, can\u00e7\u00f5es e quadros podem exaltar belezas, mas n\u00e3o salvam rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o salvaram o Rio Cachoeira.<\/p>\n<p>Porque a salva\u00e7\u00e3o do Rio Cachoeira depende de a\u00e7\u00e3o, quando o que se verifica na realidade \u00e9 a completa omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobram promessas e escasseiam realiza\u00e7\u00f5es que possam evitar o fim eminente.<\/p>\n<p>A morte do Rio Cachoeira, tantas vezes anunciada at\u00e9 como maneira de alertar as pessoas, agora parece inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Porque cada dia que passa \u00e9 um dia a menos num processo de salva\u00e7\u00e3o que n\u00e3o chega nunca.<\/p>\n<p>O Cachoeira hoje \u00e9 um rio f\u00e9tido, sujo, quase um insulto \u00e0 natureza, ela que foi t\u00e3o generosa a ponto de dar a Itabuna um rio caudaloso, de \u00e1guas vibrantes, como a cidade que ele viu nascer, um s\u00e9culo atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O rio que era orgulho, agora se transformou em vergonha, n\u00e3o por sua pr\u00f3pria culpa, por culpa dos que, durante d\u00e9cadas, o maltrataram.<\/p>\n<p>Seu leito tornou-se um canal de esgotos, suas margens transformaram-se em dep\u00f3sito de lixo.<\/p>\n<p>As gar\u00e7as ainda resistem, mas j\u00e1 dividem espa\u00e7o com os urubus.<br \/>O rio vivo \u00e9 cada vez mais um rio sem vida, triste legado \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A cidade assiste, impass\u00edvel, a morte de um rio que a viu nascer e crescer.<\/p>\n<p>Como se a morte de um rio fosse um processo natural, inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Porque o que est\u00e1 ocorrendo com o Rio Cachoeira n\u00e3o tem nada de natural.<\/p>\n<p>\u00c9 um assassinato.<\/p>\n<p>Frio, cruel e desumano.<\/p>\n<p>Salvemos o Cachoeira.<\/p>\n<p>Se \u00e9 que ainda h\u00e1 tempo para isso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esque\u00e7am os poemas, as can\u00e7\u00f5es, os quadros. 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