{"id":92,"date":"2016-12-04T08:30:00","date_gmt":"2016-12-04T11:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2008\/10\/24\/tudo-pelo-socialismo\/"},"modified":"2016-12-01T11:25:11","modified_gmt":"2016-12-01T14:25:11","slug":"tudo-pelo-socialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/12\/04\/tudo-pelo-socialismo\/","title":{"rendered":"TUDO PELO SOCIALISMO"},"content":{"rendered":"<p>O imponente pr\u00e9dio na Plaza de La Revoluci\u00f3n, em Havana, abriga um jornal de faz-de-conta. O sentido n\u00e3o \u00e9 pejorativo, pelo contr\u00e1rio. No Gramma, o jornal oficial do governo cubano, cerca de 70 jornalistas fingem que trabalham, apenas para manter o moral elevado. Para n\u00e3o \u00b4jogar a toalha\u00b4, usando uma express\u00e3o bem brasileira.<\/p>\n<p>O problema, como sempre, \u00e9 a crise econ\u00f4mica vivida pelo pa\u00eds. O Gramma, que nos \u00e1ureos tempos do Bloco Socialista tirava uma m\u00e9dia de 700 mil exemplares\/dia (chegou a 1 milh\u00e3o\/dia em ocasi\u00f5es especiais) hoje tira cerca de 400 mil exemplares. N\u00e3o \u00e9 pouco num pa\u00eds com 11 milh\u00f5es de habitantes, mas \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que obviamente n\u00e3o agrada os jornalistas, at\u00e9 porque a edi\u00e7\u00e3o circula com apenas quatro p\u00e1ginas, impresso num papel sem qualidade. \u201cA gente faz as mat\u00e9rias normalmente, mesmo sabendo que a maioria delas n\u00e3o ser\u00e1 publicada\u201d, resigna-se a editora de do notici\u00e1rio internacional, Nidia Diaz.<\/p>\n<p>Trabalhar num jornal e ter que seguir estritamente as diretrizes do governo parece n\u00e3o constranger Nidia e seus companheiros.\u201dPor acaso voc\u00eas no Brasil trabalham para algum \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o esteja comprometido com grupos financeiros ou pol\u00edticos\u201d, responde ela, perguntando.<\/p>\n<p>Tento explicar que diz apenas meia-verdade, porque no Brasil pode se escrever contra ou a favor do governo. Nidia n\u00e3o se d\u00e1 por vencida e afirma que \u201cse a maioria da popula\u00e7\u00e3o aprova a revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe problema que a imprensa seja comprometida com os ideais socialistas\u201d. A \u00b4conversa de surdos\u00b4 termina a\u00ed, porque Nidia teria 500 milh\u00f5es de argumentos para justificar a exist\u00eancia de imprensa livre em Cuba.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Gramma, que circula cinco dias por semana, Cuba possui 14 jornais semanais provinciais, um jornal da juventude cubana e outro dos trabalhadores (tamb\u00e9m semanais). Existem ainda 55 emissoras de r\u00e1dio (49 locais, 5 nacionais e uma internacional) e 11 emissoras de televis\u00e3o (2 nacionais, 8 regionais e uma internacional). Toda \u201ca servi\u00e7o do socialismo\u201d. A programa\u00e7\u00e3o da tev\u00ea \u00e9 insossa, com filmes mexicanos, novelas, document\u00e1rios e um notici\u00e1rio comprometido at\u00e9 a medula com o regime.<\/p>\n<p>Pelas parab\u00f3licas (em n\u00famero cada vez mais crescente, com a toler\u00e2ncia do governo) captam-se emissoras do M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Venezuela, cujos notici\u00e1rios simplesmente ignoram o Brasil.<\/p>\n<p>95% dos cubanos tem aparelhos de televis\u00e3o. A maioria dos aparelhos veio da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os. Mas, a exemplo dos carros antigos, funcionam por um desses milagres que nem os cubanos conseguem explicar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O imponente pr\u00e9dio na Plaza de La Revoluci\u00f3n, em Havana, abriga um jornal de faz-de-conta. O sentido n\u00e3o \u00e9 pejorativo, pelo contr\u00e1rio. 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