{"id":906,"date":"2010-10-29T08:07:00","date_gmt":"2010-10-29T11:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/10\/29\/retrato-abandonado-num-corredor\/"},"modified":"2010-10-29T08:07:00","modified_gmt":"2010-10-29T11:07:00","slug":"retrato-abandonado-num-corredor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/10\/29\/retrato-abandonado-num-corredor\/","title":{"rendered":"Retrato abandonado num corredor"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TMqrYbM-WqI\/AAAAAAAABsY\/lv14F14dqwI\/s1600\/manoel+chaves+5.jpg\"><img style=\"float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 320px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TMqrYbM-WqI\/AAAAAAAABsY\/lv14F14dqwI\/s320\/manoel+chaves+5.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5533423528285461154\" \/><\/a><\/p>\n<p>Num de seus mais belos poemas, Carlos Drummond de Andrade, ao relembrar a cidade de sua inf\u00e2ncia, escreveu, num misto de saudade e melancolia, que Itabira era apenas um retrato amarelado na parede.<\/p>\n<p>Em Itabuna, cidade que n\u00e3o tem entre suas virtudes preservar a mem\u00f3ria de personagens que foram protagonistas de sua hist\u00f3ria, um de seus maiores empreendedores tornou-se um retrato abandonado num corredor obscuro.<\/p>\n<p> Manoel Chaves foi um empreendedor no sentido exato da palavra. A partir de um pequeno neg\u00f3cio, \u00e0 custa de muito trabalho e com vis\u00e3o de futuro, montou um imp\u00e9rio que se estendeu pelos ramos de produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o de cacau, setor imobili\u00e1rio, com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o civil e telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> Manoel Chaves, numa \u00e9poca em que muitos transformavam as riquezas do cacau em apartamentos de luxo em Salvador, Rio de Janeiro e na Europa, investiu na moderniza\u00e7\u00e3o de uma cidade que ele adotou como sua. Plantou pr\u00e9dios, lojas, ind\u00fastrias e semeou desenvolvimento.<\/p>\n<p> Quando ainda nem se falava em responsabilidade social, Manoel Chaves financiou atrav\u00e9s de suas empresas cursos de n\u00edvel superior para funcion\u00e1rios e seus filhos e ofereceu-lhes condi\u00e7\u00f5es para que pudessem melhorar de vida, apoiou artistas de muito talento e poucos recursos, manteve creches e colaborou com institui\u00e7\u00f5es beneficentes. Al\u00e9m disso, concedia aos colaboradores de suas empresas vantagens que iam al\u00e9m das leis trabalhistas.   Tudo isso sem fazer alarde ou marketing pessoal.<\/p>\n<p> Manoel Chaves \u00e9, seguramente, um dos principais personagens de Itabuna nesse seu primeiro s\u00e9culo de vida. Se algum reconhecimento p\u00fablico ganhou, foi o nome de uma avenida no bairro S\u00e3o Caetano, que muitos ainda chamam pelo nome anterior, presidente Kennedy.<\/p>\n<p> Merecia mais, muito mais.<br \/> N\u00e3o o teve em vida porque sempre foi uma figura discreta, de mais a\u00e7\u00e3o e menos exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> N\u00e3o o tem depois que faleceu, pela falta de mem\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p> Gente como Manoel Chaves, e tamb\u00e9m Firmino Alves, Jos\u00e9 Soares Pinheiro, JJ Seabra e outros personagens marcantes de Itabuna, deveriam merecer bustos em pra\u00e7as p\u00fablicas, darem nome a escolas e serem lembrados \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es como exemplos para uma cidade que, a despeito de todas as crises por que passou e passa, \u00e9 capaz de se redescobrir e dar a volta por cima, justamente por conta dessa chama empreendedora, dessa for\u00e7a at\u00e1vica de superar desafios.<\/p>\n<p> Uma chama que Manoel Chaves simbolizou como poucos.<\/p>\n<p> Manoel Chaves n\u00e3o merece ser apenas um retrato amarelado na parede da mem\u00f3ria itabunense.<\/p>\n<p> E, menos ainda, ser um retrato abandonado num corredor de um dos pr\u00e9dios que ele construiu como mostra a foto que ilustra esse texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num de seus mais belos poemas, Carlos Drummond de Andrade, ao relembrar a cidade de sua inf\u00e2ncia, escreveu, num misto de saudade e melancolia, que Itabira era apenas um retrato amarelado na parede. 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