{"id":90322,"date":"2019-05-22T19:34:10","date_gmt":"2019-05-22T22:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=90322"},"modified":"2019-05-22T15:38:07","modified_gmt":"2019-05-22T18:38:07","slug":"producao-de-cacau-para-chocolate-fino-aumenta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/05\/22\/producao-de-cacau-para-chocolate-fino-aumenta-no-brasil\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de cacau para chocolate fino aumenta no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-75590\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Cacau.-Foto-CNA-Brasil.jpg\" alt=\"Cacau. Foto CNA Brasil\" width=\"482\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Cacau.-Foto-CNA-Brasil.jpg 720w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Cacau.-Foto-CNA-Brasil-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><\/p>\n<p>(Valor Econ\u00f4mico)-\u00a0 Todos os alimentos t\u00eam hist\u00f3rias e sabores particulares, e, exceto por uma lista restrita de produtos como vinho, cacha\u00e7a e alguns queijos, raramente os consumidores conectam as duas pontas. Essa dist\u00e2ncia existe no mundo do chocolate, mas, no Brasil, uma nova leva de empreendedores quer trocar esse disco e &#8220;reconectar&#8221; a produ\u00e7\u00e3o nacional de cacau com a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de chocolates finos e de qualidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-88888\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/marco-lessa.jpg\" alt=\"marco lessa\" width=\"391\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/marco-lessa.jpg 1280w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/marco-lessa-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/marco-lessa-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/>&#8220;Hoje voc\u00ea n\u00e3o sabe qual a origem do cacau, se \u00e9 brasileiro, baiano, africano. Mas \u00e9 poss\u00edvel ter um chocolate de origem se tiver rastreabilidade, quando voc\u00ea pode identificar de onde vem a am\u00eandoa, e, principalmente, se tiver um percentual elevado de cacau na sua composi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o empres\u00e1rio Marco Lessa.<\/p>\n<p>Fundador da ChOr, que fabrica chocolates com alto teor de cacau produzido na Bahia, Lessa tamb\u00e9m \u00e9 um dos principais expoentes da nova &#8220;cena chocolateira&#8221; brasileira. J\u00e1 organizou festivais com empresas como a sua em Ilh\u00e9us, Bel\u00e9m e, no \u00faltimo m\u00eas, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Olhares mais atentos e bolsos mais cheios j\u00e1 notaram que as prateleiras de lojas em grandes centros urbanos como S\u00e3o Paulo est\u00e3o come\u00e7ando a ser ocupadas por esses chocolates, que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam s\u00f3 mais cacau, mas tamb\u00e9m a identifica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e at\u00e9 do agricultor respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se, como reconhecem os pr\u00f3prios empreendedores, de um mercado de nicho. Mas eles acreditam que essa pode ser a solu\u00e7\u00e3o para uma nova fase de crescimento da cacauicultura no Brasil, que perdeu o posto de maior produtor do mundo na d\u00e9cada de 1990 ante os estragos causados pela vassoura-de-bruxa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Embora n\u00e3o existam dados oficiais sobre esse segmento, Lessa diz que, se dez anos atr\u00e1s n\u00e3o se tinha not\u00edcia de chocolateiros preocupados com a origem do cacau utilizado, atualmente h\u00e1 cerca de 120 empresas no Brasil que produzem o chocolate &#8220;de origem&#8221;, faturando, no total, entre R$ 30 milh\u00f5es e R$ 50 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros est\u00e3o distante das cerca de 250 marcas de chocolate conhecidas como &#8220;bean to bar&#8221; (da am\u00eandoa \u00e0 barra) nos Estados Unidos, compara o empres\u00e1rio. Mas ele acredita que o n\u00famero no Brasil poder\u00e1 dobrar em at\u00e9 dez anos.<\/p>\n<p>&#8220;Vai ter mais cacau fino, mais consumo e mais empreendedores&#8221;, aposta Lessa. Essa certeza considera que as empresas do ramo crescem dois d\u00edgitos por ano, mesmo em anos de crise, enquanto a grande ind\u00fastria avan\u00e7a de 2% a 3% ao ano.<\/p>\n<p>Embora pequeno, esse segmento, que preza pela qualidade, compra cerca de metade do cacau &#8220;fino&#8221; brasileiro, sobre o qual se paga um pr\u00eamio. O volume corresponderia a cerca de 1 milh\u00e3o de toneladas. A produ\u00e7\u00e3o nacional de cacau gira em torno de 180 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Dentre os empreendedores do meio h\u00e1 desde pequenos chocolateiros em busca de um lugar ao sol at\u00e9 agricultores que buscam uma forma de agrega\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Lessa, que iniciou uma produ\u00e7\u00e3o de pequeno porte de chocolate, inaugurou no in\u00edcio deste ano, em Ilh\u00e9us, uma planta de processamento de cacau a partir de um aporte de R$ 3,5 milh\u00f5es realizado com o s\u00f3cio Henrique Almeida. A unidade processar\u00e1 cacau sob demanda para essas novas empresas de chocolate de qualidade da regi\u00e3o. O estabelecimento possui um laborat\u00f3rio para que chocolateiros e produtores testem novas receitas e ser\u00e1 aberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o de turistas.<\/p>\n<p>No Brasil, como a legisla\u00e7\u00e3o exige que todo chocolate tem que ter no m\u00ednimo 25% de cacau &#8211; abaixo da exig\u00eancia de 35% em mercados desenvolvidos -, garantir um teor mais elevado que o da grande ind\u00fastria parece n\u00e3o demandar muito esfor\u00e7o. Mas, segundo Lessa, a maior parte dessas novas empresas j\u00e1 trabalha com teores de ao menos 40%.<\/p>\n<p>Para competir com as ind\u00fastrias tradicionais na compra da mat\u00e9ria-prima, a sa\u00edda \u00e9 pagar mais aos produtores. E o pr\u00eamio tem sido de, no m\u00ednimo, 30% acima dos valores de mercado, diz Lessa. Segundo ele, esses pr\u00eamios chegam a dobrar a renda do produtor, dependendo do tipo e do tratamento da am\u00eandoa.<\/p>\n<p>Tal estrat\u00e9gia \u00e9 central na Dengo, criada em 2017 pelo empres\u00e1rio Guilherme Leal para ser um investimento de impacto social. O neg\u00f3cio paga aos produtores, basicamente de pequeno e m\u00e9dio portes, pr\u00eamios de pelo menos 70%.<\/p>\n<p>Uma boa remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma mais concreta que a empresa encontrou para alcan\u00e7ar seu objetivo de valorizar o trabalhador do campo, diz Estevan Sartorelli, CEO da Dengo. Mas a empresa tamb\u00e9m envia t\u00e9cnicos para dar assist\u00eancia e incentivar a produ\u00e7\u00e3o de um cacau fino.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do executivo, a maioria dos consumidores ainda n\u00e3o tem interesse em saber qual \u00e9 a origem do cacau do chocolate que consome, mas j\u00e1 busca um produto com mais qualidade. &#8220;Em meio s\u00e9culo, desprestigiamos a qualidade em favor da tecnologia de processamento. Mas a boa comida vem da cozinha, e n\u00e3o do laborat\u00f3rio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da cacauicultura no Par\u00e1, fomentada pelo governo do Estado e pela Comiss\u00e3o Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac), tamb\u00e9m jogou luz sobre o potencial da quantidade e da qualidade do cacau da regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>Ao descobrir que a am\u00eandoa \u00e9 origin\u00e1ria da Amaz\u00f4nia e que 60% do cacau fino do mundo vem do Equador, a chocolateira Luiza Abram pegou um avi\u00e3o e descobriu, no Acre, uma cooperativa que viria a ser sua primeira fornecedora.<\/p>\n<p>Aos poucos, Luiza realizou incurs\u00f5es na Amaz\u00f4nia em busca de comunidades que j\u00e1 plantavam cacau e convencendo outras a apostar na cultura de forma profissional. &#8220;Alguns [produtores] at\u00e9 j\u00e1 exportavam para a Alemanha, mas em outros casos o cacau ficava para os macacos e papagaios&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Luiza ensinou a muitos produtores as melhores pr\u00e1ticas de cultivo e tratamento p\u00f3s-colheita das am\u00eandoas para garantir uma mat\u00e9ria-prima de boa qualidade. Para muitos deles, ela adianta parte ou at\u00e9 todo o pagamento como forma de garantir o capital de giro.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o, segundo ela, \u00e9 acertado conforme o tratamento dado \u00e0 am\u00eandoa. &#8220;Quando ele beneficia [o cacau], como com fermenta\u00e7\u00e3o e secagem, o pre\u00e7o passa de R$ 5 a R$ 8 o quilo para R$ 25 a R$ 30&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2014, quando iniciou o neg\u00f3cio, Luiza comprou 20 quilos de cacau. No ano passado, j\u00e1 com f\u00e1brica de chocolate pr\u00f3pria, a empres\u00e1ria adquiriu 3,5 toneladas e, neste ano, o plano \u00e9 alcan\u00e7ar 10 toneladas.<\/p>\n<p>Parte do segredo de seu crescimento reside na liga\u00e7\u00e3o que ela estabelece entre produtores e consumidores. &#8220;Cada vez eu tento acrescentar mais informa\u00e7\u00e3o na embalagem sobre de onde vem [o cacau], a hist\u00f3ria da comunidade ou da cooperativa, e a nota dos sabores&#8221;, conta. Luiza j\u00e1 emplacou sua marca de chocolate, que leva seu nome, nos principais emp\u00f3rios das grandes capitais e sua \u00faltima conquista foi acertar fornecimento para a rede P\u00e3o de A\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Valor Econ\u00f4mico)-\u00a0 Todos os alimentos t\u00eam hist\u00f3rias e sabores particulares, e, exceto por uma lista restrita de produtos como vinho, cacha\u00e7a e alguns queijos, raramente os consumidores conectam as duas pontas. 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