{"id":89807,"date":"2019-05-11T07:30:00","date_gmt":"2019-05-11T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=89807"},"modified":"2019-05-10T08:48:15","modified_gmt":"2019-05-10T11:48:15","slug":"pelas-maos-da-literatura-o-ficcional-e-o-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/05\/11\/pelas-maos-da-literatura-o-ficcional-e-o-real\/","title":{"rendered":"Pelas m\u00e3os da literatura \u2013 o ficcional e o real"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Efson Lima<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-87051\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/efson-300x227.jpg\" alt=\"efson\" width=\"215\" height=\"163\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/efson-300x227.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/efson.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/>\u00c9 pelas m\u00e3os da literatura que transformamos a realidade em fic\u00e7\u00e3o ou possibilitamos a fic\u00e7\u00e3o adentrar em nosso universo e, assim sendo, cuidamos de mescl\u00e1-la para o real, configurando o imagin\u00e1rio em \u201cverdade\u201d at\u00e9 onde for poss\u00edvel.\u00a0 Os mitos povoam nossas cabe\u00e7as, assim como os cabelos, neste caso at\u00e9 quando a calv\u00edcie chega e come\u00e7a a cair cabelo a cabelo, assim tamb\u00e9m acontecem com os mitos, vamos crescendo e eles v\u00e3o desaparecendo. No passado, os mitos insistiam em permanecer conosco. Eram nossas formas primeiras de conceber a literatura. \u00a0Agora, desaparecem logo com o avan\u00e7ar da idade. O cotidiano cuidou de ceifar o imagin\u00e1rio, impondo \u00e0 dura realidade, vamos matando a fic\u00e7\u00e3o ou corremos \u00e0 fic\u00e7\u00e3o para nos refugiar. Acho que estou seguindo essa \u00faltima assertiva.<\/p>\n<p>Os mitos parecem que perderam densidade. Refiro-me aos mitos de cunho liter\u00e1rio. Quanto aos mitos que est\u00e3o em voga no Brasil, a estes prefiro dispensar coment\u00e1rio. N\u00e3o estou \u00e0 altura. Gosto mesmo \u00e9 das cr\u00f4nicas que s\u00e3o publicadas no Blog do Thame, especialmente, as do Bar\u00e3o de Pau \u2013d` Alho, uma obra prima, que \u00a0nos faz sair do lugar e refletir sobre onde chegamos. Pessoas assim nos elevam, orientam-nos. \u00c9 b\u00fassola para nos guiar. Dois sulbaianos, que se conheceram na posse de Marcus Vinicius Rodrigues na Academia de Letras da Bahia. Eu que h\u00e1 anos j\u00e1 era leitor dele, cronista de melhor qualidade na regi\u00e3o, fiquei surpreso pela simplicidade humana e pela generosidade, fui conduzido pelo professor e imortal Aleilton Fonseca, membro das Casas de Fragoso e de Abel. Neste mesmo dia, conhecia tamb\u00e9m Andr\u00e9 Rosa, presidente da Academia de Letras de Ilh\u00e9us, que t\u00e3o bem sintetizou sobre a na\u00e7\u00e3o grapi\u00fana em \u201cMem\u00f3ria e Literatura: a inven\u00e7\u00e3o dos grapi\u00fanas\u201d no artigo publicado em Especiaria &#8211; Cadernos de Ci\u00eancias Humanas. A literatura aproxima seus filhos. Tem a capacidade de abrir caminhos, superar dist\u00e2ncias e inventar sentido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89808\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/efson-184x300.jpg\" alt=\"efson\" width=\"184\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/efson-184x300.jpg 184w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/efson.jpg 471w\" sizes=\"(max-width: 184px) 100vw, 184px\" \/>N\u00e3o sei exatamente quando os mitos deixaram de povoar minha cabe\u00e7a. Informo que ainda n\u00e3o estou careca, por enquanto, a calv\u00edcie n\u00e3o me atingiu. Espero que ela continue distante.\u00a0 Assim, n\u00e3o perco tempo com ela e sobra tempo para tratar de quest\u00f5es do mundo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pergunto-me at\u00e9 hoje qual \u00e9 a finalidade da literatura? \u00a0Respondo vagamente que a literatura permite refrigerar a alma, contar est\u00f3rias e hist\u00f3rias. Possibilita registrar fatos, acontecimentos. \u00c9 meio de juntar textos e criar relatos&#8230; Literatura \u00e9 meio de contar o mundo de coisas, fatos, animais, pessoas, de inventar o invent\u00e1vel. \u00c9 instrumento de cria\u00e7\u00e3o e de inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 terapia de oferecer sentido ao que parece n\u00e3o ter sentido. \u00c9 assim que posso dizer que se a inf\u00e2ncia foi cruel comigo, pois, passei quase toda ela sem saber ler, foi na adolesc\u00eancia que a leitura me fez surgir como sujeito e a palavra jarra foi a minha liberta\u00e7\u00e3o.\u00a0 Eis que lia minha primeira palavra. Ufa! Foi tarde. Agora n\u00e3o s\u00f3 lia o mundo com os olhos, a leitura possibilitava melhorar a leitura do mundo. Foi nas terras de Entroncamento de Itap\u00e9 que me fiz menino e aos 11 anos partia como se partem tantas fam\u00edlias \u00e0 procura de viver bem. Isto \u00e9 verdade? Pode ser, pode ser n\u00e3o. A literatura tem essa capacidade de transformar o imaginado em fato e o fato em imagina\u00e7\u00e3o. Emancipa-nos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A literatura possui a aptid\u00e3o de transformar as est\u00f3rias em representa\u00e7\u00f5es. Os fatos em acontecimentos \u2013 presentes. Foi pelo teatro de Pawlo Cidade, que assisti ao primeiro espet\u00e1culo no Teatro Municipal de Ilh\u00e9us, n\u00e3o me lembro o nome, mas lembro-me do sert\u00e3o, da caatinga e de lampi\u00e3o, da est\u00e9tica do espet\u00e1culo como um todo. Isto foi nos idos de 2002\/2003.\u00a0 Portanto, a literatura nos coloca diante desse cen\u00e1rio, pode misturar est\u00f3rias com Hist\u00f3ria.\u00a0 Assim fez Pawlo Cidade, conduziu-me para esse novo lugar.\u00a0 \u00c9 nesse processo que vislumbro perfeitamente a literatura amadiana, os jornais impressos j\u00e1 tinham me conquistado, agora, faltava \u00e0 literatura. Enveredei-me primeiro com Capit\u00e3es da Areia e sucessivamente at\u00e9 perder a contagem. \u00c9 Pawlo Cidade que me fez retomar a leitura dos escritores regionais. Vi postagem sobre o Santo de M\u00e1rmore e adquiri o livro. Ao fazer a leitura do livro, fiquei impressionado pelo volume informacional ao tempo que me questionava se eu estava diante de fato &#8211; verdade ou fato &#8211; ficcional.<\/p>\n<p>Cada cap\u00edtulo me aproximava da obra, pois, entre os anos 2002\/2004, vivenciei o movimento estudantil em Ilh\u00e9us e a obra de Pawlo possibilita uma intertextualidade entre o vivido por mim (menor import\u00e2ncia) e o que \u00e9 retratado no livro, ao narrar que o in\u00edcio do movimento estudantil em Ilh\u00e9us no final dos anos oitenta, embalado pelo fim do regime militar e pela crise econ\u00f4mica que afetou dezenas de munic\u00edpios baianos, especialmente, os da zona do cacau. Era, segundo o autor, a primeira vez na hist\u00f3ria da cidade, que estudantes entravam em \u201cgreve\u201d. Quais s\u00e3o fato &#8211; verdade e fato- ficcional s\u00f3 ele para nos contar reservadamente. Portanto, foi \u00e0 dramaturgia de Pawlo Cidade que me apresentou uma nova est\u00e9tica, assim como a sua literatura romanesca me aproximou da literatura dos escritores regionais. Assim, n\u00e3o s\u00f3 temos um escritor, temos tamb\u00e9m um diretor teatral, um ator, sem falar no gestor cultural. \u00c9 positivo quando conseguimos fotografar pessoas que conseguem fazer com maestria ao que se prop\u00f5e.<\/p>\n<p>A literatura possui a capacidade de imortalizar obras. As palavras edificam e quando lan\u00e7adas ao vento florescem diuturnamente. Imortaliza tamb\u00e9m as pessoas, ao falar da plena imortalidade, lembramos da passagem de dois grandes construtores que se despediram no ano do sexagen\u00e1rio anivers\u00e1rio da Academia de Letras de Ilh\u00e9us, sendo: o Ministro Jos\u00e9 C\u00e2ndido, um dos fundadores do silogeu e tamb\u00e9m da Faculdade de Direito de Ilh\u00e9us, que mais tarde seria FESPI e, posteriormente, UESC; perdemos tamb\u00e9m Jo\u00e3o Hygino, imortal da cadeira 01, advogado, jornalista e escritor.<\/p>\n<p>Nesta semana, em virtude da Semana de Altos Estudos Jur\u00eddicos da Faculdade de Direito da UFBA, visitei o memorial da institui\u00e7\u00e3o, fui agendar visitas e conversas para tratar dos imortais da ALI, que estudaram na Faculdade de Direito, perguntava por Milton Santos, Cyro de Mattos, nosso grande poeta, da regi\u00e3o para o mundo. Um poeta comprometido com o meio ambiente, recordo os Vinte Poemas do Rio, que transborda mem\u00f3ria, precisarei ir em dire\u00e7\u00e3o a outras unidades da universidade-m\u00e3e, terei tamb\u00e9m que verificar o acervo da UESC, buscando identificar como a Academia de Letras de Ilh\u00e9us foi embri\u00e3o do nascimento intelectual da Na\u00e7\u00e3o Grapi\u00fana. Seria a busca do elo intelectual do sul da Bahia? Vamos conhecendo esses fatos no Blog do Thame.\u00a0 E nele que vou buscar cobrir as rela\u00e7\u00f5es Salvador \u2013 Sul da Bahia \u2013 Ilh\u00e9us \u2013 Itabuna e Itap\u00e9.<\/p>\n<p>Efson Lima\u00a0 &#8211; coordenador-geral da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, Pesquisa e Extens\u00e3o da Faculdade 2 de Julho, coordena o Laborat\u00f3rio de Empreendedorismo, Criatividade e Inova\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser doutorando, mestre e bacharel em Direito pela UFBA. Organizador de seis livros no Projeto Conviver\/UFBA e autor do livro \u201cTextos Particulares\u201d, no prelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Efson Lima \u00c9 pelas m\u00e3os da literatura que transformamos a realidade em fic\u00e7\u00e3o ou possibilitamos a fic\u00e7\u00e3o adentrar em nosso universo e, assim sendo, cuidamos de mescl\u00e1-la para o real, configurando o imagin\u00e1rio em \u201cverdade\u201d at\u00e9 onde for poss\u00edvel.\u00a0 Os mitos povoam nossas cabe\u00e7as, assim como os cabelos, neste caso at\u00e9 quando a calv\u00edcie chega [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[23720,185,10028],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89807"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89807"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89809,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89807\/revisions\/89809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}