{"id":88479,"date":"2019-04-02T10:00:37","date_gmt":"2019-04-02T13:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=88479"},"modified":"2019-04-02T14:05:55","modified_gmt":"2019-04-02T17:05:55","slug":"e-bom-ja-ir-se-acostumando-breve-noticia-sobre-o-golpe-no-brasil-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/04\/02\/e-bom-ja-ir-se-acostumando-breve-noticia-sobre-o-golpe-no-brasil-12\/","title":{"rendered":"\u00c9 bom j\u00e1 ir se acostumando: Breve not\u00edcia sobre o golpe no Brasil (1\/2)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-88481\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes.jpg\" alt=\"A0 P\u00c9 DA GOIABEIRA lopes\" width=\"451\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes-300x145.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/p>\n<p>Em n\u00e3o sendo este Bar\u00e3o qualificado para a pr\u00e1tica de profundos exerc\u00edcios de sociologia e hist\u00f3ria, nada o impede, por\u00e9m, de externar suas impress\u00f5es da viuda nacional, anotadas ao longo do tempo. E tal reflex\u00e3o leva ao \u00f3bvio: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de extraordin\u00e1ria voca\u00e7\u00e3o para o golpe (tomado aqui o termo \u201cgolpe\u201d como atitude de for\u00e7a, ilegal, \u00e0 margem da Constitui\u00e7\u00e3o). Dito assim, \u00e9 poss\u00edvel catalogar, da Independ\u00eancia (1822) at\u00e9 hoje, nada menos do que dez atentados contra a legalidade democr\u00e1tica, contados apenas os efetivados, n\u00e3o as tentativa frustradas \u2013 e enquanto n\u00e3o se configura o pr\u00f3ximo, que j\u00e1 mostra seus inquietantes sintomas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-88480\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/golpe.1.png\" alt=\"golpe.1\" width=\"300\" height=\"160\" \/>O quadro que est\u00e1 ainda na retina desta gera\u00e7\u00e3o \u00e9 o produzido em 1964, uma farsa chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d, que custou ao Pa\u00eds 21 anos de trevas, de corrup\u00e7\u00e3o, tortura, persegui\u00e7\u00e3o e assassinato de opositores. O roteiro foi, mais ou menos, este: os militares derrubaram o presidente constitucional, Jo\u00e3o Goulart, o Congresso empossou Castelo Branco (1964-1967); Castelo Branco empossou Costa e Silva (1967-1969); Costa e Silva deu posse a Garrastazu M\u00e9dici (1969-1974); M\u00e9dici deu posse a Ernesto Geisel (1974-1979); Geisel deu posse a Jo\u00e3o Figueiredo (1979-1985), todos sem voto popular, que tinham tomado o poder pela baioneta.<\/p>\n<p>Em seguida a Figueiredo, Jos\u00e9 Sarney, que tamb\u00e9m n\u00e3o foi eleito presidente, recebe o governo. Na vis\u00e3o de alguns constitucionalistas, com a morte de Tancredo Neves, presidente eleito, masm n\u00e3o empossado, o caminho legal era realizar outra elei\u00e7\u00e3o. O \u201csistema\u201d escolheu empossar Sarney, sem mais discuss\u00e3oconversa. Desse \u00e2ngulo, nossa lista de dez golpes passaria a onze; n\u00e3o esquecer que, com a morte de Costa e Silva, dever\u00edamos ter, por qualquer grau de razoabilidade, a posse de Jos\u00e9 Maria Alkmin, o v vice civil na chapa verde-oliva. Os militares decidiram empossar Costa e Silva, que, at\u00e9 ent\u00e3o, nada tinha a ver com o processo sucess\u00f3rio \u2013 e vamos chegamos, rapidamente, apara uma d\u00fazia de golpes.<\/p>\n<p>Deixando esses dois casos, dos quais n\u00e3o encontro muitas refer\u00eancias na m\u00eddia, vamos relembrar aos dez mais citados, pela ordem de ocorr\u00eancia:<\/p>\n<p>1823 \u2013 Um ano ap\u00f3s a Independ\u00eancia, D. Pedro I inaugura nossa s\u00e9rie de atentados \u00e0 lei: ordena o cerco policial da Assembleia Constituinte e, dissolve o parlamento. Os opositores foram presos e, em seguida, exilados. O epis\u00f3dio passou \u00e0 posteridade como \u201cNoite da agonia\u201d<\/p>\n<p>1840 \u2013 O segundo golpe, de novo, envolve o Imperador. Com a abdica\u00e7\u00e3o de D. Pedro I, seu filho \u201cSegundinho\u201d, uma crian\u00e7a de seis anos, herda o trono do Brasil. Puxa daqui, estica de l\u00e1, nove\u00a0 anos depois, ele \u00e9 coroado, ilegalmente, por ser menor de idade. A Constitui\u00e7\u00e3o, como hoje, fixava a maioridade em 18 nos, e o herdeiro tinha s\u00f3 15. \u201cE da\u00ed?\u201d \u2013 disseram, como sempre dizem, os golpistas.<\/p>\n<p>1889 \u2013 \u201cProclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u201d, \u00e9 o nome pomposo que a hist\u00f3ria d\u00e1 ao golpe militar que p\u00f4s abaixo a \u00a0Monarquia. O principal articulador do golpe foi o tenente-coronel Benjamim Constant. O marechal Deodoro da Fonseca assume o poder executivo da Primeira Rep\u00fablica<\/p>\n<p>1891 \u2013 Com a nova Constitui\u00e7\u00e3o, Deodoro, \u201cher\u00f3i\u201d da Rep\u00fablica, \u00e9 eleito presidente, pelo Congresso, tendo como vice outro marechal, Floriano Peixoto. Mas o respeito com a lei durou muito pouco: em seu primeiro ato como presidente eleito, Deodoro assinou um decreto, dissolvendou o Congresso, por decreto. Em seguida, com outro decreto, estabeleceu o estado de s\u00edtio, adquirindo o direito de jogar a pol\u00edcia em cima de quem a ele se opusesse.<\/p>\n<p>1891 \u2013 Com menos de um m\u00eas dos decretos, a Marinha d\u00e1 um ultimato ao presidente: ou renuncia ou o pal\u00e1cio do go verno ser\u00e1 bombardeado, com presidente, cidade do Rio de Janeiro e tudo. Deodoro entrega o cargo, pega o quepe e svai de cena embora. O evento \u00e9 conhecido como \u00a0\u201cPrimeira Revolta da Armada\u201d.<\/p>\n<p>1891 \u2013 Floriano Peixoto assume, com a Constitui\u00e7\u00e3o mandando convocar nova elei\u00e7\u00e3o presidencial. O marechal alega que tal exig\u00eancia constitucional\u00a0 s\u00f3 valeria se Deodoro tivesse sido eleito diretamente, n\u00e3o pelo Congresso. Envolvido neste argumento, o Marechal de Ferro aboleta-se na Presid\u00eancia. Floriano ainda teve contra si a \u201cSegunda Revolta da Armada\u201d, quando usou m\u00e3o pesada, justificando o t\u00edtulo de Marechal de Ferro.<\/p>\n<p>1930 \u2013 As elei\u00e7\u00f5es daquele ano foram, como de h\u00e1bito, fraudadas, para que sa\u00edsse vencedor o candidato da situa\u00e7\u00e3o, J\u00falio Prestes.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, desta vez, a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceitou o resultado e partiu para o enfrentamento f\u00edsico, com o apoio de \u00a0setores \u00a0das pol\u00edcias de Minas, Rio Grande do Sul e Para\u00edba, bem como algumas \u00e1reas do ex\u00e9rcito. Uma junta militar formada\u00a0 por dois generais e um almirante decidiu depor o presidente da Rep\u00fablica e passar o governo ao chefe do movimento revoltoso, o candidato derrotado Get\u00falio Vargas, da Alian\u00e7a Liberal. Ca\u00eda, sem maior pompa, a Primeira Rep\u00fablica, com apenas \u00a041 anos de idade.<\/p>\n<p>Voltaremos ao assunto, se n\u00e3o houver um golpe at\u00e9 a pr\u00f3xima sexta-feira.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>PERFIL DO BAR\u00c3O<\/p>\n<p>1111Todos mostram seu perfil, tamb\u00e9m vou mostrar o meu. Chamo-me Marcos Apar\u00edcio Lins Machado de Guimar\u00e3es Rosa, e, logo se percebe, n\u00e3o sou propriamente uma pessoa, mas uma homenagem: cada um desses nomes tem um significado para mim, mas n\u00e3o vou tirar de ningu\u00e9m \u2013 se n\u00e3o o prazer, ao menos o exerc\u00edcio de identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Atendo tamb\u00e9m por Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho (e isto tem a ver com o cheiro de minha terra \u2013 a\u00ed uma pista para pesquisadores ociosos). Sou um jornalista modesto, se \u00e9 que isto existe, pois escolhi esse t\u00edtulo honor\u00edfico de menor impacto, quando bem me poderia autoproclamar Marqu\u00eas da Cocada Preta, Conde de Macuco ou Duque Sei-L\u00e1-do-Qu\u00ea.\u00a0 A prop\u00f3sito, os t\u00edtulos de nobreza (tiremos da\u00ed os reis e pr\u00edncipes, gente de outra classe) s\u00e3o, em ordem decrescente de import\u00e2ncia, duque, marqu\u00eas, conde, visconde e bar\u00e3o, caso n\u00e3o me engana e a hist\u00f3ria \u2013 e ao dizer isto j\u00e1 denuncio este como um espa\u00e7o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Apesar do velho ad\u00e1gio \u201cnobreza obriga\u201d, n\u00e3o sou muito de frequentar as ditas rodas sociais, muitas vezes parecidas com rodas da malandragem: vivo um tanto isolado do lufa-lufa da cidade, envolvido com meus livros, um tabuleiro de xadrez e uns discos de jazz e MPB. Quando acometido da fadiga do t\u00e9dio, ou se quero sofrer um pouco, ligo a tev\u00ea, assisto a um notici\u00e1rio, registro um monte de agress\u00f5es \u00e0 l\u00edngua portuguesa, me canso e retorno \u00e0\u00a0 rotina. Novela, n\u00e3o vejo nunca, pois meu masoquismo ainda n\u00e3o chegou a tais extremos. Nada de telefone nem zap-zap, n\u00e3o sei bem o que \u00e9 rede social, para\u00a0 mim rede \u00e9 aquela coisa que os pobres do Nordeste usam em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 cama, e que os ricos t\u00eam nas casas de praia.<\/p>\n<p>Procuramos fazer aqui, semanalmente, uma coluna, erguida com\u00a0 as coisas que nos derem na telha, deixando a eventuais leitores espa\u00e7o para os devidos xingamentos, pois vivemos, formalmente, em regime democr\u00e1tico. Diga-se ainda que, por se tratar de um espa\u00e7o politico-ecol\u00f3gico, escolhi para musa da coluna aquela mo\u00e7a chegada a encontros religiosos em altos de goiabeiras \u2013 e de cujo nome, gra\u00e7as a Deus, j\u00e1 esqueci.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em n\u00e3o sendo este Bar\u00e3o qualificado para a pr\u00e1tica de profundos exerc\u00edcios de sociologia e hist\u00f3ria, nada o impede, por\u00e9m, de externar suas impress\u00f5es da viuda nacional, anotadas ao longo do tempo. 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