{"id":88236,"date":"2019-03-26T10:15:27","date_gmt":"2019-03-26T13:15:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=88236"},"modified":"2019-03-26T11:42:04","modified_gmt":"2019-03-26T14:42:04","slug":"a-republica-das-aflicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/03\/26\/a-republica-das-aflicoes\/","title":{"rendered":"A Rep\u00fablica das afli\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-88238\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5.jpg\" alt=\"A0 P\u00c9 DA GOIABEIRA lopes\" width=\"448\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5-300x145.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/p>\n<p>Fiquemos no exerc\u00edcio da fic\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a realidade nos aflige. Como o governo do Capit\u00e3o reformado, ao que tudo indica, j\u00e1 terminou (esp\u00e9cie de realismo fant\u00e1stico, pois tem fim sem ter come\u00e7o!), fa\u00e7amos com ele n\u00e3o um necrol\u00f3gio decente, que ele n\u00e3o merece, mas aquilo que a velha m\u00eddia pouco imaginativa faz a cada final de ano: uma retrospectiva. Vamos a alguns epis\u00f3dios, sem gradu\u00e1-los em import\u00e2ncia ou data, todos comprometedores da dec\u00eancia nacional:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-88237\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Rep\u00fablica.jpg\" alt=\"Rep\u00fablica\" width=\"300\" height=\"160\" \/>Durante a campanha, o ent\u00e3o juiz S\u00e9rgio Moro, elevado pela classe m\u00e9dia conservadora a guardi\u00e3o da lei e da ordem no Brasil, al\u00e9m de paladino da moral e dos bons costumes pol\u00edticos nacionais, interrompeu as f\u00e9rias e voltou ao tribunal, para julgar um recurso de Lula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, os rob\u00f4s a servi\u00e7o do Capit\u00e3o reformado destampam as redes sociais e de l\u00e1 emerge uma lama fervente e malcheirosa que se espalha pelo Pa\u00eds, tendo como mote o kit gay e a mamadeira er\u00f3tica que o PT reservara para as crian\u00e7as em idade escolar. O eleitores passam a conviver com mais um anglicismo: fake News, a mentira com nome sofisticado, base\u00a0 do discurso de \u00f3dio que se espraiou pelas terras de Cabral (o Pedro, n\u00e3o o S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o, marcada para 7 de outubro, foi decidida um m\u00eas antes, no dia 6 de setembro, com uma facada mal aplicada (e mal explicada) no candidato dos evang\u00e9licos fundamentalistas, militares, milicianos e \u201cbaleiros\u201d. Um doido chamado Ad\u00e9lio Bispo de Oliveira entrou na hist\u00f3ria como o mais influente eleitor de todos os tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apurados os votos, o Capit\u00e3o reformado reuniu um grupo de seguidores, \u00e0 frente os pastores Malafaia e Malta, promovendo um ato religioso t\u00edpico de pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, como se o Capit\u00e3o reformado fosse o aiatol\u00e1 \u00a0Khomeini\u00a0 e n\u00e3o fosse o Brasil um Estado Laico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dias antes da posse, o eleito das elites brasileiras bateu um recorde negativo, dentre muitos que se seguiriam: criou uma crise, antes de receber a faixa \u2013 ao falar um amontoado de bobagens sobre Cuba. Resultado? Os m\u00e9dicos cubanos deixaram o Brasil e, at\u00e9 hoje, algumas comunidades (a exemplo de Melga\u00e7o\/PA \u2013 o mais baixo IDH do Pa\u00eds) est\u00e3o sem a minimamente adequada assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 10 de outubro, o Capit\u00e3o reformado visitou os EUA e prestou contin\u00eancia \u00e0 bandeira do pa\u00eds, num ato de expl\u00edcita subservi\u00eancia. Em 29 de novembro, presta contin\u00eancia a John Bolton um assessor do governo dos Estados Unidos, o que fez viralizar na interrnet o coment\u00e1rio maldoso de que o presidente do Brasil era capaz de prestar contin\u00eancia at\u00e9 \u00e0 logomarca das Lojas Americanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele outubro (dia 21), o filho-deputado federal, numa prega\u00e7\u00e3o de golpe ao estilo dessa gente, amea\u00e7ou fechar o STF: \u201cN\u00e3o manda nem um jeep. Manda um soldado e um cabo, n\u00e3o desmerecendo o soldado e o cabo&#8230;!\u201d \u2013 disse o filho do Capit\u00e3o. O STF, normalmente muito sens\u00edvel, absorveu o insulto, em ensurdecedor sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda em outubro, o filho-senador, dito \u201cchanceler informal\u201d do Brasil, passou a usar um bon\u00e9 da campanha \u201cTrump 2020\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, o homem toma posse, com seu filho-vereador rompendo o protocolo, refastelado no carro presidencial, numa antecipa\u00e7\u00e3o do que ele e os outros \u201cgarotos\u201d seriam capazes de fazer nos tempos que viriam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Empossado, ele passa a detalhar seu plano de maldades: nomeia ministra dos direitos humanos uma pastora que, logo em seguida, se fez famosa por uma estranha conversa com Jesus Cristo, no alto de uma goiabeira; o Capit\u00e3o reformado anuncia que o agro neg\u00f3cio iria administrar as terras dos \u00edndios, mas, pressionado, desiste da maluquice.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seguida, Murilo Rezende, diretor do Inep (respons\u00e1vel pelo Enem), declarou-se favor\u00e1vel a uma \u201cqueima l\u00fadica\u201d dos livros de Rodrigo Constantino (um blogueiro de direita) e Vasques da Cunha (escritor, autor de A Poeira da Gl\u00f3ria\/Record, que sustenta serem os intelectuais brasileiros todos est\u00fapidos, incluindo ele).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 26 de fevereiro, este Bar\u00e3o foi aclamado (\u00e0 boca pequena, \u00e9 verdade) presidente do Brasil, tendo como plataforma de governo \u201cacabar com a pouca vergonha que se instalou em Bras\u00edlia\u201d; no mesmo dia, o ator Jos\u00e9 de Abreu se lan\u00e7ou \u00e0 Presid\u00eancia, e o Bar\u00e3o, sacrificando seus interesses no altar da P\u00e1tria \u2013 e com medo de enfrentar o poderio da Globo, renunciou, contentando-se com o rendoso cargo de ex-presidente autoproclamado do Brasil. Fui presidente por algumas horas, o que, certamente me d\u00e1 direito a aposentadoria proporcional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfim, para n\u00e3o gastar vela boa com defunto ruim, n\u00e3o detalhamos todas as trapalhadas do cl\u00e3 presidencial, apenas algumas das mais gritantes (e vergonhosas para a soberania do Pa\u00eds).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficam o patri\u00f3tico leitor e a sens\u00edvel leitora convidados a aumentar a lista dos fatos e pessoas que definem a era do cl\u00e3 Bolsonaro e seguidores, a exemplo do mote carnavalesco\u00a0 \u201cHei, Bolsonaro! VTNC!\u201d, as manifesta\u00e7\u00f5es das escolas de samba,\u00a0 Queiroz diretor-financeiro do laranjal, a deputada Joyce N\u00e3o-Sei-das-Quantas (especialista em fake News e prega\u00e7\u00e3o de golpe), o buzina\u00e7o em comemora\u00e7\u00e3o ao inc\u00eandio numa favela de S\u00e3o Paulo, o regozijo de uma menina pelo assassinato de Marielle \u00a0Franco, as homenagens a milicianos, o ataque de bolsonaristas raivosos a Dilma Rousseff no aeroporto de Madri, Jana\u00edna Paschoal (a desmiolada Musa do Golpe de 2016), o dep\u00f3sito banc\u00e1rio na conta da primeira-dama, elogios a Pinochet pelo \u201cbanho de sangue\u201d que deu no Chile, ordem para comemorar o anivers\u00e1rio do golpe militar de 1964, plano de \u00a0invadir a \u201cnossa\u201d Venezuela, na\u00e7\u00e3o sob o olhar de russos e estadunidenses \u2013 o que far\u00e1 do Brasil o marisco na luta dos rochedos, e n\u00e3o deixem de incluir o golden shower, popularizado pelo Capit\u00e3o reformado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se voc\u00ea discorda de que este governo j\u00e1 acabou e n\u00e3o deixou saudade, ou morreu e esqueceu de cair, queixe-se ao editor Daniel Thame.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>bddepd@gmail.com\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PERFIL DO BAR\u00c3O<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todos mostram seu perfil, tamb\u00e9m vou mostrar o meu. Chamo-me Marcos Apar\u00edcio Lins Machado de Guimar\u00e3es Rosa, e, logo se percebe, n\u00e3o sou propriamente uma pessoa, mas uma homenagem: cada um desses nomes tem um significado para mim, mas n\u00e3o vou tirar de ningu\u00e9m \u2013 se n\u00e3o o prazer, ao menos o exerc\u00edcio de identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Atendo tamb\u00e9m por Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho (e isto tem a ver com o cheiro de minha terra \u2013 a\u00ed uma pista para pesquisadores ociosos). Sou um jornalista modesto, se \u00e9 que isto existe, pois escolhi esse t\u00edtulo honor\u00edfico de menor impacto, quando bem me poderia autoproclamar Marqu\u00eas da Cocada Preta, Conde de Macuco ou Duque Sei-L\u00e1-do-Qu\u00ea.\u00a0 A prop\u00f3sito, os t\u00edtulos de nobreza (tiremos da\u00ed os reis e pr\u00edncipes, gente de outra classe) s\u00e3o, em ordem decrescente de import\u00e2ncia, duque, marqu\u00eas, conde, visconde e bar\u00e3o, caso n\u00e3o me engana e a hist\u00f3ria \u2013 e ao dizer isto j\u00e1 denuncio este como um espa\u00e7o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Apesar do velho ad\u00e1gio \u201cnobreza obriga\u201d, n\u00e3o sou muito de frequentar as ditas rodas sociais, muitas vezes parecidas com rodas da malandragem: vivo um tanto isolado do lufa-lufa da cidade, envolvido com meus livros, um tabuleiro de xadrez e uns discos de jazz e MPB. Quando acometido da fadiga do t\u00e9dio, ou se quero sofrer um pouco, ligo a tev\u00ea, assisto a um notici\u00e1rio, registro um monte de agress\u00f5es \u00e0 l\u00edngua portuguesa, me canso e retorno \u00e0\u00a0 rotina. Novela, n\u00e3o vejo nunca, pois meu masoquismo ainda n\u00e3o chegou a tais extremos. Nada de telefone nem zap-zap, n\u00e3o sei bem o que \u00e9 rede social, para\u00a0 mim rede \u00e9 aquela coisa que os pobres do Nordeste usam em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 cama, e que os ricos t\u00eam nas casas de praia.<\/p>\n<p>Procuramos fazer aqui, semanalmente, uma coluna, erguida com\u00a0 as coisas que nos derem na telha, deixando a eventuais leitores espa\u00e7o para os devidos xingamentos, pois vivemos, formalmente, em regime democr\u00e1tico. Diga-se ainda que, por se tratar de um espa\u00e7o politico-ecol\u00f3gico, escolhi para musa da coluna aquela mo\u00e7a chegada a encontros religiosos em altos de goiabeiras \u2013 e de cujo nome, gra\u00e7as a Deus, j\u00e1 esqueci.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiquemos no exerc\u00edcio da fic\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a realidade nos aflige. 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