{"id":87175,"date":"2019-02-22T16:07:06","date_gmt":"2019-02-22T19:07:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=87175"},"modified":"2019-02-22T15:14:38","modified_gmt":"2019-02-22T18:14:38","slug":"marighella-tiradentes-e-a-apropriacao-indebita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/02\/22\/marighella-tiradentes-e-a-apropriacao-indebita\/","title":{"rendered":"Marighella, Tiradentes e a apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-87177\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5.jpg\" alt=\"A0 P\u00c9 DA GOIABEIRA lopes\" width=\"409\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes5-300x145.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><\/p>\n<p><em>bddepd@gmail.com Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_87176\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-87176\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87176\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Imagem-Tiradentes.jpg\" alt=\"Escultura de bronze, de D\u00e9cio Vilares, pertencente ao Museu Mariano Proc\u00f3pio, de Juiz de Fora \" width=\"250\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Imagem-Tiradentes.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Imagem-Tiradentes-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Imagem-Tiradentes-768x1024.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><p id=\"caption-attachment-87176\" class=\"wp-caption-text\">Escultura de bronze, de D\u00e9cio Vilares, pertencente ao Museu Mariano Proc\u00f3pio, de Juiz de Fora<\/p><\/div>\n<p>Dentre os ditos her\u00f3is brasileiros, o que mais me fascina \u00e9 o mineiro Tiradentes . N\u00e3o o Tiradentes de quem a elite se apropriou, depois de repagin\u00e1-lo como \u00a0Jesus Cristo (Na foto, escultura de bronze, de D\u00e9cio Vilares, pertencente ao Museu Mariano Proc\u00f3pio, de Juiz de Fora), mas\u00a0 o Tiradentes libert\u00e1rio, compromissado com sua gente e sua P\u00e1tria, o grande m\u00e1rtir sacrificado pela sanha vingativa do colonizador. Joaquim Jos\u00e9 era um revolucion\u00e1rio, com vis\u00e3o de futuro, n\u00e3o um reformador transit\u00f3rio e oportunista. Creio que, dentre as contradi\u00e7\u00f5es que lhe criaram, a mais not\u00f3ria tenha sido faz\u00ea-lo patrono da PM,: Ele era o anti-Sistema, pregou contra o Sistema e pelo Sistema foi destru\u00eddo, de maneira vil e cruel, enquanto pol\u00edcias s\u00e3o o bra\u00e7o armado do agente opressor, e a este d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o. Portanto, \u201cvender\u201d Tiradentes como patrono da defesa das elites \u00e9 agredir a figura heroica desse grande brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c9 Oiliam Jos\u00e9 (da Academia Mineira de Letras), no seu \u00f3timo Tiradentes (Editora Itatiaia), quem nos alerta: \u201cAs palavras t\u00eam, em certa fase de sua exist\u00eancia,\u00a0 for\u00e7a de express\u00e3o ampliada, ocasi\u00e3o em que se carregam de sugest\u00e3o avassaladora e s\u00e3o capazes de conduzir multid\u00f5es \u2013 e at\u00e9 de abalar institui\u00e7\u00f5es, destruir civiliza\u00e7\u00f5es, sepultar culturas que parecem tocadas pelo cond\u00e3o da perenidade.\u201d<\/p>\n<p>O revolucion\u00e1rio de Vila Rica foi conhecido tamb\u00e9m como O Rep\u00fablica e O Liberdade \u2013 apelidos que parecem \u00f3bvios, considerando-se que tais palavras carregavam, no s\u00e9culo XVIII, a tal \u201csugest\u00e3o avassaladora\u201d, na feliz denomina\u00e7\u00e3o do acad\u00eamico Oiliam Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Estes nossos dias, quando os agentes da gest\u00e3o federal se comportam, se n\u00e3o em estado de bab\u00e1rie total,\u00a0 ao menos no mais completo desprezo ao intelectualismo, uma palavra surge na m\u00eddia com \u00a0for\u00e7a avassaladora: Marighella, t\u00edtulo do filme de Wagner Moura.<\/p>\n<p>A partir do furor provocado no Festival de Cinema de Berlim, Wagner Moura, trazendo \u00e0\u00a0 baila o nome de Carlos\u00a0 Marighella, d\u00e1 importante contribui\u00e7\u00e3o ao movimento de resist\u00eancia ao retrocesso que se tenta impor ao Brasil \u2013 o que muitos chamam de fascismo, ainda que haja d\u00favidas sobre se o Capit\u00e3o reformado, absolutamente subletrado, sabe o significa fascismo.<\/p>\n<p>Moura, em sua primeira experi\u00eancia como diretor de cinema, resgata um s\u00edmbolo que estava fazendo falta ao Brasil, num momento em que a resist\u00eancia precisa de inspira\u00e7\u00e3o. E, pelo \u00f3dio que o filme despertou nas hostes da extrema-direita, os rob\u00f4s bolsonarianos destilam \u00f3dio nas redes sociais contra Marighella, Wagner Moura e quem mais n\u00e3o apoie assassinos como Brilhante Ustra e S\u00e9rgio Fleury, her\u00f3is dessa gente malvada.\u00a0 Essa prega\u00e7\u00e3o do \u00f3dio, paradoxalmente, nos d\u00e1 uma certeza: \u00a0t\u00e3o cedo, o revolucion\u00e1rio baiano n\u00e3o ser\u00e1 v\u00edtima\u00a0 da apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita ocorrida com Joaquim Jos\u00e9. Marighella e Tiradentes s\u00e3o patrim\u00f4nio do preto, pardo e pobre povo brasileiro, n\u00e3o dos poderosos brancos, ricos e privilegiados.<\/p>\n<p>(Bddepd)<\/p>\n<p>PERFIL DO BAR\u00c3O<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todos mostram seu perfil, tamb\u00e9m vou mostrar o meu. Chamo-me Marcos Apar\u00edcio Lins Machado de Guimar\u00e3es Rosa, e, logo se percebe, n\u00e3o sou propriamente uma pessoa, mas uma homenagem: cada um desses nomes tem um significado para mim, mas n\u00e3o vou tirar de ningu\u00e9m \u2013 se n\u00e3o o prazer, ao menos o exerc\u00edcio de identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Atendo tamb\u00e9m por Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho (e isto tem a ver com o cheiro de minha terra \u2013 a\u00ed uma pista para pesquisadores ociosos). Sou um jornalista modesto, se \u00e9 que isto existe, pois escolhi esse t\u00edtulo honor\u00edfico de menor impacto, quando bem me poderia autoproclamar Marqu\u00eas da Cocada Preta, Conde de Macuco ou Duque Sei-L\u00e1-do-Qu\u00ea.\u00a0 A prop\u00f3sito, os t\u00edtulos de nobreza (tiremos da\u00ed os reis e pr\u00edncipes, gente de outra classe) s\u00e3o, em ordem decrescente de import\u00e2ncia, duque, marqu\u00eas, conde, visconde e bar\u00e3o, caso n\u00e3o me engana e a hist\u00f3ria \u2013 e ao dizer isto j\u00e1 denuncio este como um espa\u00e7o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Apesar do velho ad\u00e1gio \u201cnobreza obriga\u201d, n\u00e3o sou muito de frequentar as ditas rodas sociais, muitas vezes parecidas com rodas da malandragem: vivo um tanto isolado do lufa-lufa da cidade, envolvido com meus livros, um tabuleiro de xadrez e uns discos de jazz e MPB. Quando acometido da fadiga do t\u00e9dio, ou se quero sofrer um pouco, ligo a tev\u00ea, assisto a um notici\u00e1rio, registro um monte de agress\u00f5es \u00e0 l\u00edngua portuguesa, me canso e retorno \u00e0\u00a0 rotina. Novela, n\u00e3o vejo nunca, pois meu masoquismo ainda n\u00e3o chegou a tais extremos. Nada de telefone nem zap-zap, n\u00e3o sei bem o que \u00e9 rede social, para\u00a0 mim rede \u00e9 aquela coisa que os pobres do Nordeste usam em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 cama, e que os ricos t\u00eam nas casas de praia.<\/p>\n<p>Procuramos fazer aqui, semanalmente, uma coluna, erguida com\u00a0 as coisas que nos derem na telha, deixando a eventuais leitores espa\u00e7o para os devidos xingamentos, pois vivemos, formalmente, em regime democr\u00e1tico. Diga-se ainda que, por se tratar de um espa\u00e7o politico-ecol\u00f3gico, escolhi para musa da coluna aquela mo\u00e7a chegada a encontros religiosos em altos de goiabeiras \u2013 e de cujo nome, gra\u00e7as a Deus, j\u00e1 esqueci.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>bddepd@gmail.com Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho Dentre os ditos her\u00f3is brasileiros, o que mais me fascina \u00e9 o mineiro Tiradentes . 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