{"id":86947,"date":"2019-02-19T09:30:31","date_gmt":"2019-02-19T12:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=86947"},"modified":"2019-02-19T09:31:40","modified_gmt":"2019-02-19T12:31:40","slug":"86947","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2019\/02\/19\/86947\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-86949\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes4.jpg\" alt=\"A0 P\u00c9 DA GOIABEIRA lopes\" width=\"450\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes4.jpg 900w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/A0-P\u00c9-DA-GOIABEIRA-lopes4-300x145.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Chico Pinto e a aurora que sucede a noite escura<\/h2>\n<p><em>Bar\u00e3o de Pau-d\u00b4Alho\u00a0 \/ \u00a0 bddepd@gmail.com<\/em><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-86948\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Chico-Pin-to.png\" alt=\"Chico Pin to\" width=\"155\" height=\"120\" \/>Parece fundamental que se viva o presente com perspectiva de futuro, mas sem esquecer o passado. Dito o que, vamos a Marx (e que o comandante B., com sua equipe de lesos, n\u00e3o me queira arrancar as venerandas barbas por causa desta cita\u00e7\u00e3o: \u201cA hist\u00f3ria se repete, a primeira vez como trag\u00e9dia, a segunda como farsa\u201d. (Marx, Karl: O 18 de Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte\/1852).<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1974, o ditador chileno Pinochet estava no Brasil, para a posse do colega brasileiro Ernesto Geisel. No dia 14 daquele m\u00eas e ano, o deputado Chico Pinto (Feira de Santana\/1930 \u2013 Salvador\/2008),\u00a0na foto, fez, na tribuna da C\u00e2mara, \u00a0o discurso corajoso que nos falta hoje. Um trechinho:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O que nos vem do Chile \u00e9 o fechamento de jornais, \u00e9 a censura desvairada \u00e0 imprensa remanescente. O que nos vem do Chile \u00e9 a opress\u00e3o mais cruel, de que nos d\u00e1 ideia a reportagem e as fotos publicadas pela revista Vis\u00e3o, do campo de concentra\u00e7\u00e3o da Ilha Dawson. O que nos vem do Chile \u00e9 o clamor dos presos: Tr\u00eas mil mortos, segundo Pinochet declarou a Dorrit Harazim, da revista Veja &#8230;<\/p>\n<p>Adiante, Chico Pinto externa\u00a0 \u201cprotesto e repulsa\u201d pela presen\u00e7a indesej\u00e1vel dos v\u00e1rios Pinochets \u201cque o Brasil,infelizmente, est\u00e1 hospedando\u201d. Depois de chamar Pinochet de \u201cassassino, mentiroso e fascista\u201d, Chico firma que \u201cSe aqui houvesse liberdade, o povo manifestaria seu descontentamento e sua ira santa, nas ruas, contra o opressor do povo chileno.\u201d Em seguida, bate o \u00faltimo prego:<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o lhe pare\u00e7a, contudo, que no Brasil est\u00e3o todos silenciosos e felizes com sua presen\u00e7a, falo pelos que n\u00e3o podem falar, clamo e protesto por muitos que gostariam de reclamar e gritar nas ruas contra sua presen\u00e7a em nosso Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foi o suficiente: Em 28 de maio, veio a resposta da ditadura, impondo absoluto sil\u00eancio da m\u00eddia sobre o parlamentar:<\/p>\n<p>De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulga\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, escrito, falado e televisado, de not\u00edcias, coment\u00e1rios, refer\u00eancias, transcri\u00e7\u00e3o e outras mat\u00e9rias relativas ao deputado Francisco Pinto.<\/p>\n<p>Com o mandato cassado, Chico\u00a0 Pinto ficou preso no I Batalh\u00e3o da PM de Bras\u00edlia, s\u00f3 libertado em abril de 1975. Num intervalo fora das grades, ainda em1974, repetiu as cr\u00edticas ao governo na R\u00e1dio Cultura de Feira de Santana, em entrevista ao festejado jornalista Luc\u00edlio Bastos), sendo outra vez processado (a ditadura, incontinenti, cassou a concess\u00e3o da\u00a0 emissora). Dois anos depois, Chico seria absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, por unanimidade.<\/p>\n<p>O caso Chico Pinto-Pinochet est\u00e1 (muito bem) contado no livro A censura pol\u00edtica na imprensa brasileira, do jornalista Paolo Marconi.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Restou dizer que, antes da abolvi\u00e7\u00e3o un\u00e2nime no\u00a0 STF (era outro, o STF!), Chico Pinto entrou numa rela\u00e7\u00e3o de \u201cindultados\u201d pelo general Geisel. O parlamentar recusou a \u201cbondade\u201d do ditador, em carta, com uma frase que \u00e9 um s\u00edmbolo de dignidade pessoal e coragem contra o arb\u00edtrio:<\/p>\n<p>Rogo a Vossa Excel\u00eancia que me livre de mais este constrangimento &#8211; o de um perd\u00e3o que n\u00e3o solicitei&#8221;<\/p>\n<p>Mais de quatro d\u00e9cadas depois, o ex-presidente Lula assumiu atitude semelhante, frente ao circo armado pelas autoridades brasileiras, quanto ao vel\u00f3rio do irm\u00e3o Vav\u00e1:<\/p>\n<p>Dizendo que a decis\u00e3o provocou &#8220;inequ\u00edvoco constrangimento ilegal&#8221; a seu cliente, a defesa do ex-presidente informou ao ministro Dias Tofolli (produtor da canhestra decis\u00e3o) que, por entender que o encontro com seus familiares horas ap\u00f3s o sepultamento de seu irm\u00e3o, na forma consignada na decis\u00e3o (em uma unidade militar) ter\u00e1 o cond\u00e3o de agravar o sofrimento j\u00e1 bastante elevado de seus membros, o Peticion\u00e1rio informou \u00e0 sua Defesa t\u00e9cnica que n\u00e3o tem o desejo de realizar o deslocamento nesta oportunidade&#8221;.<\/p>\n<p>Diante da viol\u00eancia, h\u00e1 de manter-se a dignidade, alimentando o sonho de que n\u00e3o h\u00e1 mal que sempre dure, e que a noite escura precede o alvorecer. O sol nascer\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PERFIL DO BAR\u00c3O<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todos mostram seu perfil, tamb\u00e9m vou mostrar o meu. Chamo-me Marcos Apar\u00edcio Lins Machado de Guimar\u00e3es Rosa, e, logo se percebe, n\u00e3o sou propriamente uma pessoa, mas uma homenagem: cada um desses nomes tem um significado para mim, mas n\u00e3o vou tirar de ningu\u00e9m \u2013 se n\u00e3o o prazer, ao menos o exerc\u00edcio de identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Atendo tamb\u00e9m por Bar\u00e3o de Pau d\u00b4Alho (e isto tem a ver com o cheiro de minha terra \u2013 a\u00ed uma pista para pesquisadores ociosos). Sou um jornalista modesto, se \u00e9 que isto existe, pois escolhi esse t\u00edtulo honor\u00edfico de menor impacto, quando bem me poderia autoproclamar Marqu\u00eas da Cocada Preta, Conde de Macuco ou Duque Sei-L\u00e1-do-Qu\u00ea.\u00a0 A prop\u00f3sito, os t\u00edtulos de nobreza (tiremos da\u00ed os reis e pr\u00edncipes, gente de outra classe) s\u00e3o, em ordem decrescente de import\u00e2ncia, duque, marqu\u00eas, conde, visconde e bar\u00e3o, caso n\u00e3o me engana e a hist\u00f3ria \u2013 e ao dizer isto j\u00e1 denuncio este como um espa\u00e7o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Apesar do velho ad\u00e1gio \u201cnobreza obriga\u201d, n\u00e3o sou muito de frequentar as ditas rodas sociais, muitas vezes parecidas com rodas da malandragem: vivo um tanto isolado do lufa-lufa da cidade, envolvido com meus livros, um tabuleiro de xadrez e uns discos de jazz e MPB. Quando acometido da fadiga do t\u00e9dio, ou se quero sofrer um pouco, ligo a tev\u00ea, assisto a um notici\u00e1rio, registro um monte de agress\u00f5es \u00e0 l\u00edngua portuguesa, me canso e retorno \u00e0\u00a0 rotina. Novela, n\u00e3o vejo nunca, pois meu masoquismo ainda n\u00e3o chegou a tais extremos. Nada de telefone nem zap-zap, n\u00e3o sei bem o que \u00e9 rede social, para\u00a0 mim rede \u00e9 aquela coisa que os pobres do Nordeste usam em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 cama, e que os ricos t\u00eam nas casas de praia.<\/p>\n<p>Procuramos fazer aqui, semanalmente, uma coluna, erguida com\u00a0 as coisas que nos derem na telha, deixando a eventuais leitores espa\u00e7o para os devidos xingamentos, pois vivemos, formalmente, em regime democr\u00e1tico. Diga-se ainda que, por se tratar de um espa\u00e7o politico-ecol\u00f3gico, escolhi para musa da coluna aquela mo\u00e7a chegada a encontros religiosos em altos de goiabeiras \u2013 e de cujo nome, gra\u00e7as a Deus, j\u00e1 esqueci.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Pinto e a aurora que sucede a noite escura Bar\u00e3o de Pau-d\u00b4Alho\u00a0 \/ \u00a0 bddepd@gmail.com Parece fundamental que se viva o presente com perspectiva de futuro, mas sem esquecer o passado. 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