{"id":84147,"date":"2018-12-03T14:30:55","date_gmt":"2018-12-03T17:30:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=84147"},"modified":"2018-12-03T11:04:38","modified_gmt":"2018-12-03T14:04:38","slug":"sistema-nervoso-e-cancer-novos-conceitos-na-biologia-dos-tumores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2018\/12\/03\/sistema-nervoso-e-cancer-novos-conceitos-na-biologia-dos-tumores\/","title":{"rendered":"Sistema nervoso e c\u00e2ncer: novos conceitos na biologia dos tumores"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-84149\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/alex-birbrair.jpg\" alt=\"alex birbrair\" width=\"386\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/alex-birbrair.jpg 560w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/alex-birbrair-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 386px) 100vw, 386px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Por Milena Tutumi, no labnetwork<\/strong><\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores do Departamento de Patologia da Universidade Federal de Minas Gerais mostrou que o desenvolvimento de alguns\u00a0tumores cancer\u00edgenos\u00a0est\u00e1 relacionado ao\u00a0sistema nervoso perif\u00e9rico. Coordenada pelo biom\u00e9dico Alexander Birbrair e fomentado pelo Instituto Serrapilheira, a pesquisa revelou c\u00e9lulas associadas aos nervos que exercem um papel ativo e importante no desenvolvimento do c\u00e2ncer. A partir dessa descoberta, buscar\u00e3o estabelecer m\u00e9todos inibidores do desenvolvimento da doen\u00e7a, criar terapias mais eficientes e com menos efeitos colaterais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-84148\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/alex-birbrair-2-300x204.jpg\" alt=\"alex birbrair 2\" width=\"300\" height=\"204\" \/>H\u00e1 cerca de um ano em andamento, inicialmente, o estudo trabalhou com tumores de pr\u00f3stata, mas tamb\u00e9m foram analisados os tumores de mama e de pele, tanto de modelos experimentais pr\u00e9-cl\u00ednicos (camundongos) como tamb\u00e9m em bi\u00f3psias humanas. As\u00a0c\u00e9lulas de Schwann, que est\u00e3o diretamente associadas aos nervos exercendo a fun\u00e7\u00e3o de suas protetoras, s\u00e3o as grandes protagonistas dessa pesquisa. Os pesquisadores descobriram que, al\u00e9m dessas c\u00e9lulas estarem presentes nos tumores elas atuam diretamente no seu desenvolvimento: \u201cConforme o tumor cresce, as c\u00e9lulas de Schwann se desassociam dos nervos e se aproximam dos vasos sangu\u00edneos, trabalhando para impedir o crescimento do tumor\u201d, explica Birbrair. Para entender melhor essa quest\u00e3o, c\u00e9lulas de Schwann est\u00e3o sendo injetadas dentro dos tumores para bloquear a progress\u00e3o tumoral. O objetivo \u00e9 criar novas terapias para conten\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, de modo menos invasivo, na contram\u00e3o das terapias convencionais como quimioterapia e radioterapia, que invariavelmente tamb\u00e9m resultam em danos a partes saud\u00e1veis do organismo.<\/p>\n<p>Outra revela\u00e7\u00e3o do estudo foi a detec\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de v\u00e1rios tipos de nervos dentro dos tumores: \u201cOs nervos n\u00e3o est\u00e3o ali passivos, t\u00eam fun\u00e7\u00f5es proativas dentro dos tumores, afetando o seu desenvolvimento. Descobrimos tanto nervos simp\u00e1ticos, parassimp\u00e1ticos, como nervos sensoriais\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O importante papel do microambiente tumoral<\/p>\n<p>Sabe-se que o sistema nervoso perif\u00e9rico \u00e9 essencial para diversas fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas no organismo humano. Seria poss\u00edvel o sistema nervoso tamb\u00e9m afetar a progress\u00e3o tumoral? Em cima desse questionamento, o estudo tem demonstrado ser de suma import\u00e2ncia um conhecimento detalhado da atua\u00e7\u00e3o dos nervos no microambiente em que est\u00e1 o tumor, pois o grupo acredita que a partir disso ser\u00e1 poss\u00edvel eliminar as c\u00e9lulas tumorais com alvos terap\u00eauticos mais precisos, bem como impedir uma recidiva: \u201cDescobrir como o microambiente tecidual \u00e9 afetado durante a progress\u00e3o tumoral pode nos providenciar outros biomarcadores que poder\u00e3o ser utilizados no diagn\u00f3stico molecular da doen\u00e7a e n\u00e3o necessariamente marcadores que est\u00e3o presentes apenas nas c\u00e9lulas cancer\u00edgenas\u201d, informa o coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p>Pode o sistema nervoso afetar a progress\u00e3o do c\u00e2ncer?<\/p>\n<p>De acordo com dados recentes apresentados pelos pesquisadores, as c\u00e9lulas de c\u00e2ncer correspondem a 50% das c\u00e9lulas vis\u00edveis em uma bi\u00f3psia tumoral e h\u00e1 muitos elementos ainda a serem estudados e verificados que comp\u00f5em o tecido do tumor: \u201cJ\u00e1 sabemos que h\u00e1 v\u00e1rios tipos de c\u00e9lulas imunes. Tamb\u00e9m h\u00e1 componentes dos vasos sangu\u00edneos, pois para crescer as c\u00e9lulas de c\u00e2ncer necessitam de oxig\u00eanio e nutrientes provenientes do sangue por esses vasos. Sem esses, os tumores n\u00e3o crescem mais do que 1-2 mm\u201d, coloca Alexander Birbrair.<\/p>\n<p>O biom\u00e9dico ainda explica que todos n\u00f3s temos c\u00e9lulas com potencial de se transformarem em cancer\u00edgenas, mas a raz\u00e3o para que determinadas pessoas desenvolvam a doen\u00e7a est\u00e1 na depend\u00eancia das c\u00e9lulas se desenvolverem ou n\u00e3o no microambiente dos tecidos onde se encontram, pois para curar a doen\u00e7a, \u00e9 preciso ter a total compreens\u00e3o desse microambiente onde as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas residem: \u201cApenas a elimina\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas malignas n\u00e3o \u00e9 suficiente, uma vez que por conta dessas, os tecidos sofrem tantas altera\u00e7\u00f5es que favorecem a volta das c\u00e9lulas tumorais, implicando em recidivas\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Utilizando a t\u00e9cnica de\u00a0fluoresc\u00eancia, os pesquisadores visualizam cada componente do tecido dentro do animal vivo e come\u00e7am a entender o comportamento individual de todos os elementos encontrados. \u201cTamb\u00e9m podemos deletar geneticamente uma c\u00e9lula, em um determinado tecido, em um momento espec\u00edfico, para entender o papel daquela c\u00e9lula e ver como o ambiente funciona sem ela\u201d, acrescenta o coordenador. O trabalho ainda envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de complexas t\u00e9cnicas em biologia molecular, PCR real time, imuno-histoqu\u00edmica, microscopia confocal in vivo, imunofluoresc\u00eancia, recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica Cre\/Lox, para exemplificar.<\/p>\n<p>Desdobramentos do estudo e o futuro<\/p>\n<p>Com esses dois objetivos principais, identificar os mecanismos pelos quais o crescimento do tumor \u00e9 regulado pelo sistema nervoso perif\u00e9rico e criar maneiras de manipular esse sistema para inibir o desenvolvimento tumoral, o grupo de Patologia faz um minucioso mapeamento do microambiente dos tecidos e da rela\u00e7\u00e3o deles com as c\u00e9lulas que os comp\u00f5em em condi\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e patol\u00f3gicas para, num futuro, utilizar esse mecanismo no tratamento de c\u00e2ncer. \u201cAssim, esperamos que controlando o sistema nervoso perif\u00e9rico, possamos tanto eliminar as c\u00e9lulas tumorais como tamb\u00e9m impedir a sua volta\u201d, diz Birbrair. Os pr\u00f3ximos passos da pesquisa incluem descobrir mol\u00e9culas dentro destes nervos e das c\u00e9lulas nervosas intratumorais para us\u00e1-las como alvos terap\u00eauticos, o que possibilitar\u00e1 que, por meio de uma droga, seja poss\u00edvel bloquear o crescimento do tumor sem os danos da quimioterapia convencional.<\/p>\n<p>Contemplados no primeiro edital do fomento do Instituto Serrapilheira, os 14 membros do grupo que participam da pesquisa t\u00eam total autonomia para direcionar a verba de R$ 100 mil recebida na primeira fase do edital. Se forem contemplados na nova sele\u00e7\u00e3o que deve divulgar seus vencedores em breve, o grupo receber\u00e1 R$ 1 milh\u00e3o para dar continuidade \u00e0s pesquisas. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o grupo podem ser lidas\u00a0aqui.<\/p>\n<p>O Instituto Serrapilheira<\/p>\n<p>Sediado no Rio de Janeiro e atuando oficialmente desde mar\u00e7o de 2017, o\u00a0Serrapilheira\u00a0\u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o privada organizada sob a forma de associa\u00e7\u00e3o civil e sem fins lucrativos. Opera com recursos oriundos de um fundo patrimonial constitu\u00eddo por doa\u00e7\u00e3o de Branca e Jo\u00e3o Moreira Salles, no valor de R$ 350 milh\u00f5es. A institui\u00e7\u00e3o prop\u00f5e atuar de forma complementar \u00e0s ag\u00eancias de fomento dos governos federal e estaduais no est\u00edmulo a grupos de pesquisa e encorajar grupos jovens, ousados e criativos a desenvolver pesquisa de ponta<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Milena Tutumi, no labnetwork Um grupo de pesquisadores do Departamento de Patologia da Universidade Federal de Minas Gerais mostrou que o desenvolvimento de alguns\u00a0tumores cancer\u00edgenos\u00a0est\u00e1 relacionado ao\u00a0sistema nervoso perif\u00e9rico. 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