{"id":81476,"date":"2018-09-22T08:11:27","date_gmt":"2018-09-22T11:11:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=81476"},"modified":"2018-09-20T09:25:17","modified_gmt":"2018-09-20T12:25:17","slug":"quando-nos-sentimos-indefesos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2018\/09\/22\/quando-nos-sentimos-indefesos\/","title":{"rendered":"Quando nos sentimos indefesos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Eulina Lavigne<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-73856\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/eulina-lavigne-150x150.jpg\" alt=\"eulina lavigne\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Quando pequenos sempre que sent\u00edamos medo ou amea\u00e7ados por algo, seja em fun\u00e7\u00e3o das nossas fantasias relacionadas ao bicho pap\u00e3o, bruxas, o homem da caverna dentre outros, ou em fun\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es vivenciadas de amea\u00e7as concretas, corr\u00edamos para aquele(a) que tinha autoridade para nos defender. Um adulto forte, que pudesse usar da sua for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o e resolvesse a nossa situa\u00e7\u00e3o. Os nossos her\u00f3is! Ou, com raras exce\u00e7\u00f5es, \u00edamos l\u00e1 e resolv\u00edamos a parada no tapa.<\/p>\n<p>Esses movimentos eram refor\u00e7ados por consignas que repreendiam o desejo de enfrentar corajosamente aquilo que nos amea\u00e7ava ou que nos impulsionava para a agressividade. O di\u00e1logo era algo ainda muito amea\u00e7ador tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81477\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/medo-300x168.jpg\" alt=\"medo\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/medo-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/medo.jpg 740w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Tipo assim: \u201cNem v\u00e1 l\u00e1 pois o bicho pap\u00e3o lhe come!\u201d \u201cOu se chegar aqui apanhado, vai apanhar!\u201d Ou at\u00e9: \u201cFale com a professora que ela resolve.\u201d<\/p>\n<p>No meu entendimento,estamos vivenciando com as elei\u00e7\u00f5es algo parecido. O medo vem sendo o motivador para votar neste ou naquele candidato e vamos em busca de her\u00f3is e mitos para nos salvar.\u00a0 Pelo menos \u00e9 o que ou\u00e7o e leio nos lugares por onde c\u00edrculo.<\/p>\n<p>De um lado sinto pessoas com receio de perderem as suas conquistas votando em um candidato que julgam ser forte e corajoso o suficiente para enfrentar os seus medos. Do outro, pessoas com medo de que a viol\u00eancia e agressividade se espalhe e inviabilize a possibilidade do di\u00e1logo. Outras que atacam com uma facada. E aquelas que, para n\u00e3o vivenciarem nem uma dessas possibilidades, votam em quem acreditam e at\u00e9 em quem n\u00e3o acreditam. E assim, cada pessoa busca o candidato que entende ser o melhor para si e para todos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Com os estudos da terapia sist\u00eamica, aprendi que, muitas vezes o medo \u00e9 a defesa da raiva e com ele nos protegemos da nossa agress\u00e3o. Muitas vezes, uma pessoa expressa a sua bondade para esconder a sua agress\u00e3o e pode usar, de forma inconsciente, a agress\u00e3o do outro para expressar a sua.<\/p>\n<p>Eu sei que \u00e9 dif\u00edcil ler isto e, \u00e0s vezes, assustador. E no decorrer da minha vida tive que arrancar a m\u00e1scara da minha pura bondade e olhar para a minha agressividade mal amada e perceber que eu era humana. Que tanto a agressividade e a bondade fazem parte de mim. E o amor tamb\u00e9m. E s\u00f3 quando pude olhar para isso encontrei um equil\u00edbrio mais sustent\u00e1vel e for\u00e7as para me colocar e entender que, o di\u00e1logo \u00e9 o melhor caminho.<\/p>\n<p>E ser\u00e1 que podemos dialogar sempre? Nem sempre. Para que isto aconte\u00e7a se faz necess\u00e1rio que uma ou mais pessoas desejem dialogar. Uma? Sim. Pois antes de dialogar com o outro, se faz necess\u00e1rio dialogar consigo.<\/p>\n<p>E o di\u00e1logo exige de n\u00f3s um olhar mais acurado sobre n\u00f3s, inclusive sobre os nossos medos e a nossa agressividade. E nem sempre estamos preparados para isto. E se n\u00e3o dialogo comigo imagina com o outro!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E o que fazer ent\u00e3o? Escolho um caminho e se o caos se instalar mais do que est\u00e1 instalado, respiro, busco aprender com a situa\u00e7\u00e3o e caminho para a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembrando que acima de tudo est\u00e1 o respeito a pensamentos divergentes. Respeitar n\u00e3o significa aceitar e sim compreender que cada um faz o seu caminho e nem sempre eu preciso fazer o caminho do outro e com o outro.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, uma hora vamos precisar olhar para as nossas sombras e firmar o amor, pois como diz Wally Salom\u00e3o:<\/p>\n<p>N\u00e3o sou eu quem d\u00e1 coices ferradurados no ar.<br \/>\n\u00c9 esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.<br \/>\n\u00c9 ela !!!<br \/>\nTodo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,<br \/>\nSem espinho de roseira nem \u00e1spera lixa de folha de figueira.<\/p>\n<p>Esta amante da balb\u00fardia cavalga encostada ao meu s\u00f3brio ombro<br \/>\nVixe!!!<br \/>\nEnquanto caminho a p\u00e9, pedestre &#8212; peregrino at\u00f4nito at\u00e9 a morte.<br \/>\nSem motivo nenhum de pranto ou ang\u00fastia rouca ou desalento:<br \/>\nN\u00e3o sou eu quem d\u00e1 coices ferradurados no ar.<br \/>\n\u00c9 esta estranha criatura que fez de mim seu encosto<br \/>\nE se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.<\/p>\n<p>Quem corre desabrida<br \/>\nSem ceder a concha do ouvido<br \/>\nA ningu\u00e9m que dela discorde<br \/>\n\u00c9 esta<br \/>\nSelvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eulina Lavigne &nbsp; Quando pequenos sempre que sent\u00edamos medo ou amea\u00e7ados por algo, seja em fun\u00e7\u00e3o das nossas fantasias relacionadas ao bicho pap\u00e3o, bruxas, o homem da caverna dentre outros, ou em fun\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es vivenciadas de amea\u00e7as concretas, corr\u00edamos para aquele(a) que tinha autoridade para nos defender. 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