{"id":80721,"date":"2026-03-21T12:13:04","date_gmt":"2026-03-21T15:13:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=80721"},"modified":"2026-03-20T16:14:46","modified_gmt":"2026-03-20T19:14:46","slug":"memorias-de-um-dinossauro-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2026\/03\/21\/memorias-de-um-dinossauro-4\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de Osasco e o  Bar das Putas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-165542\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/bar-das-putas.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/bar-das-putas.jpg 320w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/bar-das-putas-300x119.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Daniel Thame<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-152500\" src=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dt-cuba-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dt-cuba-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/dt-cuba.jpg 413w\" sizes=\"(max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/>Ano de 1981. O Di\u00e1rio de Osasco finalmente trocava as velhas impressoras e linotipos e passava a ser impresso em off-set. Era como pular da Idade da Pedra para o futuro, sem escalas.<\/p>\n<p>O Di\u00e1rio tamb\u00e9m\u00a0 deixava de ser temporariamente di\u00e1rio para se tornar semanal, embora continuasse ostentando o t\u00edtulo Di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para o Vrejhi Sanazar, dono do jornal, era um salto de qualidade e a oportunidade de atrair anunciantes. Fazer dinheiro, enfim.<\/p>\n<p>Para mim e para o Giovanni Palma, que toc\u00e1vamos a reda\u00e7\u00e3o, era o passaporte para a modernidade, poder ousar nos textos, nas fotos, no formato da primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p>Mais do que isso: como o jornal seria diagramado e impresso no pr\u00e9dio do Estad\u00e3o (O Estado de S\u00e3o Paulo) na marginal Pinheiros, era a chance de viver o clima de grande imprensa, cruzar com o pessoal que fazia aquele que na \u00e9poca era o mais influente jornal brasileiro, at\u00e9 ser ultrapassado pela Folha de S\u00e3o Paulo e hoje ter se tornado um porta voz da direita paulista.<\/p>\n<p>Era tamb\u00e9m uma oportunidade para manter contato com grandes jornalistas, n\u00e3o apenas do Estad\u00e3o, mas tamb\u00e9m de outros ve\u00edculos, j\u00e1 que ap\u00f3s o fechamento das edi\u00e7\u00f5es (naquele tempo os jornais fechavam de madrugada e n\u00e3o eram essa coisa pasteurizada e insossa de hoje, decadentes e superados pela agilidade da internet), o pessoal se dirigia a um \u00b4p\u00e9 sujo\u00b4 na avenida da Consola\u00e7\u00e3o, centro velho da capital paulista, onde um churrasquinho ou uma batata frita honestos eram oferecidos a pre\u00e7o justo. Obviamente acompanhados de uma cervejinha, uma batidinha, uma cachacinha.<\/p>\n<p>Ou tudo junto!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O local era chamado de Bar das Putas, porque al\u00e9m dos companheiros jornalistas, as companheiras oper\u00e1rias do amor tamb\u00e9m batiam ponto l\u00e1, fechando a noite de trabalho duro (ops!). Uma conviv\u00eancia harmoniosa, num local que marcou \u00e9poca numa S\u00e3o Paulo ainda sem crack e sem tanta viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi no Bar das Putas, enquanto entornava uma dose tamanho fam\u00edlia de batida de lim\u00e3o e comemorava com o Palma mais uma bela edi\u00e7\u00e3o do nosso \u201cDi\u00e1rio semanal\u201d, que ouvi a seguinte frase de uma das distintas freq\u00fcentadoras:<\/p>\n<p>-O cara quando quer uma puta s\u00f3 pra ele, tem que pagar bem. Se n\u00e3o pagar, vai ter que dividir com os outros e se contentar com as sobras.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde, diz a lenda, cafet\u00e3o se apaixona, puta goza, traficante cheira e pol\u00edtico honesto \u00e9 mais raro do que trevo de cinco folhas, a mo\u00e7oila perpetrou um coment\u00e1rio de antologia.<\/p>\n<p>(Abre parant\u00eanses: esse dinossauro da imprensa \u00e9 de um tempo em que a primeira pergunta que se fazia quando um novato aportava na reda\u00e7\u00e3o era &#8220;voc\u00ea bebe?&#8221;.<\/p>\n<p>Se a resposta fosse sim era como se dissesse: &#8220;sim eu escrevo bem&#8221;. E estava devidamente enturmado porque escrever e beber eram indossoci\u00e1veis. Fecha parent\u00eases).<\/p>\n<p>E desce mais uma!<\/p>\n<p>Desta feita uma divina batidinha do ABC da Noite, grapi\u00fana das terras do cacau\u00a0 me tornei, jornalista que sempre fui e, <em>per supuesto<\/em>, bom bebedor que sempre serei&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame Ano de 1981. O Di\u00e1rio de Osasco finalmente trocava as velhas impressoras e linotipos e passava a ser impresso em off-set. Era como pular da Idade da Pedra para o futuro, sem escalas. O Di\u00e1rio tamb\u00e9m\u00a0 deixava de ser temporariamente di\u00e1rio para se tornar semanal, embora continuasse ostentando o t\u00edtulo Di\u00e1rio. 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