{"id":76674,"date":"2018-05-22T06:41:40","date_gmt":"2018-05-22T09:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=76674"},"modified":"2018-05-21T16:09:16","modified_gmt":"2018-05-21T19:09:16","slug":"morar-um-direito-ou-privilegio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2018\/05\/22\/morar-um-direito-ou-privilegio\/","title":{"rendered":"Morar:  um direito ou privil\u00e9gio?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-76676\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/a-teto.jpg\" alt=\"a teto\" width=\"427\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/a-teto.jpg 620w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/a-teto-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/>Ma\u00edra Nery<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos prim\u00f3rdios cada homem improvisava uma cabana para se proteger da hostilidade da natureza. Situa\u00e7\u00e3o bem diferente da atualidade &#8211; pr\u00e9dios imensos constru\u00eddos por equipes de engenharia civil e que al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o podem oferecer conforto. Outra diferen\u00e7a \u00e9 que o espa\u00e7o ocupado pelo homem era comum a todos e qualquer um poderia construir sua cabana, sem distin\u00e7\u00e3o,\u00a0\u00a0atualmente uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o que possui recursos podem adquirir moradias dignas, nas zonas mais valorizadas e seguras das cidades ao contr\u00e1rio de maior parte da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 obrigada a se acomodar em barracos, constru\u00eddos nas encostas, favelas e conjuntos habitacionais e alguns, por falta de total recursos financeiros, n\u00e3o possuem sequer acesso a moradia.<\/p>\n<p>Mesmo com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico dos \u00faltimos anos que acelera a constru\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos, a popula\u00e7\u00e3o carente ainda sofre com a falta de moradias minimamente dignas. O sistema capitalista e sua crueldade mant\u00e9m todo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, os recursos naturais a servi\u00e7o do capital, sem qualquer possibilidade de uso racional dos recursos de forma que possamos ter uma distribui\u00e7\u00e3o justa entre todos os habitantes.<\/p>\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais cruel j\u00e1 que por conta da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria existe in\u00fameros im\u00f3veis desocupados que poderiam ser abrigos para essa popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem uma moradia fixa.\u00a0Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, existe cerca de 290 mil im\u00f3veis que n\u00e3o s\u00e3o habitados, segundo dados preliminares do Censo 2010 e aproximadamente 130 mil fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam onde morar, de acordo com a Secretaria Municipal de Habita\u00e7\u00e3o, ou seja, h\u00e1 mais casas do que fam\u00edlia sem lar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A crise da moradia n\u00e3o ocorre somente em seu aspecto quantitativo, h\u00e1 problemas tamb\u00e9m do ponto de vista qualitativo.Para aumentar os lucros a constru\u00e7\u00e3o civil emprega materiais menos resistente, utilizando somente o necess\u00e1rio, e com os mesmos padr\u00f5es est\u00e9ticos. As moradias se empobreceram esteticamente, perderam conforto, sendo cada vez mais reduzidas a meros cub\u00edculos, aglomerados materiais, servindo apenas para aumentar os lucros dos capitalistas. O atual sistema imobili\u00e1rio n\u00e3o permite que os moradores tornem os seus lares um lugar de identidade individual e transformou-se numa m\u00e1quina fria de morar, sem afetividade, tornando-se apenas o local que o propriet\u00e1rio vai se fixar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, voltada apenas para a funcionalidade das moradias, se estende em toda a cidade, onde se percebe os novos pr\u00e9dios frios, desprovidos de calor humano e sensibilidade est\u00e9tica, com o objetivo exclusivo para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades que se fizerem necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mundo moderno, industrial e tecnol\u00f3gico, que se vale da l\u00f3gica de capital para reger suas rela\u00e7\u00f5es submeteu ao homem um processo de aliena\u00e7\u00e3o. O homem acaba apenas atendendo as necessidades do mercado em fun\u00e7\u00e3o da produtividade e da efic\u00e1cia, tornando-se alheio ao mundo que o cerca, aos problemas que a popula\u00e7\u00e3o enfrenta. Ele passa a acreditar que \u00e9 apenas uma pe\u00e7a nesse jogo de capital, que n\u00e3o possui valor e nem for\u00e7a para se sobrepor ao mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos t\u00eam o direito de ter uma moradia digna, segura que possibilite a qualquer ser humano enfrentar as durezas do cotidiano de forma justa. \u00c9 um dever de todos lutar por esse direito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 urgente que se deva buscar formas de equacionar e combater as contradi\u00e7\u00f5es do mundo contempor\u00e2neo. Uma sociedade sustent\u00e1vel deve ter como premissa as rela\u00e7\u00f5es humanas. Uma cidade que tem mais pr\u00e9dios abandonados do que fam\u00edlias sem lares \u00e9 inadmiss\u00edvel. \u00c9 o homem que tem que ser a pe\u00e7a fundamental na engrenagem do desenvolvimento social e n\u00e3o o mercado.\u00a0A revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode e deve ser usada para ajudar a sociedade e sobretudo para o bem do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ma\u00edra Nery\u00a0 \u00e9 banc\u00e1ria e colunista do P\u00e1tria\u00a0 Latina<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ma\u00edra Nery &nbsp; Nos prim\u00f3rdios cada homem improvisava uma cabana para se proteger da hostilidade da natureza. Situa\u00e7\u00e3o bem diferente da atualidade &#8211; pr\u00e9dios imensos constru\u00eddos por equipes de engenharia civil e que al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o podem oferecer conforto. 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