{"id":695,"date":"2010-06-10T12:13:00","date_gmt":"2010-06-10T15:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/06\/10\/luandson-passos-reis-10-anos\/"},"modified":"2010-06-10T12:13:00","modified_gmt":"2010-06-10T15:13:00","slug":"luandson-passos-reis-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/06\/10\/luandson-passos-reis-10-anos\/","title":{"rendered":"Luandson Passos Reis, 10 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TBEBQtYoW8I\/AAAAAAAABPY\/kZ8cw_Mtwb8\/s1600\/luandson+para+o+blog.jpg\"><img style=\"float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 152px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/TBEBQtYoW8I\/AAAAAAAABPY\/kZ8cw_Mtwb8\/s320\/luandson+para+o+blog.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5481163608059042754\" \/><\/a><br \/>-Filho, vai  ali no mercadinho comprar um pacote de sal&#8230;<br \/> -T\u00f4 indo, m\u00e3e&#8230; <\/p>\n<p> A frase \u00e9 banal, repetida incont\u00e1veis vezes em lares Brasil afora, mundo afora.<\/p>\n<p>O menino que atende ao pedido da m\u00e3e, vai ao mercadinho e se sobrar troco ainda compra uma bala, um doce, um chiclete.<\/p>\n<p> E volta para casa, para quem sabe ganhar um  \u00b4obrigado filho\u00b4, um beijo carinhoso ou um \u00b4agora pode ir brincar com seus amigos\u00b4. <\/p>\n<p> Banalidades.<\/p>\n<p> N\u00e3o para Luandson, nem para sua m\u00e3e.<\/p>\n<p> Banalidade no mundo em que Luandson vivia (sim, \u201cvivia\u201d) \u00e9 a viol\u00eancia desenfreada, as pessoas de bem ref\u00e9ns dos bandidos, a morte transformada em rotina macabra.<\/p>\n<p>O mundo de Luandson atende pelo nome de Pedro Jer\u00f4nimo, bairro carente da abandonada periferia de Itabuna.<\/p>\n<p>E Luandson, um menino de 10 anos, estudante do 4\u00ba ano do ensino fundamental numa escola p\u00fablica em Itabuna, pode cumprir apenas metade do pedido da m\u00e3e.<\/p>\n<p> O sal ficou pelo meio do caminho.<\/p>\n<p> Pior, sua vida ficou pelo meio do caminho.<\/p>\n<p> E no meio do caminho entre o mercadinho e a casa de Luandson havia n\u00e3o uma pedra, como no poema de Drummond, mas um tiro de escopeta. Dois tiros de escopeta, para ser mais exato.<\/p>\n<p> Luandson foi executado por marginais a bordo de um carro que, na tentativa de atingir Alisson Santos de Oliveira, de 22 anos, que nem morador do bairro era, atiraram sem se importar em que acertariam.<\/p>\n<p> Os tiros, que eram para Alisson, que foi ferido sem gravidade, acabaram  tirando a vida de Luandson, o menino que saiu para comprar sal e n\u00e3o voltou para casa.<\/p>\n<p>  Melhor dizendo, n\u00e3o voltou para casa como o menino cheio de vida, com um imenso futuro pela frente, que acabara de atender ao pedido da m\u00e3e.<\/p>\n<p> Voltou como um corpo inerte e sem vida. <\/p>\n<p>Sem o sal, que agora, metaforicamente, arde em sua m\u00e3e como uma ferida que jamais ir\u00e1 cicatrizar, tamanha \u00e9 a dor de perder um filho de maneira t\u00e3o brutal. <\/p>\n<p> E arde em todos aqueles que, indefesos, j\u00e1 n\u00e3o sabem a quem recorrer diante de uma viol\u00eancia que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m, que abate meninos no meio do caminho entra e casa e o mercadinho.<\/p>\n<p> Arde em todos n\u00f3s!<\/p>\n<p> Chega!<\/p>\n<p>Definitivamente, chega!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>-Filho, vai ali no mercadinho comprar um pacote de sal&#8230; -T\u00f4 indo, m\u00e3e&#8230; A frase \u00e9 banal, repetida incont\u00e1veis vezes em lares Brasil afora, mundo afora. 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