{"id":67983,"date":"2017-10-09T08:57:12","date_gmt":"2017-10-09T11:57:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=67983"},"modified":"2017-10-09T17:42:41","modified_gmt":"2017-10-09T20:42:41","slug":"che-50-anos-o-mito-nao-morreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2017\/10\/09\/che-50-anos-o-mito-nao-morreu\/","title":{"rendered":"Che 50 anos, o Mito n\u00e3o morreu"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-67984\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/che-1.jpg\" alt=\"che 1\" width=\"200\" height=\"252\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Pesquisa e texto de Z\u00e9dejesusbarreto)<\/p>\n<p>Meio s\u00e9culo depois de assassinado no interior da Bol\u00edvia, em 9 de outubro de 1967, os ideais revolucion\u00e1rios do guerrilheiro Ernesto Che Guevara continuam pulsantes, sobretudo nessa Latino-Am\u00e9rica ainda t\u00e3o desigual, polarizada e injusta.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>Como foi a execu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Quase um ano depois de ter se embrenhado com alguns companheiros de sonhos nas matas bolivianas plantando sementes do que imaginava ser o come\u00e7o de uma grande revolu\u00e7\u00e3o no continente sul-americano, isolado, doente, tra\u00eddo por alguns camponeses e cercado por tropas do ex\u00e9rcito do ditador Ren\u00e9 Barrientos, o guerrilheiro Che Guevara foi emboscado, ferido e aprisionado na regi\u00e3o da Quebrada del Churro, pr\u00f3xima ao vilarejo de La Higuera. Atingido por um tiro na perna foi aprisionado junto com o companheiro Simon \u2018Willy\u2019, ambos levados para uma escolinha de ch\u00e3o e paredes de barro, no vilarejo, onde passou a noite no ch\u00e3o com p\u00e9s e m\u00e3os amarradas, esperando o destino.<\/p>\n<p>N\u00e3o era mais a figura daquele homem bonito, altivo e encantador que conhecemos pela extraordin\u00e1ria fotografia de Alberto Korda, em posters e camisetas mundo afora. N\u00e3o. Aquele Guevara era um homem envelhecido para os seus quase 40 anos de idade, mag\u00e9rrimo, faminto, desidratado e padecido pelos constantes ataques de asma.<\/p>\n<p>No dia seguinte de sua pris\u00e3o, por volta do meio dia, chegou a ordem do governo central da Bol\u00edvia para se \u2018proceder \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o do se\u00f1or Guevara\u2019. Execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. O autor dos tiros de fuzil semiautom\u00e1tico foi o sargento M\u00e1rio Ter\u00e1n, orientado pelo seu coronel Zenteno Anaya para que preservasse o rosto. Era preciso criar a vers\u00e3o de que ele teria sido morto em combate.<\/p>\n<p>Ainda na tarde de 9 de outubro o corpo de Che, amarrado \u00e0s ferragens de pouso de um helic\u00f3ptero, foi levado \u00e0 cidade pr\u00f3xima de Vallegrande, onde restou colocado sobre uma lavanderia nos fundos do hospital local Nuestro Se\u00f1or de Malta. As fotos que conhecemos do corpo de Che estendido foram feitas l\u00e1, a not\u00edcia se espalhando e atraindo muita gente para v\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Contam, ent\u00e3o, que a partir da\u00ed os milicos da ditadura boliviana mandaram decepar as m\u00e3os do guerrilheiro, colocadas num vaso de vidro com formol e enviadas \u00e0 per\u00edcia em Buenos Aires. No dia 11, o cad\u00e1ver foi atirado numa vala pr\u00f3xima das cabeceiras de uma pista de pouso local e os restos mortais de Guevara s\u00f3 foram localizados 30 anos depois; da\u00ed, por um acordo entre governos, foram transferidos para Santa Clara, em Cuba, os ossos sepultado ent\u00e3o com honras de chefe de Estado com a presen\u00e7a do companheiro e comandante Fidel Castro. O comandante Fidel fez um pronunciamento pela TV ao povo cubano no dia 15 de outubro de 1967, anunciando a morte de Che. Como\u00e7\u00e3o. \u00a0Um her\u00f3i, mito e exemplo em Cuba, ainda hoje e sempre.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>Veio ao Brasil<\/p>\n<p>Antes de se embrenhar na aventura pelas matas bolivianas, o que lhe custou a vida, o guerrilheiro Guevara passou pelo Brasil. Vinha da Europa, depois de desventuras na \u00c1frica, e desceu no aeroporto de Viracopos, em S\u00e3o Paulo, disfar\u00e7ado como um diplomata uruguaio de nome Adolfo Mena Gon\u00e7alvez, enviado especial da OEA-Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos. Irreconhec\u00edvel. Cabelos raspados, uma dentadura horr\u00edvel que mudava sua voz e fisionomia, \u00f3culos de aros e lentes grossas.<\/p>\n<p>Sim, era ele, naqueles dias um dos homens mais procurados no mundo. Passou um dia de reuni\u00f5es (num apartamento na avenida Paulista) com Carlos Marighella, baiano, e com Joaquim C\u00e2mara Ferreira (o Toledo), militantes hist\u00f3ricos \u00e0 \u00e9poca ainda no PCB, o Partid\u00e3o, mas j\u00e1 partid\u00e1rios da luta armada. Che queria apoio da esquerda brasileira para sua aventura que, imaginava, sonhava, seria o passo primeiro para uma grande revolu\u00e7\u00e3o popular na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Che saiu de S\u00e3o Paulo at\u00e9 Corumb\u00e1 num DKV do amigo arquiteto comunista Farid Helou, que havia morado um tempo em Cuba, depois da Revolu\u00e7\u00e3o dos barbudos de Sierra Maestra, vitoriosa em 1959 sob o comando de Fidel Castro, tendo como bra\u00e7o direito o m\u00e9dico argentino Ernesto Guevara de la Serna, o Che. O revolucion\u00e1rio, o guerrilheiro, a cabe\u00e7a pensante da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, o amigo fiel do Fidel, comandante.<\/p>\n<p>Che, certamente o quadro mais qualificado da Revolu\u00e7\u00e3o que derrubou Fulg\u00eancio Batista, foi embaixador do novo governo revolucion\u00e1rio cubano, dirigiu o Instituto Nacional de Reforma Agr\u00e1ria, presidiu o Banco Central (o Nacional) e o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, nomeado por Fidel. Em outubro de 1965, Che escreveu uma carta ao amigo, companheiro e comandante anunciando que estava deixando Cuba, sua ilha amada, para continuar, noutras plagas, sua luta, sua sina de plantador de sementes de liberdade, \u2018combatendo o imperialismo\u2019. Antes de decidir pela Am\u00e9rica do Sul, tentou em alguns pa\u00edses da \u00c1frica, sem \u00eaxito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PS: &#8211; Ernesto Che Guevara nasceu em Ros\u00e1rio, oficialmente em 14 de junho de 1928, de uma fam\u00edlia liberal, de posses. Uma alma aventureira, andarilha, inquieta, sonhadora. Um guerrilheiro pragm\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c Hay que erndurecerse pero<\/p>\n<p>sin perder la ternura<\/p>\n<p>jam\u00e1s!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>CARTA DE DESPEDIDA A FIDEL CASTRO \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Havana, ano da agricultura<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Fidel,<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Neste momento lembro-me de muitas coisas \u2013 de quando te conheci no M\u00e9xico, em casa de Maria Antonia, de quando me propuseste juntar-me a ti; de todas as tens\u00f5es causadas pelos preparativos &#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte, e a possibilidade real deste fato afetou todos n\u00f3s. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolu\u00e7\u00e3o ou se vence ou se morre (se a revolu\u00e7\u00e3o for aut\u00eantica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Hoje, tudo tem um tom menos dram\u00e1tico, porque estamos mais maduros. Mas os fatos repetem-se. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana no seu territ\u00f3rio e despe\u00e7o-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora \u00e9 meu.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, \u00e0 minha patente de Comandante e \u00e0 minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas la\u00e7os de outro tipo, que n\u00e3o se podem quebrar com nomea\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Fazendo o balan\u00e7o de minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedica\u00e7\u00e3o para consolidar o triunfo revolucion\u00e1rio. A minha \u00fanica falha grave foi n\u00e3o ter tido mais confian\u00e7a em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra, n\u00e3o ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de l\u00edder revolucion\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Vivi dias magn\u00edficos e, ao teu lado, senti orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a quest\u00e3o dos m\u00edsseis sovi\u00e9ticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me tamb\u00e9m de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princ\u00edpios.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Outras terras do mundo requerem os meus modestos esfor\u00e7os. Eu posso fazer aquilo que te \u00e9 vedado devido \u00e0 tua responsabilidade \u00e0 frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Quero que se saiba que o fa\u00e7o com um misto de alegria e dor. Deixo aqui as minhas mais puras esperan\u00e7as de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu esp\u00edrito.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Carregarei para novas frentes de batalha a f\u00e9 que me ensinaste, o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio do meu povo; a sensa\u00e7\u00e3o de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso me consola e mais do que isso cura as feridas mais profundas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a n\u00e3o ser aquela que prov\u00e9m do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros c\u00e9us, o meu \u00faltimo pensamento ser\u00e1 para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias dos meus atos; que estive sempre identificado com a pol\u00edtica externa da nossa revolu\u00e7\u00e3o e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucion\u00e1rio cubano, e como tal atuarei.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 N\u00e3o lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. N\u00e3o pe\u00e7o nada para eles, pois o Estado lhes dar\u00e1 o suficiente para viver e se educarem.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias palavras, elas n\u00e3o podem expressar o que eu desejaria; n\u00e3o vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 Hasta la victoria siempre ! P\u00e1tria o muerte!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Abra\u00e7o-te com todo o meu fervor revolucion\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Che<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Z\u00e9dejesusbarreto \/ out2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Pesquisa e texto de Z\u00e9dejesusbarreto) Meio s\u00e9culo depois de assassinado no interior da Bol\u00edvia, em 9 de outubro de 1967, os ideais revolucion\u00e1rios do guerrilheiro Ernesto Che Guevara continuam pulsantes, sobretudo nessa Latino-Am\u00e9rica ainda t\u00e3o desigual, polarizada e injusta. ** Como foi a execu\u00e7\u00e3o Quase um ano depois de ter se embrenhado com alguns companheiros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[3975,123,907,426],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67983"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67983"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67985,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67983\/revisions\/67985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}