{"id":67006,"date":"2018-02-03T05:53:52","date_gmt":"2018-02-03T08:53:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=67006"},"modified":"2018-02-03T08:35:46","modified_gmt":"2018-02-03T11:35:46","slug":"a-invasao-dos-sapos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2018\/02\/03\/a-invasao-dos-sapos\/","title":{"rendered":"A invas\u00e3o dos Sapos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<strong>Gerson Marques<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-67007\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/gerson-marques-225x300.jpg\" alt=\"gerson marques\" width=\"179\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/gerson-marques-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/gerson-marques.jpg 694w\" sizes=\"(max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/>Quando o castelhano Filipe de Guillem chegou aqui, fazia tr\u00eas anos que tinha come\u00e7ado a praga dos sapos, nestes tempos viviam em Ilh\u00e9us umas \u00a0oitenta almas, &#8211; \u00edndios e negros n\u00e3o contavam \u2013 em umas doze moradias quase todas no Outeiro de S\u00e3o Sebasti\u00e3o e em tr\u00eas engenhos de cana de a\u00e7\u00facar, eram habita\u00e7\u00f5es muito r\u00fasticas feitas de madeira, pedra, barro e palhas. A pequena igreja de Nossa Senhora e a Casa dos padres eram as edifica\u00e7\u00e3o mais importante da Vila, feitas em adobe ajuntados por uma esp\u00e9cie de cimento com areia, p\u00f3 de conchas, e \u00f3leo de baleia, n\u00e3o existia nem um padre morando por aqui, j\u00e1 que n\u00e3o restou um vivo na cidade depois que come\u00e7ou a praga dos sapos, o ultimo, Manoel de Andrade, havia morrido queimado na Santa Fogueira da Inquisi\u00e7\u00e3o, depois de enlouquecer atormentado com a invas\u00e3o dos anf\u00edbios batr\u00e1quios, como explicou Tertulino Alvarenga o coroinha da Par\u00f3quia, que \u00a0naqueles tempos era \u00fanica autoridade eclesial da comunidade.<\/p>\n<p>Segundo o relatado na missiva mandada ou Rei D. Jo\u00e3o III em 1539 \u00a0por Filipe Guillen, a Vila era o lugar mais parecido com o inferno que ele podia imaginar, se n\u00e3o fosse aqui o pr\u00f3prio Hades, Ilh\u00e9us nesta \u00e9poca vivia uma desola\u00e7\u00e3o completa, tomada por uma praga de sapos que invadiu todos os lugares, casas, ruas, igreja, planta\u00e7\u00f5es, e todo espa\u00e7o poss\u00edvel, a perturba\u00e7\u00e3o era potencializada pelo enorme barulho do coaxar incessante dia e noite, capaz de enlouquecer at\u00e9 um monge tibetano, o \u00fanico lugar da cidade que n\u00e3o tinha sapos era a praia.<\/p>\n<p>Essa trag\u00e9dia teria come\u00e7ado quando o fidalgo portugu\u00eas Jo\u00e3o de Tiba aportou na Vila vindo de Portugal em uma nau muito avariada depois de quatros meses e doze dias de navega\u00e7\u00e3o errante pelo Atl\u00e2ntico, seu destino era a Capitania de Porto Seguro, onde o donat\u00e1rio Pedro Tourinho, teria lhe ofertado uma enorme sesmaria, trazia na bagagem entre as coisas que pode salvar, ( j\u00e1 que metade dos pertences foram jogados ao mar para aliviar o peso e evitar naufr\u00e1gio certo), uma gaiola onde mantinha um rebanho de sapos, trinta f\u00eameas e seis machos, que, segundo Jo\u00e3o de Tiba, seria muito \u00fatil para comer besouros e todo tipo de inseto que infestavam as terras ainda virgens do Brasil.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Deixando sua carga mal arrumada no improvisado porto da Vila de S\u00e3o Jorge dos Ilh\u00e9us, enquanto consertava sua nau, Jo\u00e3o de Tiba teve sua gaiola de sapos surrupiado pelos moleques que viviam de mariscarem pelo cais, desta galhofa terminou que os sapos fugiram e passaram a habitar um brejo mal cheiroso que existia na altura de onde hoje \u00e9 a Pra\u00e7a Cair\u00fa no centro da cidade, deste brejo infestado de mosquitos os sapos se proliferaram de tal maneira que apenas um ano ap\u00f3s a malfadada passagem de Jo\u00e3o de Tiba, a pequena Vila foi tomada por uma sapaiada dos infernos tornando a vida aqui um supl\u00edcio.<\/p>\n<p>Um ano antes de sua tr\u00e1gica morte o padre Manoel Andrade, fechou a igreja entregando-a em definitivo aos sapos, principalmente depois que no domingo de P\u00e1scoa, os fi\u00e9is foram servidos com vinho de um barril infestado de anf\u00edbios, causando febre e dores intestinais em todos, dizem at\u00e9 que deste acontecimento nasceu a express\u00e3o \u201cengolindo sapos\u201d.<\/p>\n<p>O padre Manoel de Andrade, fui o ultimo de um grupo de cinco padres jesu\u00edtas que chegaram a Ilh\u00e9us por volta de 1536, destes, dois foram comidos por Botocudos quando catequizavam na regi\u00e3o do Gongogi, outro morreu afogado em um naufr\u00e1gio com a canoa que viajava afundando em uma tormenta na foz do Ita\u00edpe, e do outro corre a hist\u00f3ria de que teria se \u00a0achamegado com uma \u00cdndia e sumido para dentro da floresta, de quem nunca mais se teve not\u00edcias, assim s\u00f3 restou Manoel de Andrade, lusitano de nascimento da cidade de Aviedo, formado padre no famoso \u00a0Semin\u00e1rio Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o na cidade do Porto, chegou ao Brasil ainda novo, aqui tr\u00eas\u00a0 anos depois teria sido acometido da loucura dos sapos para uns, ou possu\u00eddo pelo diabo para outros, no caso os inquisidores da Igreja, \u00a0fato \u00e9 que o padre Manoel estava cada vez mais esquisito nos \u00faltimos tempos, atormentado pelo coaxar incessante de milhares de sapos dia e noite, sem conseguir dormir, nem comer foi definhando a cada dia, passava a vida trancado em um min\u00fasculo quarto, em rezas e penit\u00eancia, \u00a0tinha certeza que sua vida de pastor em Ilh\u00e9us era um castigo divino, por ter na inf\u00e2ncia cometido de forma excessiva o pecado da masturba\u00e7\u00e3o, os sinais da loucura por\u00e9m, \u00a0foram se apresentando aos poucos,\u00a0 primeiro quando rezava uma missa foi tomado por uma s\u00fabita crise, agarrando um sapo que repousava sobre a imagem de Nossa Senhora e devorando vivo, para horror dos fi\u00e9is, tempos depois, criou \u00a0uma campanha para coletar sapos em troca de b\u00ean\u00e7\u00e3os, que acumuladas em certa quantidade \u00a0permitiria ao fiel, em sua morte, ascender diretamente aos c\u00e9us sem a necess\u00e1ria passagem pelo purgat\u00f3rio, chegou a fazer uns escritos, \u201cduzentos sapos morte tranquila, trezentos sapos morte assistida por anjos, mais de quatrocentos passagem direta para o c\u00e9u ao lado de Deus\u201d. Um caso que entrou para hist\u00f3ria da Igreja, como a venda de indulg\u00eancia por sapos, assim foi denunciado ao conselho da inquisi\u00e7\u00e3o, onde terminou condenado por heresia a pena de perder a batina e morrer queimado em uma fogueira, levado em maio \u00a0para Portugal em um gale\u00e3o da marinha real, foi queimado em dezembro de 1539.<\/p>\n<p>Desta \u00e9poca tamb\u00e9m ficou conhecido o caso da jovem In\u00e1cia Maria de Giraldes, filha do fidalgo portugu\u00eas e dono do engenho S\u00e3o Jos\u00e9, no Rio das Cachoeiras, Henrique Luiz de Giraldes, que tamb\u00e9m foi levada a loucura em um mundo cercado de sapos, a mo\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o nobre e descend\u00eancia de linhagem importante na corte, passou a andar nua pelas ruas em pavorosos gritos e gestos, no que logo foi acusada de estar possu\u00edda, em uma noite de lua cheia caminhou ao mar em marcha reta at\u00e9 desaparecer nas \u00e1guas deixando grande desola\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A esta altura muitos moradores da Vila j\u00e1 haviam se mudado para improvisadas choupanas constru\u00eddas nas praias, aos poucos uma nova e muito improvisada cidade estava se formando na areia do mar o \u00fanico local onde podiam viver longe de sapos.<\/p>\n<p>Apesar da alegada intimidade com D. Jo\u00e3o III, o castelhano Filipe Guillen, o mais novo morador de Ilh\u00e9us era na verdade um deportado, vindo parar aqui depois de se envolver em um intrigado caso na corte, onde teria passado a perna no rei em um golpe que ficou conhecido como o caso do astrol\u00e1bio, quando ele convenceu D. Jo\u00e3o III, ter sido o inventor do famoso instrumento que revolucionou a navega\u00e7\u00e3o,\u00a0 recebendo por isso, uma vultosa continha, meses depois foi \u00a0desmascarado pelo grande astr\u00f3logo e matem\u00e1tico portugu\u00eas Sim\u00e3o Fernandes, ao\u00a0 provar que o instrumento j\u00e1 havia sido inventado pelos gregos, aperfei\u00e7oado por Hip\u00e1tia de Alexandria e depois pelos \u00e1rabes alguns s\u00e9culos antes, o que gerou a pena de deporta\u00e7\u00e3o para Felipe, primeiro para Goa a col\u00f4nia portuguesa na \u00cdndia e depois para o Brasil. Felipe Guillen, nasceu na Andaluzia em 1487 era uma figura de grande eloqu\u00eancia e muito famoso no reino, douto na matem\u00e1tica, astr\u00f3logo, qu\u00edmico, ge\u00f3logo, troveiro o que equivalia a um m\u00fasico, e ex\u00edmio jogador de xadrez, teve sua\u00a0 hist\u00f3ria em Portugal relatada na obra do poeta Gil Vicente, pode-se dizer que Filipe foi uma das figuras mais importantes a morar em Ilh\u00e9us em todos os tempos.<\/p>\n<p>Muito incomodado com a sapaiada em sua volta e com os acontecimentos, de loucura e morte que come\u00e7avam a acontecer, \u00a0alegando ter recebido ordens real para por fim a invas\u00e3o dos anf\u00edbios batr\u00e1quios, pois Filipe a estudar uma solu\u00e7\u00e3o fazendo diversas experi\u00eancias, certa feita mandou juntar todos os sapos poss\u00edveis em um buraco onde fez explodir uma poderosa bomba feita com p\u00f3lvora e bambu, a experi\u00eancia foi um desastre, espalhou peda\u00e7os de sapos por toda Vila, uma calda pegajosa e fedorenta de sangue e carne de sapo, que fez as pessoas reviraram o est\u00f4mago, at\u00e9 na areia da praia o \u00fanico lugar que n\u00e3o tinha sapos choveu aquela calda gosmenta, o que era muito ruim ficou ainda muito pior, por pouco Filipe n\u00e3o foi expulso da Vila, s\u00f3 foi salvo mesmo por sua alegada amizade com o Rei.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o dif\u00edcil que nem rezas, nem prociss\u00f5es, promessas e\u00a0 devo\u00e7\u00e3o estava surtindo efeito, a infesta\u00e7\u00e3o de sapos n\u00e3o diminu\u00eda e assim estava a tr\u00eas anos e meio quando Filipe preparou nova experi\u00eancia. Desta feita recrutou um grupo de \u00edndios e pois a fazer uma mistura l\u00edquida com mandioca brava, l\u00edrio trombeta de anjo e \u00f3leo de mamona, tamanha concentra\u00e7\u00e3o de veneno seria capaz de matar um ex\u00e9rcito inteiro, disse Filipe durante os servi\u00e7os de cozimento da calda ultra venenosa, ao final do dia, sob grande expectativa e plateia, puseram ele e seu pequeno ex\u00e9rcito de \u00edndios a melar todos os lugares, ruas, brejos, casas igreja e \u00e1rvores com a calda de vegetais venenosos, de imediato a sapaiada ficou paralisada, inerte e em sil\u00eancio, parou o infernal coral dos coaxados, e foi poss\u00edvel sentir um sil\u00eancio enorme que tomou a Vila, um al\u00edvio como a muito n\u00e3o se via, gerando alegria em todos, j\u00e1 \u00a0fazia anos que n\u00e3o se ouvia o sil\u00eancio nesta terra, mas Filipe notou que os sapos n\u00e3o morreram, nem se espantaram fugindo como era de se esperar, do silencioso al\u00edvio passou para um perturbador assombro, conclu\u00edram por\u00e9m, \u00a0que o veneno levaria um tempo para fazer efeito, naquela noite todos foram dormir em suas casas pela primeira vez, depois de anos dormindo na areia da praia, \u00a0desfrutando do silencio que parecia ter o inferno virado c\u00e9u e na certeza de que ao amanhecer todos os sapos estariam mortos.<\/p>\n<p>Qual n\u00e3o foi a surpresa que abismou a todos, logo nos primeiros raios do dia, Filipe e todos demais moradores constataram que a sapaiada n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o morreu, como estavam todos vivendo em fren\u00e9tica pr\u00e1tica sexual, uma orgia digna de Bacon, em que bebiam a calda envenenada de Felipe e se punham a cruzar intensamente, o invento de Filipe teve um efeito contr\u00e1rio, serviu \u00a0de estimulante sexual para os anf\u00edbios batr\u00e1quios, que pelo visto iriam se multiplicar muito nos pr\u00f3ximos dias piorando definitivamente a situa\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o da comunidade contra Filipe foi imediata, trataram de prende-lo em um navio que estava no cais e prepara seu deporto para Portugal, ficaria ainda pior, quando chegou a not\u00edcia de que tr\u00eas idosos da Vila, na inten\u00e7\u00e3o de terem o apetite sexual retomado depois que a velhice lhes consumiu a energia, \u00a0morrerem subitamente depois de beber a maldita calda venenosa, que pelo jeito s\u00f3 funcionava nos sapos.<\/p>\n<p>O desespero j\u00e1 tomava conta de todos, sem verem uma sa\u00edda para tamanha tormenta, \u00a0quando um garoto de pouco mais de doze anos, de nome Catussadas, fez uma singela pergunta, t\u00e3o simples e inteligente que\u00a0 nela mesmo continha a resposta e a solu\u00e7\u00e3o. \u201cPorque os sapos n\u00e3o gostam do mar?\u201d \u00a0N\u00e3o tardou nem um minuto e logo todos os moradores se puseram a correr com barris de madeira ao mar, pegar a \u00e1gua salgada e jogar nos sapos que fugiam em retirada assustados ou tinham morte imediata em contato com o sal.<\/p>\n<p>Em poucas horas n\u00e3o restava um sapo mais na Vila e o garoto Catussadas viveria assim seu primeiro momento de her\u00f3i, anos depois se tornaria novamente um her\u00f3i em outra guerra onde mais uma vez salvou sua Ilh\u00e9us, mas est\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Gerson Marques \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Gerson Marques Quando o castelhano Filipe de Guillem chegou aqui, fazia tr\u00eas anos que tinha come\u00e7ado a praga dos sapos, nestes tempos viviam em Ilh\u00e9us umas \u00a0oitenta almas, &#8211; \u00edndios e negros n\u00e3o contavam \u2013 em umas doze moradias quase todas no Outeiro de S\u00e3o Sebasti\u00e3o e em tr\u00eas engenhos de cana de a\u00e7\u00facar, eram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[14589],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67006"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67006"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67009,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67006\/revisions\/67009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}