{"id":65749,"date":"2017-08-05T07:36:40","date_gmt":"2017-08-05T10:36:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=65749"},"modified":"2017-08-04T09:42:55","modified_gmt":"2017-08-04T12:42:55","slug":"mandioca-o-exemplo-que-vem-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2017\/08\/05\/mandioca-o-exemplo-que-vem-do-sul\/","title":{"rendered":"Mandioca, o exemplo que vem do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-65750\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-225x300.jpg\" alt=\"Walmir Ros\u00e1rio\" width=\"185\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 185px) 100vw, 185px\" \/>Na minha rotina di\u00e1ria em busca de boas informa\u00e7\u00f5es, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba \u2013 jornal que reputo como um dos melhores do pa\u00eds \u2013 uma mat\u00e9ria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florian\u00f3polis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com card\u00e1pio tipicamente nordestino e os pratos s\u00e3o de dar \u00e1gua na boca: feitos com mandioca, macaxeira ou aipim, nome dado conforme a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Bem que poder\u00edamos dispor de um restaurante deste estilo aqui por nossa Bahia, mas pelo que j\u00e1 pesquisei, ainda n\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel degustarmos todas essas especialidades, com incurs\u00f5es em pratos da cultura japonesa, francesa, e por pa\u00edses afora. Gostas de sushi? O arroz, prefer\u00eancia dos nossos amigos japoneses \u00e9 substitu\u00eddo por tapioca. Pelo que informa a reportagem, fica uma del\u00edcia.<\/p>\n<p>A Oka de Man\u00ed (nome do restaurante) foi idealizado pelo casal de cearenses Samilla Paiva e Roberto Duarte para trabalhar exclusivamente com a mat\u00e9ria-prima mandioca, raiz 100% brasileira. Mais do que uma tapiocaria, o restaurante se destaca pelo mix culin\u00e1rio ao gosto da grande maioria dos clientes, inclusive daqueles que t\u00eam restri\u00e7\u00f5es ao uso do gl\u00faten na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se os pratos agradam aos mais exigentes paladares, as bebidas n\u00e3o ficam longe disso e as cacha\u00e7as feitas a partir da mandioca tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o se incorporando aos mais exigentes paladares dos manezinhos (como s\u00e3o conhecidos os nativos da ilha) outros moradores e visitantes. Elas s\u00e3o trazidas do Par\u00e1, como de jambu, respons\u00e1vel pelo famoso formigamento do paladar, e a tiquina, cacha\u00e7a de mandioca curtida na folha de tangerina, trazida do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Eu poderia escrevinhar mais algumas dezenas de mal tra\u00e7adas linhas sobre a gastronomia \u2013 o que muito me apraz \u2013 mas aqui o que interessa \u00e9 mostrar que poderemos utilizar coisas nossas com sucesso. E, mas que isso, contribuir para o desenvolvimento de nossa agricultura, com resultados econ\u00f4micos altamente positivos para todo o Brasil, substituindo o trigo, por exemplo.<\/p>\n<p>De antem\u00e3o, aviso: n\u00e3o sou contra a importa\u00e7\u00e3o desse produto que ainda n\u00e3o somos autossuficientes. Nada de xenofobia contra os \u201chermanos\u201d argentinos ou outros que exportem esse produto, pelo contr\u00e1rio, gosto de p\u00e3es e macarr\u00f5es fabricados com o trigo, famoso at\u00e9 na B\u00edblia Sagrada. Trago no DNA a lembran\u00e7a das culturas portuguesa e italiana, tanto que n\u00e3o dispenso massas em geral, notadamente uma boa pizza.<\/p>\n<p>Na verdade, me refiro \u00e0s quest\u00f5es econ\u00f4micas e a tecnologia que dispomos para substituir o trigo \u2013 ou pelo menos parte dele \u2013 na nossa riqu\u00edssima culin\u00e1ria, t\u00e3o criativa, gostosa e capaz de agradar paladares de todo o mundo. E a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) j\u00e1 provou, atrav\u00e9s das pesquisas dos seus cientistas, que isso \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O p\u00e3o nosso de cada dia \u00e9 um belo exemplo e poderia ser adquirido nas padarias mais conceituadas de nosso pa\u00eds a pre\u00e7os mais baixos, caso fosse introduzida a farinha de mandioca na sua feitura. Com essa provid\u00eancia, n\u00e3o ter\u00edamos que ouvir, ver e ler na imprensa que a alta do pre\u00e7o de nossos p\u00e3ezinhos \u00e9 apenas consequ\u00eancia do reajuste do pre\u00e7o do trigo. Nos livrar\u00edamos desse lugar comum.<\/p>\n<p>Garantem os pesquisadores que a mudan\u00e7a ou introdu\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca em nada alteraria o paladar do p\u00e3o, o que \u00e9 uma not\u00edcia alvissareira para quem n\u00e3o dispensa o seu consumo di\u00e1rio. A adi\u00e7\u00e3o de f\u00e9cula de mandioca \u00e0 farinha de trigo \u00e9 tecnicamente poss\u00edvel, como j\u00e1 ficou comprovado e demonstrado pa\u00eds afora, e a f\u00e9cula atuaria na mistura como um diluidor do gl\u00faten presente no trigo.<\/p>\n<p>Mas o que a ci\u00eancia foi capaz de demonstrar, os pol\u00edticos foram mestres em esconder, atrapalhar, n\u00e3o se sabe com qual interesse, mas \u00e9 certo que a mistura da f\u00e9cula de mandioca ao trigo para a confec\u00e7\u00e3o dos p\u00e3ezinhos foi vetada pelo presidente Lula e o veto mantido pelo Congresso que antes aprovara o projeto. E o argumento utilizado pelo presidente foi o mais p\u00edfio de todos, conforme se l\u00ea no pr\u00f3ximo par\u00e1grafo.<\/p>\n<p>\u201cDe que haver\u00e1 grande dificuldade para a comprova\u00e7\u00e3o pelo poder p\u00fablico da garantia de que o produto a ser adquirido tenha a composi\u00e7\u00e3o proposta. No limite haver\u00e1 necessidade de an\u00e1lise laboratorial. Como a produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 distinta quando destinada ao governo ou ao mercado tradicional, os moinhos ter\u00e3o que preparar lotes espec\u00edficos o que tender\u00e1 a aumentar o custo e o pre\u00e7o do produto, sobretudo se os volumes de compra n\u00e3o forem muito elevados\u201d. Nada mais enganador.<\/p>\n<p>Como ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comermos nosso p\u00e3ozinho ou outros tipos de massa misturados com o trigo, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 torcer para que exemplos como esse do casal de cearenses em Florian\u00f3polis sejam multiplicados por todo o pa\u00eds. Acredito que seja por isso que diz aquele ditado: \u201cO governo nos ajudaria muito se pelo menos n\u00e3o nos atrapalhassem\u201d.<\/p>\n<p>Nem mesmo a atabalhoada declara\u00e7\u00e3o de amor incondicional de Dilma Rousseff pela mandioca foi suficiente para que seus subprodutos tivessem melhor sorte na economia. Ainda n\u00e3o sei o porqu\u00ea, mas acredito que nossa presidenta deposta ainda n\u00e3o estava bastante segura se a mandioca era um tub\u00e9rculo ou uma planta tuberosa.<\/p>\n<p>Mandioca neles!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Radialista, jornalista e advogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Publicado originalmente no www.costasulfm.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio \u00a0Na minha rotina di\u00e1ria em busca de boas informa\u00e7\u00f5es, encontrei na Gazeta do Povo, de Curitiba \u2013 jornal que reputo como um dos melhores do pa\u00eds \u2013 uma mat\u00e9ria sobre gastronomia, abordando um restaurante em Florian\u00f3polis (Santa Catarina). O restaurante trabalha com card\u00e1pio tipicamente nordestino e os pratos s\u00e3o de dar \u00e1gua na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[19288,5290],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65749"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65749"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65751,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65749\/revisions\/65751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}