{"id":655,"date":"2010-04-27T08:42:00","date_gmt":"2010-04-27T11:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/27\/a-mae\/"},"modified":"2010-04-27T08:42:00","modified_gmt":"2010-04-27T11:42:00","slug":"a-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/27\/a-mae\/","title":{"rendered":"A M\u00c3E"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S9bN6Bdj3dI\/AAAAAAAABH8\/Fk-x5qUwxbQ\/s1600\/a+m%C3%A3e.png\"><img style=\"float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 193px; height: 315px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S9bN6Bdj3dI\/AAAAAAAABH8\/Fk-x5qUwxbQ\/s320\/a+m%C3%A3e.png\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5464781594569203154\" \/><\/a><\/p>\n<p> Algumas m\u00e3es, de t\u00e3o devotadas, costumam dar a vida pelos filhos. <\/p>\n<p>O instinto maternal se manifesta de forma t\u00e3o intensa que eles n\u00e3o hesitam em submeter-se ao sacrif\u00edcio para preservar aqueles a quem, numa das mais sublimes manifesta\u00e7\u00f5es da natureza, deram a vida.<\/p>\n<p>M\u00e3es, invariavelmente, sonham que seus filhos e filhas se tornar\u00e3o homens e mulheres respeit\u00e1veis e levar\u00e3o uma vida digna.<\/p>\n<p> M\u00e3es, se pudessem, teriam seus filhos e filhas junto delas, como se fossem eternamente crian\u00e7as necessitando de afeto e prote\u00e7\u00e3o, como se o ciclo da vida ficasse paralisado, quando na verdade segue seu curso natural. <br \/> \u00c9 de se imaginar, portanto, a dor de uma m\u00e3e quando um filho se desvia do caminho que ela  idealizou.<\/p>\n<p> Mais do que isso, quando o filho se transforma em amea\u00e7a.<\/p>\n<p> Foi isso que o aconteceu num epis\u00f3dio ocorrido em Itabuna, exemplar pela desagrega\u00e7\u00e3o que a droga, especialmente o crack, vem provocando como fator de desestrutura familiar.  <\/p>\n<p> Primeiro, a m\u00e3e percebeu que o filho, at\u00e9 ent\u00e3o um dedicado estudante de uma das mais rigorosas escolas p\u00fablicas de Itabuna, estava mudando de comportamento. <\/p>\n<p> O  menino carinhoso se tornara ausente e at\u00e9 agressivo com ela.<\/p>\n<p> Abandonou a escola e passou a andar naquilo que m\u00e3es zelosas costumam definir vagamente como \u201cm\u00e1s companhias\u201d.<\/p>\n<p>           N\u00e3o demorou muito para ela descobrir que o filho, de 17 anos, estava viciado em  crack e, pior, acumulando d\u00edvidas com traficantes, que t\u00eam o h\u00e1bito nada ortodoxo de quitar esse tipo de d\u00e9bito com a execu\u00e7\u00e3o do devedor. Por \u201cexecu\u00e7\u00e3o\u201d, entenda-se assassinato. <\/p>\n<p> A m\u00e3e fez um imenso sacrif\u00edcio e pagou um d\u00e9bito de R$ 800,00 que o filho tinha com o tr\u00e1fico, mas novas d\u00edvidas foram contra\u00eddas.<\/p>\n<p>         Quando os apelos para que largasse o v\u00edcio se tornaram in\u00fateis, a m\u00e3e, num gesto de desespero, avisou que iria procurar a pol\u00edcia.<\/p>\n<p> \u201cSe voc\u00ea fizer isso, eu te dou um tiro na cara\u201d, foi a resposta do filho.<\/p>\n<p> O rapaz n\u00e3o estava blefando.<\/p>\n<p> Ao encontrar um rev\u00f3lver no quarto do filho, ela constatou que ele havia subido mais um perigoso degrau na escala natural do v\u00edcio: ele provavelmente estava cometendo assaltos para conseguir dinheiro ou qualquer objeto (rel\u00f3gios, celulares, t\u00eanis, etc.) para trocar pelas pedras de crack.<\/p>\n<p> Deve ter percebido tamb\u00e9m que a express\u00e3o \u201ceu te dou um tiro na cara\u201d n\u00e3o era apenas um desabafo de quem j\u00e1 perdeu qualquer respeito pele m\u00e3e. <\/p>\n<p>Era uma amea\u00e7a real.<\/p>\n<p>T\u00e3o real que, ao dar pela falta do rev\u00f3lver, que a m\u00e3e havia escondido, o rapaz passou a quebrar objetos da casa e a agredi-la fisicamente.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o: a m\u00e3e chamou a pol\u00edcia e entregou o pr\u00f3prio filho. Como \u00e9 menor e n\u00e3o pode ficar preso, ela pediu que ele seja internado num centro de reabilita\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00e3o de efeito duvidoso, mas que se apresenta como \u00fanica alternativa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 melhor ver meu filho preso do que ver ele morto\u201d, desabafou a m\u00e3e, incapaz de admitir (de novo pelo instinto maternal) de que nessa hist\u00f3ria havia grandes chances de que poderia morrer pelas m\u00e3os do filho a quem deu a vida.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria da vida real, que se repete \u00e0 exaust\u00e3o, s\u00f3 ter\u00e1 fim quando as autoridades (in)competentes e a sociedade (d\u00eas)organizada se derem conta de que o crack \u00e9 um caso de calamidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Uma imensa, amea\u00e7adora, e devastadora calamidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas m\u00e3es, de t\u00e3o devotadas, costumam dar a vida pelos filhos. 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