{"id":646,"date":"2010-04-16T08:39:00","date_gmt":"2010-04-16T11:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/16\/uma-segunda-e-talvez-derradeira-chance\/"},"modified":"2010-04-16T08:39:00","modified_gmt":"2010-04-16T11:39:00","slug":"uma-segunda-e-talvez-derradeira-chance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/16\/uma-segunda-e-talvez-derradeira-chance\/","title":{"rendered":"Uma segunda (e talvez derradeira) chance"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S8hMxNs76oI\/AAAAAAAABGM\/raPdJd6L4eM\/s1600\/foto+porto+sul.JPG\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S8hMxNs76oI\/AAAAAAAABGM\/raPdJd6L4eM\/s320\/foto+porto+sul.JPG\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5460698956562164354\" \/><\/a><\/p>\n<p> Em alguns momentos da primeira metade do s\u00e9culo passado as imensas riquezas geradas pela produ\u00e7\u00e3o de cacau criaram todas as condi\u00e7\u00f5es para que uma parte desses recursos fosse aplicada em projetos de diversifica\u00e7\u00e3o, permitindo um duradouro  processo de desenvolvimento e bem estar social, algo imposs\u00edvel de ocorrer quando se vive da monocultura, por mais lucrativo que o produto seja.<\/p>\n<p>Ou aparente ser.<\/p>\n<p> O fato \u00e9 que, por falta de vis\u00e3o ou pela ilus\u00e3o de que aquelas riquezas seriam eternas, aliadas a uma not\u00f3ria aus\u00eancia de esp\u00edrito coletivo, as raras iniciativas no sentido de se evitar a extrema depend\u00eancia do cacau se mostraram ineficientes. <\/p>\n<p> O resultado \u00e9 que quando a crise provocada pela vassoura-de-bruxa se  revelou mais devastadora do que todas as outras crises, o Sul da Bahia mergulhou num abismo  e viu sua economia reduzida a frangalhos.<\/p>\n<p> As conseq\u00fc\u00eancias foram e ainda s\u00e3o vis\u00edveis: produtores descapitalizados, centenas de propriedades rurais relegadas ao abandono, desemprego em larga escala, empobrecimento das pequenas e m\u00e9dias cidades e cria\u00e7\u00e3o de bols\u00f5es de mis\u00e9ria nas periferias, cada vez mais carentes e violentas, de Ilh\u00e9us e Itabuna.<\/p>\n<p> Mesmo com um processo de recupera\u00e7\u00e3o a partir dos primeiros anos deste s\u00e9culo, com a expans\u00e3o do turismo e de um incipiente p\u00f3lo de inform\u00e1tica em Ilh\u00e9us e da consolida\u00e7\u00e3o dos p\u00f3los de com\u00e9rcio, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, sa\u00fade e ensino superior em Itabuna, ainda existe uma imensa demanda por empregos, que resultariam numa vida mais digna para milhares de pessoas.<\/p>\n<p> E eis que o Sul da Bahia se v\u00ea diante de uma segunda chance de encontrar o caminho do desenvolvimento, com a implanta\u00e7\u00e3o de projetos importantes como o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste, cujos benef\u00edcios n\u00e3o se limitar\u00e3o apenas a Ilh\u00e9us, mas se estender\u00e3o aos demais munic\u00edpios do Sul da Bahia.<\/p>\n<p> O porto e a ferrovia far\u00e3o da regi\u00e3o um p\u00f3lo industrial, al\u00e9m de aquecer outros setores da economia, criando as bases para um novo ciclo de desenvolvimento. S\u00e3o obras capazes de ter, para o Sul da Bahia, o mesmo impacto que o P\u00f3lo Petroqu\u00edmico teve para a Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador. <\/p>\n<p> Mais eis que, em vez de gerar uma ampla mobiliza\u00e7\u00e3o de todos os segmentos regionais, em fun\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas oportunidades que oferecem, a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul enfrentam a resist\u00eancia de alguns setores, a exemplo dos ambientalistas e alguns hoteleiros, que num misto de m\u00e1 f\u00e9, desinforma\u00e7\u00e3o e interesses inconfess\u00e1veis, tentam transformar o porto e a ferrovia numa vers\u00e3o grapiuna do apocalipse, como se em vez de progresso e desenvolvimento, eles fossem trazer destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Em nome de uma causa justa, a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, esses setores est\u00e3o usando todos os artif\u00edcios para barrar os projetos, como se fosse poss\u00edvel, em fun\u00e7\u00e3o das r\u00edgidas leis ambientais de hoje, realizar obras de tamanha envergadura sem os necess\u00e1rios estudos e as compensa\u00e7\u00f5es por eventuais danos, m\u00ednimos se comparados aos benef\u00edcios que o Porto Sul e a Ferrovia Oeste Leste proporcionar\u00e3o.<\/p>\n<p> O debate \u00e9 necess\u00e1rio, salutar e contribui para que sejam dadas todas as garantias para que os impactos ambientais sejam m\u00ednimos e compens\u00e1veis.<\/p>\n<p> J\u00e1 a radicaliza\u00e7\u00e3o em nome de uma causa (ser\u00e1 que \u00e9 apenas isso?) \u00e9 conden\u00e1vel, numa regi\u00e3o que n\u00e3o pode se dar um luxo de desperdi\u00e7ar essa segunda e talvez derradeira chance, em nome de uns poucos caranguejos, uma penca de guaiamuns, meia d\u00fazia de siris e um peda\u00e7o de mata.<\/p>\n<p> Ou ser\u00e1 que eles s\u00e3o mais importantes do que os milhares de pais de fam\u00edlia que est\u00e3o a\u00ed, a espera de um emprego que lhes permita viver com dignidade e quem sabe, num domingo de sol, desfrutar com os amigos as decantadas praias e as maravilhas naturais de Ilh\u00e9us?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em alguns momentos da primeira metade do s\u00e9culo passado as imensas riquezas geradas pela produ\u00e7\u00e3o de cacau criaram todas as condi\u00e7\u00f5es para que uma parte desses recursos fosse aplicada em projetos de diversifica\u00e7\u00e3o, permitindo um duradouro processo de desenvolvimento e bem estar social, algo imposs\u00edvel de ocorrer quando se vive da monocultura, por mais lucrativo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}