{"id":640,"date":"2010-04-07T16:45:00","date_gmt":"2010-04-07T19:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/07\/rio-de-janeiro-aguas-de-abril\/"},"modified":"2010-04-07T16:45:00","modified_gmt":"2010-04-07T19:45:00","slug":"rio-de-janeiro-aguas-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/04\/07\/rio-de-janeiro-aguas-de-abril\/","title":{"rendered":"Rio de Janeiro, \u00e1guas de abril"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S7zhRu5rGLI\/AAAAAAAABFc\/dzXC1fvz9jM\/s1600\/diluvio+2.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S7zhRu5rGLI\/AAAAAAAABFc\/dzXC1fvz9jM\/s320\/diluvio+2.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5457484543230154930\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201cO Rio todinho debaixo d&#8217;agua &#8211; vergonhoso &#8211; onde j\u00e1 se viu uma cidade deste tamanho sumir debaixo d&#8217;agua? Est\u00e1  parecendo New Orleans, nos Estados Unidos ap\u00f3s a passagem do furac\u00e3o Katrina. Os pobres nadando e os ricos l\u00e1 longe nas suas ch\u00e1caras. Est\u00e3o falando em 2000 desabrigados. E a multid\u00e3o que j\u00e1 estava morando na rua? Foi parar onde? Vi crian\u00e7as descal\u00e7as sendo enxotadas do metr\u00f4 para o dil\u00favio. Aqui em casa a luz vai e vem &#8211; vai baixando, baixando at\u00e9 quase apagar, a\u00ed vai subindo como se o dia tivesse amanhecendo. As linhas de telefones est\u00e3o todas congestionadas,  fora do ar. Sil\u00eancio completo, nem um ru\u00eddo de tr\u00e2nsito &#8211; parece o interior &#8211; um c\u00e3o latindo, o grito de algu\u00e9m.   Bizarro. Um imenso sil\u00eancio diante das provas mais contundentes da falta de qualquer investimento na infra-estrutura da cidade\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O relato acima \u00e9 de cineasta inglesa Vik Birkbeck, que h\u00e1 30 anos mora e trabalha no Rio de Janeiro, e reflete a indigna\u00e7\u00e3o com as seguidas trag\u00e9dias que se abatem sobre a Cidade Maravilhosa, a mais recente delas o dil\u00favio de propor\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que deixou mais de 100 mortos e instalou o caos numa das maiores metr\u00f3poles brasileiras.<\/p>\n<p>Um Rio de \u00e1gua, lama, deslizamentos de morros, barracos e casas destru\u00eddas, tr\u00e2nsito parado, v\u00f4os cancelados, energia interrompida, servi\u00e7os urbanos suspensos e mortes, muitas mortes.<\/p>\n<p>Um Rio que se orgulha de ser a sede dos principais jogos e da final da Copa do Mundo de 2014 e das Olimp\u00edadas de 2016, mas que, paradoxalmente, n\u00e3o consegue evitar, ou ao menos reduzir, os estragos e as mortes causadas por trag\u00e9dias mais do que previs\u00edveis e que vem se repetindo com espantosa freq\u00fc\u00eancia. <\/p>\n<p>O que ocorreu nas \u00faltimas 48 horas no Rio de Janeiro foi uma quase inacredit\u00e1vel conjun\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos naturais, que resultou no maior temporal sobre a cidade em quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se pode, nem se deve imputar a culpa \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia que atingiu o Rio de Janeiro e seus habitantes \u00e9 fruto da falta de planejamento urbano e da aus\u00eancia do compromisso de suas autoridades com obras de infra-estrutura, que raramente resultam em votos, ao contr\u00e1rio das chamadas obras fara\u00f4nicas, de muito impacto visual e pouco efeito pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o demogr\u00e1fica, a escalada irrefre\u00e1vel rumo aos morros, a ocupa\u00e7\u00e3o desenfreada de \u00e1reas de mata, a destrui\u00e7\u00e3o de florestas e a completa aus\u00eancia do poder p\u00fablico criam todas as condi\u00e7\u00f5es para que o impacto dos fen\u00f4menos naturais se multiplique, gerando mortes e destrui\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p>O homem, muito por conta dos homens que ele elege, acaba sendo v\u00edtima daquilo que ele mesmo provoca, numa rea\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o raro, um efeito devastador.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro que afunda e se afoga nas \u00e1guas de abril, \u00e9 um pouco do retrato do Brasil, em que planejamento e preven\u00e7\u00e3o parecem palavras perdidas no dicion\u00e1rio das autoridades, que s\u00f3 se mobilizam quando a cat\u00e1strofe j\u00e1 \u00e9 um fato consumado.<\/p>\n<p>Diante das pr\u00f3ximas chuvas, no Rio de Janeiro e em tantas outras cidades brasileiras, a d\u00favida \u00e9 saber quem ser\u00e3o as pr\u00f3ximas v\u00edtimas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Rio todinho debaixo d&#8217;agua &#8211; vergonhoso &#8211; onde j\u00e1 se viu uma cidade deste tamanho sumir debaixo d&#8217;agua? 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