{"id":63957,"date":"2017-06-17T08:00:12","date_gmt":"2017-06-17T11:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=63957"},"modified":"2017-06-16T15:16:22","modified_gmt":"2017-06-16T18:16:22","slug":"sem-perder-o-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2017\/06\/17\/sem-perder-o-rumo\/","title":{"rendered":"Sem perder o rumo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Gerson Marques<\/p>\n<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-63958\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gerson-marques1-225x300.jpg\" alt=\"gerson marques\" width=\"167\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gerson-marques1-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/gerson-marques1.jpg 694w\" sizes=\"(max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/>Em 26 de mar\u00e7o de 2010, o presidente Lula e o governador Wagner, assinaram em Ilh\u00e9us a licita\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o da Ferrovia Oeste\/Leste \u2013 Fiol, parte de um complexo que ainda inclu\u00eda a constru\u00e7\u00e3o de um porto em parceria p\u00fablico privado \u2013 PPP.<\/p>\n<p>Passado sete anos os projetos n\u00e3o se conclu\u00edram, a ferrovia com menos de cinquenta por cento de suas obras realizadas, encontra-se parada, e o porto n\u00e3o chegou a sair do papel.<\/p>\n<p>Neste momento, o governo do estado tenta uma sa\u00edda via a empresa \u00a0China Railway Engeneering Group (Creg), uma gigante asi\u00e1tica que j\u00e1 vem comprando projetos parecidos na Am\u00e9rica do Sul. A situa\u00e7\u00e3o por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, o governo da Bahia trabalha na estrutura\u00e7\u00e3o de uma nova modelagem do neg\u00f3cio e antes de assinar com os chineses, \u00a0depende ainda da aprova\u00e7\u00e3o no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o do projeto no entanto, abriu uma janela de oportunidades para um debate mais qualificado e produtivo, sobre o modelo de desenvolvimento regional, principalmente um debate constru\u00eddo aqui, envolvendo as lideran\u00e7as e intelig\u00eancias locais.<\/p>\n<p>O Sul da Bahia, como j\u00e1 disse, em outro artigo \u00e9 uma pobre regi\u00e3o rica, apesar de ter um cem n\u00fameros de possibilidades, n\u00e3o consegue consolidar de forma efetiva nem uma, depois de perder o cacau como fonte \u201cinfinita\u201d de riqueza, n\u00e3o viu a industrializa\u00e7\u00e3o se efetivar, n\u00e3o se tornou um p\u00f3lo comercial para al\u00e9m das fronteiras, n\u00e3o \u00e9 um destino tur\u00edstico relevante e nem um centro de servi\u00e7os de referencia.<\/p>\n<p>Essencialmente, o Sul da Bahia sofre de uma crise estrutural, associado \u00e0 aus\u00eancia de projetos estruturantes, capazes de redesenhar o modelo de desenvolvimento, principalmente de projetos que se complementem e dialoguem entre si, sem perder referencias j\u00e1 consolidadas como o patrim\u00f4nio ambiental extremamente significante, uma rede de ensino superior em franco processo de expans\u00e3o, assim como uma oferta log\u00edstica, razo\u00e1vel e j\u00e1 estruturada.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A necessidade de construir aqui este debate, al\u00e9m de refletir melhor a vis\u00e3o de quem vive e trabalha na regi\u00e3o, evitaria as armadilhas conhecidas dos projetos pensados em escrit\u00f3rios distantes por mentes mirabolantes, que imaginam serem Deus, e donos de solu\u00e7\u00f5es explicadas em planilhas.<\/p>\n<p>Nossas respostas precisam por exemplo considerar e contemplar, a realidade de mais de trinta mil jovens desempregados s\u00f3 no eixo Ilh\u00e9us \/ Itabuna, a aus\u00eancia de saneamento b\u00e1sico que se constitui em uma trag\u00e9dia ambiental e social muito grave, o baixo n\u00edvel educacional nos ensinos b\u00e1sico e fundamental, com alto \u00edndice de evas\u00e3o escolar, e a \u00a0inefici\u00eancia da m\u00e3o de obra, situa\u00e7\u00f5es que somadas levam a regi\u00e3o a se posicionar sempre entre os campe\u00f5es nacionais de viol\u00eancia, da falta de sa\u00fade e geradora de migrantes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o existe solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, n\u00e3o podemos nos iludir com solu\u00e7\u00f5es setorializadas, parciais, solu\u00e7\u00f5es para a \u00e1rea rural por exemplo, s\u00e3o fundamentais, mas sozinhas n\u00e3o respondem aos problemas tipicamente urbanos, por outro lado \u00e9 ineg\u00e1vel que partes da solu\u00e7\u00e3o est\u00e3o exatamente no campo, onde o antigo modelo do cacau come\u00e7a a dar espa\u00e7o para o chocolate o cacau fino, a agricultura org\u00e2nica e a sustentabilidade via agricultura familiar, o que no futuro, ajudar\u00e1 a fixar as pessoas no campo, melhorar a renda e valorizar as propriedades.<\/p>\n<p>Entender o turismo moderno em suas dimens\u00f5es m\u00faltiplas e complementares \u00e9 outro desafio, estruturar e vender a regi\u00e3o para al\u00e9m das praias \u00e9 um caminho l\u00f3gico, isso implica exatamente no conceito de complementaridade, interior e praia, fazendas de chocolate, eco turismo, aventura, esportes no ambiente natural, al\u00e9m \u00e9 claro de melhorar o que j\u00e1 \u00e9 atra\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o o uso das praias por exemplo.<\/p>\n<p>Se este caminho parece obvio, por ande andam as solu\u00e7\u00f5es para as \u00e1reas urbanas, como incluir a periferia, a juventude com baixa escolaridade, a m\u00e3o de obra desqualificada no processo de desenvolvimento regional? A\u00ed reside o X da quest\u00e3o, o velho modelo de industrializa\u00e7\u00e3o via incentivo fiscal e baixa responsabilidade local e social j\u00e1 est\u00e1 superado, tem se mostrado mais como problema do que como solu\u00e7\u00e3o onde foi implantado, sem considerar os graves problemas ambientais que em nossa regi\u00e3o em particular s\u00e3o ainda mais impactantes.<\/p>\n<p>Me parece, sem a pretens\u00e3o de apontar solu\u00e7\u00f5es, mas ajudando o debate, que o modelo mais adequado para pensar a regi\u00e3o est\u00e1 na \u00e1rea de servi\u00e7os, seja na consolida\u00e7\u00e3o do turismo, seja no aprofundamento da condi\u00e7\u00e3o de p\u00f3lo de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa de alto n\u00edvel, ou mesmo no desenvolvimento de uma rede de log\u00edstica capaz de oferecer servi\u00e7os e estrutura para atra\u00e7\u00e3o de grandes empresas.<\/p>\n<p>Neste sentido, o Porto Sul como foi pensado me parece superado, exigindo dos planejadores uma nova abordagem, principalmente no aspecto do impacto econ\u00f3mico local, na integra\u00e7\u00e3o do projeto com um modelo de desenvolvimento capaz de responder as grandes quest\u00f5es parcialmente apontadas aqui, al\u00e9m das j\u00e1 colocadas como as quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>Volto a insistir na cria\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia regional de desenvolvimento, capaz de pensar e articular a regi\u00e3o de forma integrada, \u00e0 partir de um olhar local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Gerson Marques <em>\u00e9 Diretor Presidente da Chocosul \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gerson Marques \u00a0Em 26 de mar\u00e7o de 2010, o presidente Lula e o governador Wagner, assinaram em Ilh\u00e9us a licita\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o da Ferrovia Oeste\/Leste \u2013 Fiol, parte de um complexo que ainda inclu\u00eda a constru\u00e7\u00e3o de um porto em parceria p\u00fablico privado \u2013 PPP. 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