{"id":59317,"date":"2017-02-22T14:44:36","date_gmt":"2017-02-22T17:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=59317"},"modified":"2017-02-22T14:46:20","modified_gmt":"2017-02-22T17:46:20","slug":"politicas-de-inclusao-formam-estudantes-tao-capacitados-quanto-seus-colegas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2017\/02\/22\/politicas-de-inclusao-formam-estudantes-tao-capacitados-quanto-seus-colegas\/","title":{"rendered":"Cotas, Fies e ProUni: pol\u00edticas de inclus\u00e3o formam estudantes t\u00e3o capacitados quanto seus colegas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-59318\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cotas-300x213.jpg\" alt=\"cotas\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cotas-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cotas.jpg 395w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>(Jos\u00e9 Tadeu Arantes- Ag\u00eancia FAPESP) \u2013 A qualifica\u00e7\u00e3o dos formandos que ingressaram no ensino superior por meio de a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o (cotas raciais e sociais, Prouni ou Fies) equivale ou at\u00e9 mesmo supera a de seus colegas. Esta foi a conclus\u00e3o de um estudo que comparou o desempenho de mais de 1 milh\u00e3o de alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), no tri\u00eanio 2012-2014.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada por Jacques Wainer, professor titular do Instituto de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas, e Tatiana Melguizo, professora associada da Rossier School of Education da University of Southern California. E recebeu apoio da FAPESP por meio de uma Bolsa de Pesquisa de Wainer na USC: \u201cDois resultados em educa\u00e7\u00e3o &#8211; computadores e educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e estudos comparativos de a\u00e7\u00f5es sociais em universidades brasileiras\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados no artigo \u201cPol\u00edticas de inclus\u00e3o no ensino superior: avalia\u00e7\u00e3o do desempenho dos alunos baseado no Enade de 2012 a 2014\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o consideradas foram o sistema de cotas raciais ou sociais, que reserva vagas nas universidades para estudantes negros, ind\u00edgenas, deficientes, ou egressos de escolas p\u00fablicas e de baixa renda; o Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo integrais e parciais em institui\u00e7\u00f5es privadas de educa\u00e7\u00e3o superior a estudantes provenientes de fam\u00edlias de baixa renda; e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que financia a gradua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o superior de estudantes matriculados em cursos superiores n\u00e3o gratuitos.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo era medir se o rendimento dos alunos que se beneficiaram das a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o promovidas pelo governo federal era equivalente ou n\u00e3o ao dos seus colegas de classe que n\u00e3o tiveram esse benef\u00edcio. Para isso, usamos dados do Enade, o chamado \u2018prov\u00e3o\u2019, relativos a mais de 1 milh\u00e3o de estudantes \u2013 isto \u00e9, a um ter\u00e7o do n\u00famero total de alunos do ensino superior formados entre 2012 e 2014\u201d, disse Wainer \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou que n\u00e3o fez uma amostragem estat\u00edstica, mas um levantamento exaustivo. Isso porque, na prova do Enade, as \u00e1reas contempladas repetem-se de tr\u00eas em tr\u00eas anos. Assim, se houve prova para uma determinada \u00e1rea em 2012, isso n\u00e3o ocorreu nos dois anos subsequentes, 2013 e 2014. Em 2012, foram contempladas as \u00e1reas relativas a tecnologia e ci\u00eancias sociais aplicadas; em 2013, ci\u00eancias da sa\u00fade; e, em 2014, ci\u00eancias exatas e humanidades.<\/p>\n<p>\u201cDesse modo, trabalhando com todos os dados do per\u00edodo 2012-2014, pudemos fazer o levantamento do desempenho de um ter\u00e7o dos alunos formados no per\u00edodo. E o resultado que obtivemos foi que as notas dos alunos cotistas ou que receberam financiamento do Fies n\u00e3o apresentavam diferen\u00e7as importantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de seus colegas de classe. Quanto aos alunos que receberam bolsas do Prouni, suas notas foram bem melhores do que a de seus colegas de classe\u201d, resumiu Wainer.<\/p>\n<p>A diferencia\u00e7\u00e3o entre cada tipo de aluno no que concerne \u00e0s a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o foi poss\u00edvel porque, ao fazer o Enade, o egresso da universidade deve responder a um question\u00e1rio no qual informa se recebeu ou n\u00e3o os benef\u00edcios de cotas, Prouni e Fies. Os dados disponibilizados s\u00e3o obviamente an\u00f4nimos. E foi com base neles que os pesquisadores puderam fazer o levantamento.<\/p>\n<p>Padr\u00e3o de notas<\/p>\n<p>Para padronizar as notas de todos os alunos e possibilitar termos de compara\u00e7\u00e3o, de modo que a possibilidade de o exame em uma determinada \u00e1rea ter sido mais f\u00e1cil ou mais dif\u00edcil do que o exame em outra n\u00e3o viesse a mascarar a avalia\u00e7\u00e3o real da capacita\u00e7\u00e3o do aluno, os pesquisadores valeram-se do seguinte recurso: consideraram a nota de cada aluno; subtra\u00edram dela a m\u00e9dia das notas do respectivo curso; e dividiram o resultado pelo desvio padr\u00e3o das notas no curso em quest\u00e3o. \u201cAssim, ficamos sabendo em quantos m\u00faltiplos do desvio padr\u00e3o a nota do aluno estava acima ou abaixo da m\u00e9dia\u201d, explicou Wainer.<\/p>\n<p>Isso fez com que, independentemente das facilidades ou dificuldades das provas, fosse poss\u00edvel comparar os desempenhos de quaisquer alunos. E, portanto, comparar alunos de todos os cursos e n\u00e3o de cursos separados, possibilitando um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas anteriores.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 haviam obtido resultados importantes na investiga\u00e7\u00e3o do tema. Especialmente, entre outras, as pesquisas sobre o desempenho comparativo de cotistas e n\u00e3o cotistas realizadas na Universidade Federal da Bahia (UFBa) e na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). No entanto, por se basearem em dados de uma \u00fanica universidade, n\u00e3o permitiam descortinar um quadro geral objetivo. Qualquer generaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 podia se basear em infer\u00eancias. Ao trabalhar com dados do Enade, portanto nacionais, a nova pesquisa d\u00e1 um passo adiante no descortino do panorama completo.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o das cotas, as pesquisas anteriores haviam demonstrado que os alunos cotistas se davam t\u00e3o bem quanto os n\u00e3o cotistas, exceto nos chamados \u201ccursos de alto prest\u00edgio\u201d (medicina, engenharia etc.).<\/p>\n<p>\u201cNossos dados n\u00e3o permitiam discriminar quem provinha ou n\u00e3o de cursos de alto prest\u00edgio. Mas adotamos o seguinte crit\u00e9rio: combinando as vari\u00e1veis \u2018curso\u2019, \u2018universidade\u2019 e \u2018cidade\u2019, definimos as \u2018classes\u2019 cujas m\u00e9dias estavam entre as 10% maiores no exame espec\u00edfico do Enade. Nossa suposi\u00e7\u00e3o foi que essas \u2018classes\u2019 correspondiam a cursos de n\u00edvel elevado, uma vez que os alunos haviam obtido notas muito acima da m\u00e9dia. E, mesmo nessas \u2018classes\u2019, n\u00e3o verificamos diferen\u00e7as importantes entre o desempenho de cotistas e n\u00e3o cotistas\u201d, detalhou Wainer.<\/p>\n<p>Grupos indistingu\u00edveis<\/p>\n<p>Aqui, \u00e9 preciso explicar o que o pesquisador entende por \u201cdiferen\u00e7a importante\u201d. \u201cPara estabelecer esse crit\u00e9rio, consideramos os 5% de alunos que obtiveram notas imediatamente acima da m\u00e9dia e os 5% de alunos que obtiveram notas imediatamente abaixo da m\u00e9dia. E convencionamos que as diferen\u00e7as entre esses dois grupos n\u00e3o eram relevantes para definir o melhor ou pior preparo. Para efeitos pr\u00e1ticos, como a contrata\u00e7\u00e3o profissional do estudante, os dois grupos poderiam ser tidos como indistingu\u00edveis\u201d, exp\u00f4s Wainer.<\/p>\n<p>\u201cIsso nos deu uma medida do que era importante ou n\u00e3o em termos de diferen\u00e7a. Esses percentuais de 5%, acima ou abaixo da m\u00e9dia, n\u00e3o se referem \u00e0s notas, mas, sim, ao n\u00famero de alunos. Definiu os conjuntos dos primeiros 5% que tiveram notas acima da m\u00e9dia e dos primeiros 5% que tiveram notas abaixo da m\u00e9dia. A diferen\u00e7a nas m\u00e9dias das notas desses dois conjuntos foi de 0,13. Assim, estabelecemos como importante uma diferen\u00e7a nas notas maior do que 13%. E qualquer diferen\u00e7a menor do que essa foi interpretada como um desempenho equivalente. Quando dizemos que os alunos do Prouni tiveram desempenho bem melhor do que o de seus colegas foi porque a diferen\u00e7a entre as notas, no caso, foi bem superior a 13%, chegando, de fato, a quase 40%\u201d, detalhou o pesquisador.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para esse desempenho t\u00e3o diferenciado \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o feita pelo Prouni para a concess\u00e3o de bolsa (entre outros requisitos, para inscri\u00e7\u00e3o no processo seletivo, o aluno deve ter obtido, no m\u00ednimo, 450 pontos no Enem, Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio) e os crit\u00e9rios bastante exigentes para a sua manuten\u00e7\u00e3o (entre outros requisitos, para manter a bolsa, o aluno dever ser aprovado em pelo menos 75% das disciplinas oferecidas no semestre).<\/p>\n<p>No rol das a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o, o sistema de cotas, raciais ou sociais, foi e continua sendo aquela que mais divide as opini\u00f5es. Apesar da vasta literatura j\u00e1 acumulada, poucos dos que se manifestam sobre o assunto se d\u00e3o ao trabalho de respaldar seu ponto de vista em pesquisas, segundo o pesquisador. A ideia de repara\u00e7\u00e3o de uma d\u00edvida hist\u00f3rica, que fundamenta essa pol\u00edtica, tem opositores e apoiadores apaixonados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 raro que uns ou outros modifiquem seu pensamento com base em argumentos num\u00e9ricos. Mas, para aqueles que procuram crit\u00e9rios mais objetivos, nosso estudo fornece um importante subs\u00eddio\u201d, enfatizou Wainer.<\/p>\n<p>\u201cUm dos argumentos utilizados no discurso anticotas foi que esse sistema causava uma perda para a sociedade, porque os cotistas tiravam vagas de alunos mais capacitados, e, depois de formados, se tornavam profissionais menos qualificados do que os n\u00e3o cotistas. At\u00e9 para minha surpresa, nossa pesquisa desmentiu tal hip\u00f3tese. Se considerarmos que o Enade possa ser um bom medidor da qualifica\u00e7\u00e3o dos alunos egressos das universidades, deveremos admitir, a partir da sistematiza\u00e7\u00e3o dos dados, que as qualifica\u00e7\u00f5es de cotistas e n\u00e3o cotistas para o desempenho das atividades profissionais se equivalem\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Jos\u00e9 Tadeu Arantes- Ag\u00eancia FAPESP) \u2013 A qualifica\u00e7\u00e3o dos formandos que ingressaram no ensino superior por meio de a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o (cotas raciais e sociais, Prouni ou Fies) equivale ou at\u00e9 mesmo supera a de seus colegas. 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