{"id":584,"date":"2010-02-10T16:28:00","date_gmt":"2010-02-10T19:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/02\/10\/um-dia-de-fila-ou-um-dia-de-furia\/"},"modified":"2010-02-10T16:28:00","modified_gmt":"2010-02-10T19:28:00","slug":"um-dia-de-fila-ou-um-dia-de-furia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/02\/10\/um-dia-de-fila-ou-um-dia-de-furia\/","title":{"rendered":"Um dia de fila (ou um dia de f\u00faria?)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S3MJHyK54kI\/AAAAAAAAA9k\/AUtoEZ85iqg\/s1600-h\/um+dia+de+furia.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 197px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S3MJHyK54kI\/AAAAAAAAA9k\/AUtoEZ85iqg\/s320\/um+dia+de+furia.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5436699204497564226\" \/><\/a><br \/>Em Itabuna, os rel\u00f3gios marcam cinco horas da manh\u00e3 e os primeiros raios de sol anunciam um dia quente e abafado. O Rio Cachoeira exala o inconfund\u00edvel cheiro de esgoto sem tratamento e os mendigos come\u00e7am a desocupar as marquises, escadarias e cal\u00e7adas onde passaram a noite.<\/p>\n<p>Eventuais arrombadores se dirigem para casa, em busca do sono reparador ap\u00f3s uma noite de \u201ctrabalho\u201d. Mo\u00e7oilas de fino trato, que exercem a mais antiga das profiss\u00f5es (essas, com dignidade, pois n\u00e3o surrupiam ningu\u00e9m) tamb\u00e9m se preparam para o merecido descanso. <\/p>\n<p>  A cidade centen\u00e1ria come\u00e7a a acordar.<\/p>\n<p> E Jos\u00e9 da Silva, nome fict\u00edcio, se prepara para ser personagem de fatos reais, repetitivos e irritantes.<br \/> Jos\u00e9 encara a primeira fila do dia. H\u00e1 pelo menos um m\u00eas tenta marcar uma consulta m\u00e9dica com um especialista. Quando chega ao local, a fila j\u00e1 \u00e9 imensa, teve gente que chegou na noite anterior.<\/p>\n<p> Ele espera, espera, espera. Duas horas na fila.<\/p>\n<p> N\u00e3o consegue marcar a consulta. Vai ter que voltar outro dia, encarar outra fila.<\/p>\n<p> Da central de (des)marca\u00e7\u00e3o de consultas, segue para o posto onde precisa tirar a segunda via de um documento.<\/p>\n<p> Descobre que chegou tarde. Ainda assim, entra na fila imensa e espera outras tr\u00eas horas.<\/p>\n<p> In\u00fatil, acabaram as senhas bem na sua vez de ser atendido. Fica, de novo, para outro dia.<\/p>\n<p>O sol forte faz da avenida do Cinq\u00fcenten\u00e1rio um caldeir\u00e3o, em que camel\u00f4s disputam espa\u00e7o com os pedestres e pedintes e, em algumas lojas, os clientes s\u00e3o chamados atrav\u00e9s de megafones, como em feiras livres das cidades mulambentas do interior.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 agora est\u00e1 numa ag\u00eancia banc\u00e1ria. Precisa de atendimento no caixa. Nova senha, nova fila e l\u00e1 se v\u00e3o mais de duas horas de espera. O atendimento propriamente dito, n\u00e3o leva nem tr\u00eas minutos.<\/p>\n<p>Mas, pelo menos foi atendido.<\/p>\n<p>Passa numa lot\u00e9rica para pagar a conta de \u00e1gua e fazer uma \u201cfezinha\u201d na Mega Sena. Mais trinta minutos de fila. \u201cQuem me dera ganhar sozinho\u201d, pensa, enquanto sonha com as possibilidades da vida de rico.<\/p>\n<p>Entre elas, a de n\u00e3o precisar encarar tanta fila.<\/p>\n<p>E, por falar em fila, Jos\u00e9 decide dar uma passada r\u00e1pida no supermercado do shopping e comprar algumas coisas, para fazer m\u00e9dia com a esposa, a essa altura imaginando que o marido anda aprontando alguma coisa pela rua.<\/p>\n<p>R\u00e1pida? No supermercado, encara mais uma hora de fila. E Jos\u00e9 ainda tem que empacotar os produtos que comprou por um pre\u00e7o nem t\u00e3o bom assim.<\/p>\n<p>Chega em casa a tempo de assistir no telejornal local uma mat\u00e9ria sobre a lei que determina o tempo m\u00e1ximo de espera nas filas.<\/p>\n<p> Num acesso de f\u00faria, atira um cinzeiro no aparelho de televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3, ter\u00e1 que encarar a fila do conserto.<\/p>\n<p>Ou a fila do pronto socorro, j\u00e1 que a esposa est\u00e1 com um jarro pesado apontado na dire\u00e7\u00e3o de sua cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Itabuna, os rel\u00f3gios marcam cinco horas da manh\u00e3 e os primeiros raios de sol anunciam um dia quente e abafado. O Rio Cachoeira exala o inconfund\u00edvel cheiro de esgoto sem tratamento e os mendigos come\u00e7am a desocupar as marquises, escadarias e cal\u00e7adas onde passaram a noite. 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