{"id":580,"date":"2010-02-04T08:05:00","date_gmt":"2010-02-04T11:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/02\/04\/580\/"},"modified":"2010-02-04T08:05:00","modified_gmt":"2010-02-04T11:05:00","slug":"580","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/02\/04\/580\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S2qqNaonn-I\/AAAAAAAAA9E\/H7Vr2HhnHrE\/s1600-h\/procurado+foto.jpg\"><img style=\"display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S2qqNaonn-I\/AAAAAAAAA9E\/H7Vr2HhnHrE\/s320\/procurado+foto.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5434343047840636898\" \/><\/a><br \/>A morte, especialmente a morte tr\u00e1gica, tem o dom de sepultar junto com o corpo f\u00edsico os defeitos de algumas pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 como se a dor do instante final tivesse uma esp\u00e9cie de cond\u00e3o redentor, capaz de transformar em p\u00f3 maldades e pecados cometidos em vida.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o era  -e pode-se afirmar aqui com absoluta certeza- de Eliane Almeida de Oliveira, a Liu.<\/p>\n<p>Liu era essencialmente uma pessoa boa, batalhadora, que irradiava simpatia e que ajudava, sem esperar nada em troca, as pessoas que enfrentavam dificuldades. <\/p>\n<p>Era, enfim, uma mulher a quem os parentes e amigos admiravam e sentiam-se felizes quando desfrutavam de sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma pessoa que, boa como era, merecia encontrar a felicidade depois de dois relacionamentos infelizes.<\/p>\n<p>E que, ao cruzar com o que parecia a felicidade t\u00e3o ansiada e merecida, trombou com a trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>O anjo que Eliane imaginou ter encontrado, escondia sob os gestos corteses e o sorriso f\u00e1cil, a face do lobo devorador.<\/p>\n<p>Quando Eliane passou a namorar com Francisco Paulo Lins da Silva, o Chico,  imaginou ter encontrado o amor eterno.<\/p>\n<p>Foi eterno, enquanto durou.<\/p>\n<p>E quando  acabou, o anjo que Eliane imaginou ter encontrado, escondia sob os gestos corteses e o sorriso f\u00e1cil, a face do lobo devorador.<\/p>\n<p>Eliane foi assassinada com um tiro na cabe\u00e7a, num crime que chocou Itabuna e desde ent\u00e3o mobiliza uma cidade inteira, na busca por justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Chico, de quem Eliane estava havia separado-se poucas semanas antes de morrer, \u00e9 o principal suspeito do crime, est\u00e1 foragido e com a pris\u00e3o preventiva decretada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de morte de Eliane, \u00e9 acusado de homic\u00eddios em S\u00e3o Paulo e Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>Eliane provavelmente n\u00e3o sabia disso e pagou com a vida pela cegueira que \u00e9 um subproduto do amor e, se sabia, entrou em cena um outro subproduto do amor, a compaix\u00e3o, a quem os enlevados costumam  atribuir dons como transformar dem\u00f4nios em anjos.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que Chico n\u00e3o agiu num impulso de raiva repentina, o que nem assim minimizaria a brutalidade que cometeu.<\/p>\n<p>Evid\u00eancia disso \u00e9 que, coisa que nunca fazia, locou um carro e foi buscar Eliane em Itapetinga, onde ela estava trabalhando, para traz\u00ea-la a Itabuna. E mais, aceitou que Eliane, em outro gesto de bondade cega, o ajudasse a procurar uma casa para onde ele mudaria. Chegou a sair com familiares dela na v\u00e9spera do crime, numa encena\u00e7\u00e3o do seu melhor papel de companheiro. Ali, \u00e9 muito prov\u00e1vel que j\u00e1 tinha em mente o que pretendia fazer.<\/p>\n<p>E fez, para ent\u00e3o desaparecer e, quem sabe, reaparecer em outro local, a espera de uma nova presa para devorar.<\/p>\n<p>Fazer Justi\u00e7a, atrav\u00e9s da pris\u00e3o e do julgamento de Francisco, \u00e9 o m\u00ednimo que se pode esperar.<\/p>\n<p>Em nome da mem\u00f3ria de Eliane, esse sim um anjo bom, de quem restou um exemplo de vida e uma imensa saudade que a impunidade faz doer ainda mais em todos os que com ela conviveram,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte, especialmente a morte tr\u00e1gica, tem o dom de sepultar junto com o corpo f\u00edsico os defeitos de algumas pessoas. \u00c9 como se a dor do instante final tivesse uma esp\u00e9cie de cond\u00e3o redentor, capaz de transformar em p\u00f3 maldades e pecados cometidos em vida. 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