{"id":56111,"date":"2016-11-17T10:56:46","date_gmt":"2016-11-17T13:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=56111"},"modified":"2016-11-17T10:58:55","modified_gmt":"2016-11-17T13:58:55","slug":"conselho-de-um-baiano-na-nature-biotechnology-aprenda-novas-linguas-para-seguir-adiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/11\/17\/conselho-de-um-baiano-na-nature-biotechnology-aprenda-novas-linguas-para-seguir-adiante\/","title":{"rendered":"Conselho de um baiano na Nature Biotechnology: aprenda novas l\u00ednguas para seguir adiante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Alexander Birbrair<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-56112\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-1-300x253.jpg\" alt=\"alex-1\" width=\"204\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-1-300x253.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-1-1024x865.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-1.jpg 1125w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>\u00c9 importante para um cientista saber falar v\u00e1rias l\u00ednguas? Em minha opini\u00e3o sim e, em meu cas\u00f3 espec\u00edfico, iss\u00f3 acabou direcionando bastante a minha carreira. Dominar outras l\u00ednguas pode abrir portas.<\/p>\n<p>Eu nasci na Uniao S\u00f3vi\u00e9tica e a l\u00edngua na qual convers\u00f3 com os meus familiares mais pr\u00f3ximos \u00e9 o russ\u00f3. Logo, quando eu tinha 3 anos, mudamos para Israel, onde aprendi o hebraico. Aos 7 anos, meus pais vieram para o Brasil, assim aprendi o portugu\u00eas. E, aos 14 anos, quando eles sa\u00edram para seu ano sab\u00e1tico na Espanha, aprendi o espanhol. S\u00f3mente mais tarde, ja morando nos Estados Unidos, aos 24 anos, aprendi a falar ingl\u00eas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-56113\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-2-300x285.jpg\" alt=\"alex-2\" width=\"248\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-2-300x285.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alex-2.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/>O ingl\u00eas, ou melhor, a falta dele, me direcionou desde o in\u00edcio da minha carreira. Minha rela\u00e7\u00e3o com o ingl\u00eas era t\u00e3o ruim que eu acabei no curso de Biomedicina em Ilh\u00e9us, na Bahia, em parte devido ao fato de n\u00e3o saber falar ingl\u00eas. Na \u00e9poca do vestibular, eu planejava cursar medicina para depois migrar para a ci\u00eancia e poder trabalhar pesquisando novas curas. Como em Fortaleza, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia curso de biomedicina, eu n\u00e3o sabia que tal curso existia. S\u00f3 fui descobri-lo quando meus pais, querendo me inscrever no vestibular para o curso de medicina da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), descobriram que a prova de l\u00edngua estrangeira era, obrigatoriamente, de ingl\u00eas. Assim, eles me inscreveram no vestibular para Biomedicina que, pela descri\u00e7\u00e3o na internet, parecia o curso dos meus sonhos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Com o sonho de um dia virar cientista, logo no in\u00edcio da minha vida universit\u00e1ria percebi que o ingl\u00eas, amplamente falado no mundo da ci\u00eancia, era a l\u00edngua fundamental a aprender. E o meu n\u00edvel de dom\u00ednio da l\u00edngua era t\u00e3o baixo que, quando tentei me inscrever em v\u00e1rios cursos de ingl\u00eas em Ilh\u00e9us (FISK, Wizard e um outro, cujo nome n\u00e3o lembro) todos me ofereceram cursar o n\u00edvel 1 (o n\u00edvel mais baixo, que s\u00f3 tinha crian\u00e7as com menos de 10 anos). Assim, acabei no CCAA, onde um amigo meu dava aula. Ele me deixou come\u00e7ar no n\u00edvel 3 (turma com crian\u00e7as de 13 anos), o que n\u00e3o foi muito bom, pois eu n\u00e3o entendia nada o que acontecia em classe.<\/p>\n<p>Bom, ler artigo cient\u00edfico em qualquer l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 um grande problema, pois estes artigos usam bastante a linguagem cient\u00edfica, que \u00e9 universal. Mesmo assim, lembro que numa aula de Sorologia, a professora distribuiu artigos cient\u00edficos pra todos da turma ler e apresentar. Todos receberam artigos em ingl\u00eas, menos eu. Fui o \u00fanico a apresentar um artigo que tinha sido publicado em portugu\u00eas em alguma revista brasileira.<\/p>\n<p>A \u00a0falta do ingl\u00eas me limitava bastante, n\u00e3o s\u00f3 na UESC. Quando eu ia pra congressos internacionais e apresentava os meus trabalhos, n\u00e3o conseguia conversar bem com pesquisadores estrangeiros, pois a maioria falava somente em ingl\u00eas. Assim, em todos os congressos eu escolhia ir em palestras de cientistas que falassem alguma das l\u00ednguas que eu sabia (russo, hebraico, espanhol ou portugu\u00eas). Isso me limitava bastante. Por outro lado, me levou a conhecer o meu futuro orientador de doutorado, professor Osvaldo Delbono, argentino, que, claro, falava espanhol. Delbono me convidou a trabalhar com ele nos Estados Unidos, acredito que devido ao fato de eu ter explicado bem a ele minhas ideias cient\u00edficas em espanhol, l\u00f3gico.<\/p>\n<p>Entrar no doutorado nos Estados Unidos sem saber falar ingl\u00eas deve ser imposs\u00edvel, isso estava claro para mim. Alem disso, para entrar no doutorado o aluno precisa ter uma nota alta no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ets.org\/toefl\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.ets.org\/toefl&amp;source=gmail&amp;ust=1479476428161000&amp;usg=AFQjCNHdL3A4OBXuXNVKse0DcxyBSdH5cg\">TOEFL<\/a>\u00a0(exame que tem o objetivo de avaliar o potencial individual de falar e entender o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%C3%ADngua_inglesa\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%25C3%25ADngua_inglesa&amp;source=gmail&amp;ust=1479476428162000&amp;usg=AFQjCNGHZHm0mmj_W2jVu7-hLrj9pArajg\">ingl\u00eas<\/a>\u00a0em n\u00edvel acad\u00eamico) e tambem no GRE (teste muito mais dificil do que o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ets.org\/toefl\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.ets.org\/toefl&amp;source=gmail&amp;ust=1479476428162000&amp;usg=AFQjCNGFckpk0uUlJw4VGnaixX-pD098hg\">TOEFL<\/a>\u00a0e cuja nota \u00e9 utilizada como crit\u00e9rio de admiss\u00e3o nos programas de doutorado dos Estados Unidos). Assim, o meu objetivo j\u00e1 nos primeiros dias nos Estados Unidos era aprender a falar ingl\u00eas o mais r\u00e1pido possivel. Tive sorte por ter bastante apoio do professor Osvaldo, que me proibiu de falar em espanhol no laborat\u00f3rio, a l\u00edngua do laborat\u00f3rio era s\u00f3 ingl\u00eas. Isso me ajudou, pois era for\u00e7ado a aprender palavras em ingl\u00eas para me comunicar com outros membros do laborat\u00f3rio. Alem disso, a cidade onde eu morava, Winston-Salem, n\u00e3o tinha muitos brasileiros nem latino, o que tamb\u00e9m me for\u00e7ou a aprender ingl\u00eas para sobreviver.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, eu comprei um MP3 e passava o dia todo fazendo experimentos de eletrofisiologia, escutando a r\u00e1dio nacional americana, que transmitia noticias em ingl\u00eas o dia todo. Alem disso, tinha um colega de laborat\u00f3rio, Jacks\u00f3n Taylor, americano, que s\u00f3 sabia falar em ingl\u00eas. Corr\u00edamos juntos \u00e0 noite depois dos experimentos, e ele continuava conversando comigo a meu pedido, mesmo que eu n\u00e3o entendesse nada. Eu tinha dito a ele que em algum momento ia come\u00e7ar a entender o que estava dizendo, assim, que continuasse falando.<\/p>\n<p>Esses esfor\u00e7os resultaram em um r\u00e1pido aprendizado do ingl\u00eas, que evolu\u00eda a cada dia que passva. Em menos de um ano eu j\u00e1 tinha tirado boas notas no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ets.org\/toefl\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=https:\/\/www.ets.org\/toefl&amp;source=gmail&amp;ust=1479476428162000&amp;usg=AFQjCNGFckpk0uUlJw4VGnaixX-pD098hg\">TOEFL<\/a>\u00a0e no GRE e estava comecando o meu doutorado em neuroci\u00eancia na Wake Forest University sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Osvaldo Delbono.<\/p>\n<p>Para publicar o meu primeiro artigo cient\u00edfico novamente o idioma foi importante. Nesse artigo utilizamos um camundongo transg\u00eanico chamado Nestin-GFP que conseguimos de um pesquisador renomado do Cold Spring Harbor Laboratory, doutor Grigori Enikolopov, que falava russo. Assim, o fato de eu saber falar russo nos aproximou e favoreceu este trabalho em colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No meio do meu doutorado apresentei os nossos trabalhos em um congresso interno do departamento, do qual participou um professor convidado que \u00e9 diretor de um centro importante no Albert Einstein College of Medicine de Nova York. Este professor gostou muito da minha apresenta\u00e7\u00e3o e, quando veio conversar comigo, descobri que era israelense \u2014 assim conversamos em hebraico. E parcialmente atrav\u00e9s dele conheci pessoalmente o meu mentor de p\u00f3s-doutrado, professor Paul Frenette.<\/p>\n<p>Finalmente, claro que voltar ao Brasil e iniciar o meu pr\u00f3prio laborat\u00f3rio n\u00e3o seria poss\u00edvel se eu n\u00e3o falasse portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Hoje, depois de alguns anos de carreira, a minha recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: aprenda novas l\u00ednguas, quanto mais melhor, para seguir adiante. E principalmente o ingl\u00eas, que \u00e9 fundamental na ci\u00eancia, pois voc\u00ea tamb\u00e9m pode acabar trabalhando com um argentino, um americano, um russo, um israelense e um canadense.<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p><em>Artigo \u00a0publicado na se\u00e7\u00e3o carreiras da Nature Biotechnology (<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nbt\/journal\/v34\/n10\/full\/nbt.3698.html\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.nature.com\/nbt\/journal\/v34\/n10\/full\/nbt.3698.html&amp;source=gmail&amp;ust=1479476428161000&amp;usg=AFQjCNGg5FxPQxU7TKTLyeHAmW1kcE1v1g\">http:\/\/www.nature.com\/nbt\/journal\/v34\/n10\/full\/nbt.3698.html<\/a>),\u00a0uma das mais prestigiadas revistas cient\u00edficas do mundo e que tamb\u00e9m tem parte de jornalismo e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Alexander Birbair \u00e9 graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz-Uesc<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexander Birbrair \u00c9 importante para um cientista saber falar v\u00e1rias l\u00ednguas? Em minha opini\u00e3o sim e, em meu cas\u00f3 espec\u00edfico, iss\u00f3 acabou direcionando bastante a minha carreira. Dominar outras l\u00ednguas pode abrir portas. Eu nasci na Uniao S\u00f3vi\u00e9tica e a l\u00edngua na qual convers\u00f3 com os meus familiares mais pr\u00f3ximos \u00e9 o russ\u00f3. 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