{"id":559,"date":"2010-01-20T08:27:00","date_gmt":"2010-01-20T11:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/01\/20\/um-revolver-para-a-noiva\/"},"modified":"2010-01-20T08:27:00","modified_gmt":"2010-01-20T11:27:00","slug":"um-revolver-para-a-noiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/01\/20\/um-revolver-para-a-noiva\/","title":{"rendered":"Um rev\u00f3lver para a noiva"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S1bo_S0deBI\/AAAAAAAAA6M\/_hJOHyDH88E\/s1600-h\/bolo+de+noiva.jpg\"><img style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 232px; height: 320px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_BSCeP9r5uD8\/S1bo_S0deBI\/AAAAAAAAA6M\/_hJOHyDH88E\/s320\/bolo+de+noiva.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5428782574922987538\" \/><\/a><br \/>Maria da Silva (nome fict\u00edcio) tinha todos os motivos do mundo para estar feliz. Na ter\u00e7a-feira de sol, por volta das 8 horas da manh\u00e3, seguia tranq\u00fcila para o trabalho, num hospital no centro de Itabuna.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era o trabalho, ainda que um trabalho que ajuda a salvar vidas, que fazia de Maria uma mulher feliz.<\/p>\n<p>Era a concretiza\u00e7\u00e3o de um sonho: o casamento, marcado para o dia seguinte, com aquele que Maria considera sua cara-metade, o seu par perfeito num mundo de tantas uni\u00f5es imperfeitas.<\/p>\n<p>Nesse misto de expectativa e divaga\u00e7\u00e3o, Maria caminhava pelas ruas que d\u00e3o acesso ao hospital.<\/p>\n<p>Caminhava , como caminha todos os dias, com a diferen\u00e7a de que esse na era um dia qualquer. Era a v\u00e9spera do t\u00e3o sonhado  casamento.<\/p>\n<p>Portanto, um dia diferente.<\/p>\n<p>E acabou sendo mesmo um dia diferente.<\/p>\n<p>Quando cruzava a esquina, j\u00e1 visualizando o pr\u00e9dio do hospital, Maria nem se deu conta que dois rapazes a bordo de uma motocicleta.<\/p>\n<p>Poderia ser uma surpresa do noivo, mandando entregar flores para a amada. Ou algum colega de trabalho, a lhe entregar o presente de casamento de maneira inusitada. Ou mesmo algu\u00e9m pedindo informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem flores, nem presentes, nem um prosaico pedido de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Era um assalto. O cl\u00e1ssico assalto que se tornou uma lament\u00e1vel rotina em Itabuna: o piloto para a moto, o carona saca o rev\u00f3lver e anuncia o assalto.<\/p>\n<p>Tudo muito r\u00e1pido, em plena luz do dia e presenciado por outras pessoas, que impotentes nada podem fazer a n\u00e3o ser presenciar o desespero da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Com o rev\u00f3lver apontado ostensivamente para a cabe\u00e7a, o risco real de levar um tiro dada a brutalidade de marginais para quem a  vida (dos outros, bem entendido) n\u00e3o vale nada, Maria entregou a bolsa, com documentos, cart\u00f5es de cr\u00e9dito, dinheiro e o telefone celular.<\/p>\n<p>Quando os motobandidos sa\u00edram, com a tranq\u00fcilidade de quem faz um passeio matinal, Maria entrou em estado de choque. Foi socorrida pelos moradores, enquanto aguardou pela chegada dos colegas de trabalho.<\/p>\n<p>Demorou para entender o que havia acontecido e deve demorar mais ainda para superar o trauma de uma viol\u00eancia absurda, que est\u00e1 presente do dia da dia da popula\u00e7\u00e3o, que passa por assaltos aos borbot\u00f5es e termina nos assassinatos contados \u00e0s centenas.<\/p>\n<p> Nesta quarta-feira, quando subir para o altar e realizar o sonho de sua vida, Maria da Silva, nome fict\u00edcio mas v\u00edtima de uma viol\u00eancia real, deve sentir um calafrio na espinha quando ouvir o padre dizer a frase \u201cat\u00e9 que a morte os separe\u201d.<\/p>\n<p>Faltou pouco para que a morte os separasse na v\u00e9spera da consuma\u00e7\u00e3o da felicidade.<\/p>\n<p>Que Maria, enfim, seja feliz, como merecem serem felizes todas as noivas e todas as pessoas do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria da Silva (nome fict\u00edcio) tinha todos os motivos do mundo para estar feliz. 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