{"id":557,"date":"2010-01-16T08:39:00","date_gmt":"2010-01-16T11:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/01\/16\/retrato-magnifico-de-uma-civilizacao\/"},"modified":"2010-01-16T08:39:00","modified_gmt":"2010-01-16T11:39:00","slug":"retrato-magnifico-de-uma-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2010\/01\/16\/retrato-magnifico-de-uma-civilizacao\/","title":{"rendered":"RETRATO MAGNIFICO DE UMA CIVILIZA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><object width=\"560\" height=\"340\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FgY1s5HasTU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FgY1s5HasTU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"560\" height=\"340\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da chamada Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira, onde opul\u00eancia e decad\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o apenas uma rima, envolve personagens e fatos que soariam inveross\u00edmeis at\u00e9 na fic\u00e7\u00e3o. Mas s\u00e3o incrivelmente reais.<\/p>\n<p>Pouqu\u00edssimas regi\u00f5es no planeta pularam da riqueza extrema para a pobreza franciscana em t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo, assistindo, impotente, ao ouro que tudo permitia se transformar no p\u00f3 que nada valia.<\/p>\n<p> O salto (no abismo) da riqueza para a pobreza, provocado pela vassoura-de-bruxa, que mudou radicalmente a vida de milhares de pessoas, dos mais ricos aos mais pobres, tornou-se uma esp\u00e9cie de tabu no Sul da Bahia, como algo a ser esquecido.<\/p>\n<p> Hist\u00f3rias de vida fascinantes, pela conjun\u00e7\u00e3o \u00e1pice\/derrocada, estavam destinadas ao esquecimento e ao anonimato, visto que \u00e9 raro algu\u00e9m assumir, com o esp\u00edrito desarmado e com a sobriedade necess\u00e1ria, que os reis est\u00e3o nus e que os reinos se esfarelaram.<\/p>\n<p>A lacuna come\u00e7a a ser preenchida com iniciativas como o filme-document\u00e1rio Os Magn\u00edficos, dirigido pelo franc\u00eas Bernard Attal. O filme, com depoimentos fortes e imagens impressionantes, mostra a grandeza e o empobrecimento de fam\u00edlias de produtores rurais no Sul da Bahia, com foco especial no munic\u00edpio Itaju\u00edpe. <\/p>\n<p>Os depoimentos de Am\u00e9lia Amado, herdeira de uma das maiores fortunas do Sul da Bahia e que teve que vender ate o mobili\u00e1rio para sobreviver, da fam\u00edlia Pepe, para quem o mundo era ali na esquina na nos tempos \u00e1ureos e hoje vive frugalmente; de Paulo Jorge, o Paul\u00e3o que quando estava enfastiado pegava um avi\u00e3o pela manh\u00e3 em Ilh\u00e9us, fazia a barba num sal\u00e3o chique do Rio de Janeiro, passava a tarde tomando chopp no Copacabana Palace e \u00e0 noite j\u00e1 estava na fazenda e hoje vive num casebre de madeira; s\u00e3o o relato de uma \u00e9poca que, at\u00e9 para servir como li\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve ser relegada ao limbo.<\/p>\n<p> H\u00e1 ainda os depoimentos de gente que conseguiu enxergar uma luz no fim do t\u00fanel, antes de ser atropelado pelo trem descarrilado da crise, como o empres\u00e1rio Helenilson Chaves e sua prega\u00e7\u00e3o empreendedora, e o produtor Jo\u00e3o Tavares, que trata o  cacau menos como s\u00edmbolo e mais como neg\u00f3cio. <\/p>\n<p> E h\u00e1, tamb\u00e9m, o depoimento de um trabalhador rural, para quem os bons tempos de resumiram a uma dentadura, substituta dos dentes que do\u00edam e ele ia arrancado; al\u00e9m de uma refer\u00eancia a opul\u00eancia das festas da alta-sociedade, que faziam dos colunistas sociais esp\u00e9cie de vice-reis.<\/p>\n<p> O filme mescla falas fortes com imagens impressionantes, numa profus\u00e3o de fazendas fantasmas, amareladas e cacaueiros infestados pela vassoura-de-bruxa. Sem pieguismo, deixando que a emo\u00e7\u00e3o salte da voz dos entrevistados e das hist\u00f3rias que cada um tem para contar.<\/p>\n<p> Os Magn\u00edficos, que foi apresentado nos centros culturais de Itabuna, Ilh\u00e9us e Salvador e exibido pela TV Educativa \u00e9 um desses filmes que, a exemplo do que mostra, n\u00e3o pode ser relegada a um pequeno p\u00fablico.<\/p>\n<p> \u00c9 para ser exibido em escolas, associa\u00e7\u00f5es de moradores, sindicatos e espa\u00e7os p\u00fablicos, como um relato de um tempo que n\u00e3o volta mais, como li\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m como uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que, mudando paradigmas arraigados h\u00e1 tantas gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel reescrever a hist\u00f3ria, substituindo a palavra crise pela palavra oportunidade. <\/p>\n<p> Uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que poderemos ser magn\u00edficos protagonistas de uma outra Hist\u00f3ria, sem relegar hist\u00f3rias que em sua opul\u00eancia e pobreza foram igualmente magn\u00edficas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da chamada Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira, onde opul\u00eancia e decad\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o apenas uma rima, envolve personagens e fatos que soariam inveross\u00edmeis at\u00e9 na fic\u00e7\u00e3o. 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