{"id":53661,"date":"2016-08-26T21:01:49","date_gmt":"2016-08-27T00:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=53661"},"modified":"2016-08-28T10:35:56","modified_gmt":"2016-08-28T13:35:56","slug":"o-verdadeiro-menino-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/08\/26\/o-verdadeiro-menino-do-rio\/","title":{"rendered":"O verdadeiro Menino do Rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Daniel Thame<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-53662\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/daniel-charge-cuba-zap-281x300.jpg\" alt=\"daniel charge cuba zap\" width=\"115\" height=\"123\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/daniel-charge-cuba-zap-281x300.jpg 281w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/daniel-charge-cuba-zap.jpg 566w\" sizes=\"(max-width: 115px) 100vw, 115px\" \/>Exatos 1.317 quil\u00f4metros separam o Rio de Contas, em Ubaitaba, Sul da Bahia, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.<br \/>\n1.317 quil\u00f4metros que separam e ao mesmo tempo unem uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o, que de t\u00e3o improv\u00e1vel surpreendeu o mundo e fez surgir um novo \u00eddolo brasileiro, no maior espet\u00e1culo esportivo do planeta.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Isaquias Queiroz, que emergiu das Ol\u00edmpiadas 2016 como o maior medalhista brasileiro numa \u00fanica edi\u00e7\u00e3o dos Jogos, \u00e9 ainda mais fascinante porque \u00e9 fruto do imponder\u00e1vel, ainda tamb\u00e9m seja de um talento inato e de muito, muito esfor\u00e7o pessoal.<\/p>\n<p>Menino humilde de Ubaitaba, cidade localizada \u00e1s margens do Rio de Contas, Isaquias sofreu um acidente dom\u00e9stico e em seguida perdeu um rim ainda na inf\u00e2ncia. Ganhou dos colegas e assumiu sem maiores traumas o apelido de\u00a0 `Sem Rim`, personagem que poderia muito bem caber num romance de seu conterr\u00e2neo Jorge Amado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-53499\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/bronze.jpg\" alt=\"bronze\" width=\"417\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/bronze.jpg 1000w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/bronze-300x107.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/>Futuro? Um emprego no com\u00e9rcio em Ubaitaba, quem sabe tentar a vida em Itabuna ou ent\u00e3o arriscar-se no ex-Eldorado Paulista, que h\u00e1 muito perder o brilho.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o no meio do caminho, mas \u00e0s margens do caminho, havia um rio.<\/p>\n<p>E foi neste rio, que o menino Isaquias remou contra o destino e reescreveu a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na cidade em que a canoa parece fazer parte da indument\u00e1ria, Isaquias, ainda menino, demonstrou que poderia remar al\u00e9m dos limites do Rio de Contas.<\/p>\n<p>E remou, sem deixa a canoa virar.<\/p>\n<p>A primeira medalha veio em Itacar\u00e9, Sul da Bahia. Um menino de 10 anos, orgulhoso entre os pais e os amigos.<\/p>\n<p>A medalha n\u00e3o mudou muita coisa. Era preciso continuar remando contra a falta de estrutura, os recursos escassos, o dinheiro contado para disputar competi\u00e7\u00f5es dentro e fora do Estado. A dura vida de atleta de esportes fora do circuito Futebol\/V\u00f4lei.<\/p>\n<p>E Isaquias, com seu \u00a0talento, \u00a0continuou remando. Cada vez mais forte, cada vez mais longe.<\/p>\n<p>Em 2015, sagrou-se campe\u00e3o mundial de Canoagem, privil\u00e9gio est\u00e3o restrito aos privilegiados europeus e suas superestruturas esportivas, com investimentos em atletas desde a base.<\/p>\n<p>O mundo, ent\u00e3o, voltou os olhos para o baiano, o Brasil descobriu que havia um cano\u00edsta pronto para brilhar nas Olimp\u00edadas 2016. Ainda que n\u00e3o fosse um astro do futebol, Isaquias j\u00e1 n\u00e3o era um an\u00f4nimo praticante de um esporte que poucos ouviram falar.<\/p>\n<p>Vieram as\u00a0 Olimp\u00edadas, as duas medalhas de prata (uma delas ao lado do Erlon de Souza, vizinho de Ubat\u00e3, outra hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o), e uma de bronze. Tr\u00eas provas disputadas, tr\u00eas medalhas conquistadas.<\/p>\n<p>Veio enfim, a consagra\u00e7\u00e3o, num palco planet\u00e1rio. O nome inscrito na hist\u00f3ria dos Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>O esporte amador brasileiro, que nunca foi tratado com\u00a0 a seriedade que merece, \u00e9 pr\u00f3digo em hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa foi a Ol\u00edmpiada da menina da favela v\u00edtima de racismo que ganhou o Ouro no Jud\u00f4, do menino abandonado pelos pais que levou o Ouro no Salto com Vara, do baiano da periferia de Salvador que faturou o Ouro no Boxe.<\/p>\n<p>E foi a Olimp\u00edada de Isaquias Queiroz, que remou contra as correntezas reais e metaf\u00f3ricas, e se tornou o verdadeiro Menino do Rio.<\/p>\n<p>Do Rio de Contas, do Rio de Janeiro de todos os rios do mundo, porque se como cantou o poeta. Se navegar \u00e9 preciso e viver \u00e9 preciso, Isaquias pode acrescentar que remar tamb\u00e9m \u00e9 preciso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Thame Exatos 1.317 quil\u00f4metros separam o Rio de Contas, em Ubaitaba, Sul da Bahia, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. 1.317 quil\u00f4metros que separam e ao mesmo tempo unem uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o, que de t\u00e3o improv\u00e1vel surpreendeu o mundo e fez surgir um novo \u00eddolo brasileiro, no maior espet\u00e1culo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[16226,16227,12887,648],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53661"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53661"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53699,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53661\/revisions\/53699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}