{"id":53562,"date":"2016-08-23T09:04:46","date_gmt":"2016-08-23T12:04:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=53562"},"modified":"2016-08-23T09:13:27","modified_gmt":"2016-08-23T12:13:27","slug":"as-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/08\/23\/as-ruas\/","title":{"rendered":"\u00c0s  ruas!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-53564\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/golpe-n\u00e3o-1024x682.jpg\" alt=\"golpe n\u00e3o\" width=\"437\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/golpe-n\u00e3o.jpg 1024w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/golpe-n\u00e3o-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Emiliano Jos\u00e9, na Caros Amigos<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-53563\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/emiliano.jpg\" alt=\"emiliano\" width=\"130\" height=\"104\" \/>Democracia para esses democratas n\u00e3o \u00e9 o regime da liberdade de reuni\u00e3o para o povo: o que eles querem \u00e9 uma democracia de povo emudecido, amorda\u00e7ado nos seus anseios e sufocado nas suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A democracia que eles desejam impingir-nos \u00e9 a democracia antipovo, do antissindicalismo, antirreforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos que eles servem ou representam.<\/p>\n<p>A democracia que eles querem \u00e9 a democracia para liquidar com a Petrobras.<\/p>\n<p>\u00c9 a democracia dos monop\u00f3lios privados, nacionais e internacionais.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\n\u00c9 a democracia que luta contra os governos populares e que levou Get\u00falio Vargas ao supremo sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 amea\u00e7ando o regime democr\u00e1tico neste Pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 o povo nas pra\u00e7as, n\u00e3o s\u00e3o os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspira\u00e7\u00f5es ou de sua solidariedade \u00e0s grandes causas nacionais.<\/p>\n<p>Democracia \u00e9 precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas pra\u00e7as p\u00fablicas, sem que da\u00ed possa resultar o m\u00ednimo de perigo \u00e0 seguran\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Democracia \u00e9 o que o meu governo vem procurando realizar, como \u00e9 do seu dever, n\u00e3o s\u00f3 para interpretar os anseios populares, mas tamb\u00e9m conquist\u00e1-los pelos caminhos da legalidade, pelos caminhos do entendimento e da paz social.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 amea\u00e7a mais s\u00e9ria \u00e0 democracia do que desconhecer os direitos do povo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 amea\u00e7a mais s\u00e9ria \u00e0 democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus leg\u00edtimos l\u00edderes, fazendo calar as suas mais sentidas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estar\u00edamos, sim, amea\u00e7ando, o regime se nos mostr\u00e1ssemos surdos aos reclamos da Na\u00e7\u00e3o que, de norte a sul, de leste a oeste, levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura.<\/p>\n<p>Sobretudo pela reforma agr\u00e1ria, que ser\u00e1 como complemento da aboli\u00e7\u00e3o do cativeiro para dezenas de milh\u00f5es de brasileiros que vegetam no interior em revoltantes condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Amea\u00e7a \u00e0 democracia n\u00e3o \u00e9 vir confraternizar com o povo na rua.<\/p>\n<p>Amea\u00e7a \u00e0 democracia \u00e9 empulhar o povo explorando seus sentimentos crist\u00e3os, mistifica\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria do anticomunismo, pois tenta levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos \u00faltimos Papas que informam not\u00e1veis pronunciamentos das expressivas figuras do episcopado brasileiro.<\/p>\n<p>O nosso lema, trabalhadores do Brasil, \u00e9 \u201cprogresso com justi\u00e7a, e desenvolvimento com igualdade\u201d.<\/p>\n<p>A maioria dos brasileiros j\u00e1 n\u00e3o se conforma com uma ordem social imperfeita, injusta e desumana.<\/p>\n<p>Os milh\u00f5es que nada t\u00eam impacientam-se com a demora, j\u00e1 agora quase insuport\u00e1vel, em receber os dividendos de um progresso t\u00e3o duramente constru\u00eddo, mas constru\u00eddo tamb\u00e9m pelos mais humildes.<\/p>\n<p>Brasileiros, a hora \u00e9 das reformas de estrutura, de m\u00e9todos, de estilo de trabalho e de objetivo.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabemos que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel progredir sem reformar.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel admitir que essa estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salva\u00e7\u00e3o nacional para milh\u00f5es de brasileiros que da portentosa civiliza\u00e7\u00e3o industrial conhecem apenas a vida cara, os sofrimentos e as ilus\u00f5es passadas.<\/p>\n<p>Quem disse que tais palavras, assim certeiras, diretas, n\u00e3o poderiam ser ditas pela presidenta Dilma nos dias de hoje?<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico sobre a desigualdade, a luta pela terra, o ataque \u00e0 Petrobras, a sanha das grandes empresas nacionais e multinacionais, a utiliza\u00e7\u00e3o do cristianismo de modo ostensivo pela direita, tudo isso soa t\u00e3o atual, sem tirar nem p\u00f4r.<\/p>\n<p>S\u00e3o palavras sacadas do brilhante, intenso, emocionado discurso do presidente Jo\u00e3o Goulart, no com\u00edcio da Central do Brasil, dia 13 de mar\u00e7o de 1964, nas proximidades do golpe do dia 2 de abril, quando o Congresso Nacional decreta, a seu modo, o impeachment do presidente, sob o argumento de que ele havia abandonado o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Goulart, como se sabe hoje, como se sabia ent\u00e3o, estava ainda em Porto Alegre, discutindo as possibilidades de resistir \u00e0 subleva\u00e7\u00e3o golpista. Nos golpes, importa pouco a verdade ou a mentira. Estamos vendo isso com toda nitidez, novamente.<\/p>\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia, \u00e9 poss\u00edvel avaliar melhor o papel de Goulart, ele, que durante bom tempo, foi visto como um vacilante, como homem sem coragem e sem clareza de objetivos. Ou, numa vertente mais te\u00f3rica, como um \u201cpopulista\u201d, esp\u00e9cie de mantra com que eram classificados os que n\u00e3o se enquadrassem nos conceitos revolucion\u00e1rios predominantes em grandes \u00e1reas da esquerda.<\/p>\n<p>Goulart foi um reformista, e aqui apreendendo o melhor sentido do conceito. Na fase final de seu governo, entendeu n\u00e3o ser mais poss\u00edvel a concilia\u00e7\u00e3o com as classes dominantes, e resolveu assumir as reformas pelas quais sempre lutara, apoiando-se nas for\u00e7as de esquerda.<\/p>\n<p>De alguma forma, era um tiro no escuro.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cie de tudo ou nada.<\/p>\n<p>Desde os anos 50, por seu compromisso com os trabalhadores, tornara-se alvo da direita.<\/p>\n<p>Get\u00falio foi obrigado a demiti-lo do Minist\u00e9rio do Trabalho por conta de sua proposta de aumento de 100% do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Assume a presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1961 enfraquecido, sob o fogo da chantagem militar e de advers\u00e1rios do calibre de Carlos Lacerda, que n\u00e3o o queriam presidente de modo nenhum ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros naquele ano.<\/p>\n<p>Fez inteligentemente o acordo do parlamentarismo, tendo Tancredo Neves como primeiro-ministro para poder assumir.<\/p>\n<p>Ganhou de lavada o plebiscito no in\u00edcio de 1963: 9 milh\u00f5es votam presidencialismo, 1 milh\u00e3o, parlamentarismo.<\/p>\n<p>1963 seria o ano em que iniciaria as reformas que defendia.<\/p>\n<p>Aparentemente, estava forte.<\/p>\n<p>A confronta\u00e7\u00e3o por parte da direita vinha j\u00e1 de algum tempo, sem que Goulart provavelmente desse conta dela, ao menos com a gravidade que demonstrar\u00e1 ter \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Lacerda, dia 1\u00ba de outubro de 1963, d\u00e1 entrevista ao correspondente no Brasil do Los Angeles Times, Julien Hart, onde, entre tantas coisas, dizia que os militares, em rela\u00e7\u00e3o a Goulart, debatiam-se se era melhor tutel\u00e1-lo, patrocin\u00e1-lo, p\u00f4-lo sob controle ou alij\u00e1-lo imediatamente &#8211; tir\u00e1-lo do poder, dar o golpe.<\/p>\n<p>Goulart, pressionado por alguns militares, prop\u00f4s o Estado de S\u00edtio, logo em seguida.<\/p>\n<p>Sofreu press\u00e3o da direita e da esquerda, esta porque acreditava que a medida podia tamb\u00e9m atingi-la, Arraes e Brizola entre eles.<\/p>\n<p>E a proposta n\u00e3o vingou.<\/p>\n<p>Tivesse vingado, prendido Lacerda, como pretendia, usado a for\u00e7a contra a rea\u00e7\u00e3o \u2013 Goulart usava muito o termo rea\u00e7\u00e3o para designar o campo conservador \u2013 e certamente a hist\u00f3ria seria a outra.<\/p>\n<p>Quando o Estado de S\u00edtio foi recusado, Goulart chegou a dizer que ali estava configurada a sua derrota. Waldir Pires me revelou isso, \u00edntimo que era do presidente.<\/p>\n<p>Era a cr\u00f4nica de um golpe anunciado.<\/p>\n<p>Isolado, Goulart n\u00e3o cede \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de render-se \u00e0 direita, o que era sempre poss\u00edvel, estivesse disposto \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A chamada \u201cRede da Legalidade\u201d, fruto de acordo entre Roberto Marinho, Nascimento Brito e Jo\u00e3o Calmon, colocou todo o seu aparato midi\u00e1tico a servi\u00e7o do golpe, atividade incrementada a partir do final do segundo semestre de 1963.<\/p>\n<p>Massacrava o presidente minuto a minuto, como sempre agiu a m\u00eddia hegem\u00f4nica, ontem como hoje, quando se trata de governo progressista.<\/p>\n<p>Goulart seguia adiante, n\u00e3o mudava de rumo.<\/p>\n<p>Pretendia, e sempre reafirmava isso, ser digno do legado de Get\u00falio, especialmente de seu segundo governo, do qual participou, mesmo quando sacado do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>Estende os benef\u00edcios da Previd\u00eancia Social aos trabalhadores rurais, irritando o latif\u00fandio. N\u00e3o acreditava mais em concilia\u00e7\u00e3o com esse setor.<\/p>\n<p>Com tais gestos, vai se reaproximando das esquerdas.<\/p>\n<p>N\u00e3o ouve o canto da sereia dos conservadores.<\/p>\n<p>Institui a escala m\u00f3vel de vencimentos. Determina a revis\u00e3o das concess\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o das jazidas minerais e cancela aquelas que n\u00e3o haviam sido exploradas.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo e os bancos dizem \u00e0s claras que embarcaram na canoa golpista.<\/p>\n<p>Ontem como hoje. Goulart n\u00e3o recua.<\/p>\n<p>A 24 de dezembro de 1963, assina o decreto do monop\u00f3lio da Petrobras na importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados, o que desagrada a gregos e troianos do campo conservador, os de c\u00e1 e de modo especial os EUA e as sete irm\u00e3s do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Em 17 de janeiro de 1964, outra medida, extremamente ousada: assina a regulamenta\u00e7\u00e3o final da Lei de Remessa de Lucros para o exterior. Entraria em vigor naquele m\u00eas.<\/p>\n<p>Os EUA, irritad\u00edssimos.<\/p>\n<p>Os golpistas alvoro\u00e7ados e fortemente articulados, civis e militares.<\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel, quando se faz uma retrospectiva, que o campo da esquerda, Goulart inclu\u00eddo, talvez n\u00e3o tivesse consci\u00eancia mais completa do grau avan\u00e7ado da articula\u00e7\u00e3o golpista, mesmo que o desabafo diante da derrota da proposta do Estado de S\u00edtio indicasse um Goulart relativamente consciente de que podia sofrer um golpe. Relativamente.<\/p>\n<p>Talvez por isso, por saber que n\u00e3o havia mais concilia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, que o pr\u00f3prio PSD dava sinais de bandear-se para o campo golpista, aproxima-se mais e mais das esquerdas, sem que estas n\u00e3o estivessem tamb\u00e9m suficientemente articuladas para resistir \u00e0 magnitude do golpe que viria, como provado est\u00e1.<\/p>\n<p>E veio o impressionante com\u00edcio da Central do Brasil.<\/p>\n<p>No com\u00edcio, dando mais passos \u00e0 esquerda, Goulart assina decreto, que era, na vis\u00e3o dele, um primeiro passo para a reforma agr\u00e1ria: considera de interesse social para efeito de desapropria\u00e7\u00e3o as terras que ladeavam eixos rodovi\u00e1rios, leitos de ferrovias, a\u00e7udes p\u00fablicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Assina, ainda, a encampa\u00e7\u00e3o de todas as refinarias de petr\u00f3leo. Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas e Destilaria Rio Grandense passavam a pertencer ao Estado.<\/p>\n<p>Complementava o decreto do monop\u00f3lio de importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados.<\/p>\n<p>Reafirmou ao final de seu discurso para mais de 200 mil pessoas a disposi\u00e7\u00e3o de continuar a lutar pela reforma agr\u00e1ria, reforma tribut\u00e1ria, reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, \u201cpela pureza da vida democr\u00e1tica, pela emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pela justi\u00e7a social e pelo progresso do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O impeachment do presidente, feito pelo Congresso, ocorreria na madrugada de 2 de abril, j\u00e1 com tanques nas ruas, numa articula\u00e7\u00e3o militar e civil, menos de um m\u00eas ap\u00f3s o majestoso com\u00edcio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Darcy Ribeiro diria, com precis\u00e3o, que Goulart ca\u00edra n\u00e3o por seus defeitos, mas por seus m\u00e9ritos. Quisera fazer um governo a favor do povo, dos trabalhadores. Orientou pol\u00edticas nessa dire\u00e7\u00e3o. Foi assim com Get\u00falio. A mesma coisa com Goulart.<\/p>\n<p>Os conservadores brasileiros n\u00e3o suportam nenhuma aragem progressista.<\/p>\n<p>A presidenta Dilma est\u00e1 sendo v\u00edtima de uma tentativa de golpe, como se sabe.<\/p>\n<p>Leva tamb\u00e9m o nome de impeachment.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa que n\u00e3o haja crime.<\/p>\n<p>E isso acontece pela simples raz\u00e3o de que ela e Lula, nos mandatos para o qual foram eleitos, desenvolveram pol\u00edticas de melhorias na vida dos mais pobres do Brasil, e isso sempre foi insuport\u00e1vel para os conservadores brasileiros, presentes no Congresso, em setores amplos do sistema de Justi\u00e7a, na m\u00eddia hegem\u00f4nica, e nas classes dominantes desse pa\u00eds, que nunca conseguiram se livrar de suas marcas escravocratas.<\/p>\n<p>Tudo como dantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que desconfio de que o Brasil nega a formula\u00e7\u00e3o de Marx de que a hist\u00f3ria n\u00e3o se repete. Que, na primeira vez, o fato hist\u00f3rico ocorre como trag\u00e9dia. Na segunda, como farsa.<\/p>\n<p>Creio que a nossa trajet\u00f3ria desmente essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os golpes t\u00eam se sucedido, e s\u00e3o sempre trag\u00e9dia. Em 1964, a rea\u00e7\u00e3o foi m\u00ednima, os tanques entraram pelo Rio de Janeiro e seguiram pa\u00eds afora, sem praticamente nenhuma oposi\u00e7\u00e3o. O Congresso referendou a marcha dos tanques. As esquerdas n\u00e3o estavam preparadas.<\/p>\n<p>Agora, contra o golpe sem tanques \u2013 m\u00eddia, sistema de justi\u00e7a, Congresso Nacional, Fiesp, bancos, classes dominantes \u2013 houve rua, houve articula\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, mobiliza\u00e7\u00f5es expressivas, mas os comandantes da opera\u00e7\u00e3o golpista, as institui\u00e7\u00f5es que a comandam, fazem ouvidos de mercador. Significa que podem agir assim, reuniram uma coaliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as conservadoras capaz de fazer frente \u00e0 rea\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Est\u00e3o surdos ao fato de que condenar\u00e3o uma inocente.<\/p>\n<p>Como sobre v\u00e1rios dos comandantes do golpe pesam acusa\u00e7\u00f5es de crimes graves, a opera\u00e7\u00e3o tem tamb\u00e9m um objetivo adicional, e nada secund\u00e1rio: a partir de seu t\u00e9rmino, se houver a vit\u00f3ria do golpe, pretendem construir caminhos que os livrem de qualquer puni\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 nada improv\u00e1vel face \u00e0 natureza seletiva do sistema de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Espera-se que nessas pr\u00f3ximas horas, cres\u00e7a a mobiliza\u00e7\u00e3o popular de modo a pressionar o Congresso Nacional, e evitar que se condene uma inocente.<\/p>\n<p>Espera-se.<\/p>\n<p>O que essa tentativa de impeachment quer \u00e9 retirar os direitos dos que vivem do trabalho, cessar a distribui\u00e7\u00e3o de renda iniciada nesses 13 anos de governos sob a hegemonia do Partido dos Trabalhadores, criminalizar o campo progressista e impedir a candidatura de Lula em 2018.<\/p>\n<p>A hora decisiva est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p>E \u00e0s for\u00e7as populares s\u00f3 restam \u00e0s ruas.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos que desprezar nada, nenhuma articula\u00e7\u00e3o no Senado deve ser desconsiderada.<\/p>\n<p>Mas, definitivamente, as mudan\u00e7as de voto no Senado que possam beneficiar Dilma s\u00f3 vir\u00e3o da press\u00e3o popular, das ruas do Brasil.<\/p>\n<p>\u00c0s ruas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emiliano Jos\u00e9, na Caros Amigos Democracia para esses democratas n\u00e3o \u00e9 o regime da liberdade de reuni\u00e3o para o povo: o que eles querem \u00e9 uma democracia de povo emudecido, amorda\u00e7ado nos seus anseios e sufocado nas suas reivindica\u00e7\u00f5es. 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