{"id":53550,"date":"2016-08-22T19:06:22","date_gmt":"2016-08-22T22:06:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=53550"},"modified":"2016-08-22T17:09:45","modified_gmt":"2016-08-22T20:09:45","slug":"bonus-demografico-e-os-desafios-da-diversidade-e-interculturalidade-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2016\/08\/22\/bonus-demografico-e-os-desafios-da-diversidade-e-interculturalidade-na-educacao\/","title":{"rendered":"B\u00f4nus Demogr\u00e1fico e os Desafios da Diversidade e Interculturalidade na Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Paulo Gabriel Soledade Nacif<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-53552\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/paulo-300x300.png\" alt=\"paulo\" width=\"190\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/paulo-300x300.png 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/paulo-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/paulo.png 500w\" sizes=\"(max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/>Com a queda da taxa de fecundidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a base da pir\u00e2mide demogr\u00e1fica do Brasil est\u00e1 se estreitando. Atualmente o topo ainda est\u00e1 pequeno, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta pela popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, pois h\u00e1 poucos idosos e jovens dependentes. Assim, desde 1995 at\u00e9 2050 o Brasil teve e ter\u00e1 a maior parte da sua popula\u00e7\u00e3o em idade produtiva. Essa atual din\u00e2mica demogr\u00e1fica constitui-se numa janela hist\u00f3rica que se estender\u00e1 at\u00e9 o ano de 2050 (com maiores efeitos at\u00e9 2035) e \u00e9 considerada uma oportunidade \u00edmpar para o Brasil se transformar num pa\u00eds mais rico e mais justo. Ap\u00f3s 2050 teremos um decr\u00e9scimo relativo da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53551\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/favela-300x199.jpg\" alt=\"favela\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/favela-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/favela.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Independente de outras provid\u00eancias estrat\u00e9gicas para aproveitar essa oportunidade temporal, denominada pelos especialistas de \u201cb\u00f4nus demogr\u00e1fico\u201d, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um componente obrigat\u00f3rio nesse processo. Caso o Brasil n\u00e3o aproveite essa oportunidade, ser\u00e1 ainda mais dif\u00edcil resolver nossos problemas hist\u00f3ricos relacionados \u00e0 produtividade do trabalho que se associam \u00e0 necessidade de aumento dos anos de escolaridade da popula\u00e7\u00e3o. De forma dual, o Brasil precisa dispensar uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 quest\u00e3o da diversidade da sua popula\u00e7\u00e3o, pois as desigualdades educacionais hist\u00f3ricas que acompanham categorias significativas da nossa popula\u00e7\u00e3o devem ser imediatamente superadas e, assim, aproveitar plenamente nosso b\u00f4nus demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a demogr\u00e1fica em curso no Brasil lan\u00e7a um desafio imenso \u00e0 nossa gera\u00e7\u00e3o, afinal, cabe a n\u00f3s criarmos as condi\u00e7\u00f5es educacionais que caracterizar\u00e1 o Brasil em 2050.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o B\u00f4nus Demogr\u00e1fico?<\/strong><\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas est\u00e3o associadas \u00e0 Raz\u00e3o de Depend\u00eancia (RD) da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>A literatura define \u201cPopula\u00e7\u00e3o Inativa Jovem\u201d pelo conjunto da popula\u00e7\u00e3o de 0 a 14 anos (A), a \u201cPopula\u00e7\u00e3o em Idade Ativa\u201d (PIA) \u00e9 o conjunto da popula\u00e7\u00e3o de 15 a 64 anos (B) e s\u00e3o considerados \u201cidosos\u201d as pessoas acima de 65 anos (C). Os grupos A e C s\u00e3o definidos como popula\u00e7\u00e3o \u201cdependente\u201d. A raz\u00e3o de depend\u00eancia demogr\u00e1fica ser\u00e1 a soma da \u201cPopula\u00e7\u00e3o Inativa\u201d, jovem e idosos, dividida pela \u201cPopula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa\u201d: (A+C)\/B.<\/p>\n<p>Especialistas demonstram que no Brasil a queda da mortalidade levou a um aumento da raz\u00e3o de depend\u00eancia nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. Ap\u00f3s 1970 a raz\u00e3o de depend\u00eancia come\u00e7a a cair at\u00e9 chegar ao n\u00edvel de 50 dependentes para cada 100 indiv\u00edduos em idade ativa no per\u00edodo de 2010 a 2030. A partir de 2030 a raz\u00e3o de depend\u00eancia come\u00e7a a subir. Esta menor carga de depend\u00eancia \u00e9 denominada pelos especialistas de Janela de Oportunidade Demogr\u00e1fica ou B\u00f4nus Demogr\u00e1fico. Trata-se de singulares oportunidades demogr\u00e1ficas para a nossa sociedade, notadamente no per\u00edodo entre 2010 e 2030, quando a raz\u00e3o de depend\u00eancia ser\u00e1 muito baixa. As transfer\u00eancias intergeracionais s\u00e3o favorecidas nesse per\u00edodo pois a\u00ed teremos um menor n\u00famero de pessoas dependentes em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de pessoas produtivas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 2050, caso o per\u00edodo do b\u00f4nus demogr\u00e1fico n\u00e3o seja aproveitado passaremos a ter o \u00f4nus demogr\u00e1fico: uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, com indicadores educacionais sofr\u00edveis e dinamismo socioecon\u00f4mico fortemente comprometido.<\/p>\n<p><strong>Demografia, Diversidade e Interculturalidade<\/strong><\/p>\n<p>Para o Brasil aproveitar o b\u00f4nus demogr\u00e1fico \u00e9 necess\u00e1rio, dentre outras a\u00e7\u00f5es, aumentar a produtividade dos nossos sistemas. Estudos indicam que essa produtividade tem aumentado em ritmo menor que a de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>O problema da baixa produtividade no Brasil \u00e9 estrutural e envolve quest\u00f5es como burocracia, infraestrutura, ambi\u00eancia para neg\u00f3cios, pr\u00e1ticas gerenciais, concorr\u00eancia, desigualdades regionais, concentra\u00e7\u00e3o de renda, inova\u00e7\u00e3o, qualidade e abrang\u00eancia populacional da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No campo educacional estamos avan\u00e7ando, mas o ritmo ainda \u00e9 lento. Em 2003, 28% da popula\u00e7\u00e3o ocupada tinham o ensino m\u00e9dio incompleto ou completo. Em 2013, o percentual subiu para 36%. J\u00e1 o total de trabalhadores com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria completa aumentou de 12% para 14% em dez anos. De acordo com os indicadores da PNAD, a escolaridade ligada \u00e0 for\u00e7a de trabalho brasileira passou de uma m\u00e9dia de 5,7 anos de estudo, em 1992, para uma m\u00e9dia aproximada de 7,7 anos, em 2013. Uma das maiores m\u00e9dias de escolaridades\u00a0do mundo \u00e9 dos Estados Unidos: 13,3 anos.<\/p>\n<p>A meta 8 do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o 2014\/2024 \u00e9 estrat\u00e9gica nesse debate. Ela estabelece: \u201cElevar a escolaridade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o de 18 a 29 anos, de modo a alcan\u00e7ar no m\u00ednimo 12 anos de estudo no \u00faltimo ano, para as popula\u00e7\u00f5es do campo, da regi\u00e3o de menor escolaridade no Pa\u00eds e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade m\u00e9dia entre negros e n\u00e3o negros declarados \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)\u201d. Vale lembrar que mesmo atingindo tal meta, ainda assim teremos uma m\u00e9dia menor de escolaridade para toda a popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que seu foco s\u00e3o os jovens de 18 a 29 anos.<\/p>\n<p>Caso n\u00e3o aproveite o tempo do b\u00f4nus demogr\u00e1fico ser\u00e1 ainda mais dif\u00edcil resolver nossos problemas hist\u00f3ricos relacionados \u00e0 inclus\u00e3o socioprodutiva pois, nesse caso, ap\u00f3s 2050 o Brasil ser\u00e1 um Pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida e com uma raz\u00e3o de depend\u00eancia alta, condi\u00e7\u00e3o na qual o dinamismo socioecon\u00f4mico (no atual perfil socioecon\u00f4mico) que permite saltos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o estar\u00e1 fortemente comprometido.<\/p>\n<p>Aqui chegamos ao nosso encontro incontorn\u00e1vel com a quest\u00e3o da diversidade na educa\u00e7\u00e3o brasileira. Abordaremos nesse texto apenas algumas dimens\u00f5es da agenda da diversidade na educa\u00e7\u00e3o mas voltaremos ao tema nesse blog em outras ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Comecemos pela quest\u00e3o da inclus\u00e3o \u00e9tnico-racial. A popula\u00e7\u00e3o negra, numericamente majorit\u00e1ria na popula\u00e7\u00e3o brasileira (hoje j\u00e1 somos 53% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil), apresenta menor escolaridade quando comparada \u00e0 branca e \u00e0 amarela. Inclusive, a taxa de fecundidade da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 maior quando comparada a outros grupos \u00e9tnicos e por isso h\u00e1 uma tend\u00eancia de que essa parcela atinja um percentual ainda maior da popula\u00e7\u00e3o. Como sabemos, as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de um processo hist\u00f3rico, j\u00e1 previsto por Joaquim Nabuco (1849-1910) quando pontificou: \u201cN\u00e3o basta acabar com a escravid\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio destruir a sua obra\u201d. Sem um amplo processo de inclus\u00e3o educacional dessa popula\u00e7\u00e3o, qualquer a\u00e7\u00e3o voltada ao aumento da produtividade estar\u00e1 comprometida, pois isso continuaria ocorrendo de maneira efetiva somente em uma parcela muito pequena da popula\u00e7\u00e3o, ampliando ainda mais as nossas desigualdades e com reflexos limitados nas condi\u00e7\u00f5es socioprodutivas necess\u00e1rias ao novo momento demogr\u00e1fico do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo Censo do IBGE a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira em 2010 era de \u00a0896.917 pessoas. Tais n\u00fameros devem ser percebidos no contexto de uma popula\u00e7\u00e3o de sobreviventes a um abissal processo de genoc\u00eddio a que os ind\u00edgenas foram submetidos nos 500 anos de coloniza\u00e7\u00e3o europeia e posterior organiza\u00e7\u00e3o de um Estado Nacional que se desenvolveu sob a \u00e9gide de expl\u00edcitas pol\u00edticas de assimila\u00e7\u00e3o e\/ou elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica desses povos. \u00c9 portanto um feito singular que tais povos tenham chegado ao s\u00e9culo XXI organizados em \u00a0305 etnias, tais como Patax\u00f3s, Tupinamb\u00e1s, Tik\u00fana, Guarani Kaiow\u00e1, Kaingang, Makux\u00ed e Tenera e falando 274 l\u00ednguas. A educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 estrat\u00e9gica para um Pa\u00eds que tem a maior diversidade \u00e9tnica das Am\u00e9ricas e quer ser respeitado por se colocar \u00e0 altura das suas responsabilidades socioambientais, que abarcam, necessariamente, a riqueza das singularidades de cada cultura que abriga.<\/p>\n<p>Os investimentos na educa\u00e7\u00e3o do campo n\u00e3o podem ser negligenciados. O Brasil possui, segundo os crit\u00e9rios do IBGE, 15% da popula\u00e7\u00e3o no campo. Segundo crit\u00e9rios de outros especialistas em ruralidade, que consideram como rurais, pequenos munic\u00edpios cuja integra\u00e7\u00e3o com o campo centraliza a maior parte das atividades socioculturais, essa popula\u00e7\u00e3o pode chegar a 30%. A popula\u00e7\u00e3o rural brasileira possui em m\u00e9dia 4,4 anos de escolaridade, enquanto a m\u00e9dia brasileira, j\u00e1 muito baixa, \u00e9 de 7,7 anos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a uma singular integra\u00e7\u00e3o entre pesquisadores da educa\u00e7\u00e3o, educadores e movimentos sociais temos hoje um invej\u00e1vel ac\u00famulo na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o do campo desenvolvida em bases Freirianas, considerando o protagonismo dos sujeitos do campo e, n\u00e3o menos importante, a multifuncionalidade do mundo rural. O respeito a esse projeto \u00e9 essencial para nos levar a um est\u00e1gio de desenvolvimento sustent\u00e1vel t\u00e3o propalado mas ainda t\u00e3o distante.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos \u00e9 uma agenda essencial para aproveitarmos o b\u00f4nus demogr\u00e1fico. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domic\u00edlios (PNAD) do IBGE de 2014, estima-se que 81,8 milh\u00f5es de brasileiros de 18 anos ou mais de idade n\u00e3o haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio. Esse n\u00famero representa 55%, do total de pessoas nessa faixa et\u00e1ria. Quase 40% desses jovens, adultos e idosos, o que corresponde a 58,8 milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o havia completado sequer o ensino fundamental. Quase a totalidade desses jovens, adultos e idosos de baixa escolaridade n\u00e3o mais frequentam a escola. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se pensar numa pol\u00edtica estrat\u00e9gica de mudan\u00e7a do nosso perfil educacional frente aos desafios demogr\u00e1ficos sem colocar a EJA como uma quest\u00e3o tamb\u00e9m central do debate.<\/p>\n<p>Nesse contexto \u00e9 essencial ressaltar o desafio da educa\u00e7\u00e3o intercultural. \u00c9 inexplic\u00e1vel que um pa\u00eds multicultural como o Brasil n\u00e3o tenha a quest\u00e3o da interculturalidade como relevante no curr\u00edculo da sua educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior. Lamentavelmente ainda estamos longe dessa perspectiva. A an\u00e1lise dos debates que norteiam a cria\u00e7\u00e3o da nossa Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em constru\u00e7\u00e3o revela essa estranha realidade.<\/p>\n<p>A interculturalidade \u00e9 estrat\u00e9gica para a constru\u00e7\u00e3o de processos educacionais efetivamente coerentes com as dimens\u00f5es culturais dos territ\u00f3rios das escolas \u2013 e isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa num pa\u00eds como o nosso. Sem respeitar isso ainda levaremos muitas gera\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de solidariedade no interior da nossa popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o diversa e que apresenta na sua constitui\u00e7\u00e3o ainda tantos estranhamentos e desconfian\u00e7as. Arrisco afirmar que a pouca considera\u00e7\u00e3o da interculturalidade \u00e9, provavelmente, um dos motivos ocultos do insucesso da nossa escola, sempre t\u00e3o em busca de experi\u00eancias em pa\u00edses com forma\u00e7\u00e3o cultural muito menos complexa que a nossa.<\/p>\n<p>Por fim, vale registrar que em adi\u00e7\u00e3o a toda essa diversidade cultural existem aquelas diversidades que emergem da singularidade humana e fazem da vida uma experi\u00eancia t\u00e3o bela e desafiadora. Nesse momento crucial da educa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel seguir em frente sem incluir a todos no processo. Aqui cabe destacar a necessidade de continuarmos avan\u00e7ando na educa\u00e7\u00e3o especial na perspectiva inclusiva e a educa\u00e7\u00e3o para o respeito ao g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>N\u00e3o enfrentar a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no Brasil em toda a sua diversidade nos leva a uma op\u00e7\u00e3o absurda mas j\u00e1 sugerida por alguns setores da nossa elite para resolver os nossos problemas de produtividade em tempos de mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas t\u00e3o profundas: a indu\u00e7\u00e3o de um ciclo de imigra\u00e7\u00e3o de estrangeiros altamente qualificados para compensar o aumento da popula\u00e7\u00e3o inativa e a baixa produtividade da parcela da popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda do sistema educacional.<\/p>\n<p><strong>Para Saber Mais<\/strong><\/p>\n<p>Brito, Fausto. A transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica no Brasil: as possibilidades e os desafios para a economia e a sociedade. Belo Horizonte: UFMG\/Cedeplar, 2007. 28p. (Texto para discuss\u00e3o; 318)<\/p>\n<p>Alves, Jos\u00e9 E. D. A transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e a janela de oportunidade. S\u00e3o Paulo: Instituto Fernand Braudel. 2008. 13p<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Gabriel Soledade Nacif Com a queda da taxa de fecundidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a base da pir\u00e2mide demogr\u00e1fica do Brasil est\u00e1 se estreitando. Atualmente o topo ainda est\u00e1 pequeno, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta pela popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, pois h\u00e1 poucos idosos e jovens dependentes. 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