{"id":43784,"date":"2015-10-03T19:43:47","date_gmt":"2015-10-03T22:43:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/?p=43784"},"modified":"2015-10-03T11:49:14","modified_gmt":"2015-10-03T14:49:14","slug":"morrem-os-jornais-surgem-as-marcas-jornalisticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/2015\/10\/03\/morrem-os-jornais-surgem-as-marcas-jornalisticas\/","title":{"rendered":"Morrem os jornais, surgem as marcas jornal\u00edsticas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Carlos Castilho, no Observat\u00f3rio da Imprensa<\/p>\n<p>Os jornais est\u00e3o deixando de ser um produto para serem marcas. Muito em breve n\u00e3o teremos mais um jornal chamado <em>O Globo<\/em>. Para acessarmos not\u00edcias, reportagens, cr\u00f4nicas, blogs, infogr\u00e1ficos e pe\u00e7as multim\u00eddia talvez tenhamos que procurar a marca <em>O Globo <\/em>num conjunto disperso de publica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 mais a plataforma que importa, mas a qualidade da informa\u00e7\u00e3o publicada nas mais diferentes plataformas.<\/p>\n<p>Para os donos de neg\u00f3cios jornal\u00edsticos a not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 nada animadora porque significa o fim de uma era e o <strong>esgotamento de uma m\u00e1quina de fazer dinheiro<\/strong> que gerou muitas fam\u00edlias multimilion\u00e1rias. Mas para os jornalistas pode ser uma grande novidade porque o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o deixar\u00e1 de ser primariamente condicionado pelo fator comercial, para voltar aos prim\u00f3rdios da atividade quando o que valia era o tipo de material publicado, bem como a honestidade e credibilidade do autor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-43785\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/midia-300x254.png\" alt=\"midia\" width=\"300\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/midia-300x254.png 300w, https:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/midia.png 412w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>As publica\u00e7\u00f5es impressas est\u00e3o deixando de ser um produto f\u00edsico comercializ\u00e1vel porque perderam espa\u00e7o para as novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, especialmente para plataformas digitais como <em>Facebook<\/em>, <em>Twitter<\/em>, <em>Youtube<\/em>, <em>Google<\/em> e centenas de outras. A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica est\u00e1 enterrando um neg\u00f3cio que chegou a ser <strong>obscenamente lucrativo<\/strong> no final do s\u00e9culo XX, mas que entrou em crise da mesma forma que sucumbiram os copistas medievais, as ind\u00fastrias produtoras de m\u00e1quinas de escrever, do telex e do fax, para citar apenas os exemplos mais conhecidos.<\/p>\n<p>Os grandes conglomerados jornal\u00edsticos, cujo poderio se materializava em seus ativos f\u00edsicos e financeiros, tem agora a sua sobreviv\u00eancia condicionada \u00e0 credibilidade de uma marca. Esta reconvers\u00e3o de modelos de neg\u00f3cios \u00e9 vi\u00e1vel, mas ela tem um pre\u00e7o: <strong>a perda da arrog\u00e2ncia corporativa e pol\u00edtica<\/strong> que sempre caracterizou os chamados \u201cbar\u00f5es da imprensa\u201d. A credibilidade da marca vai exigir investimentos na produ\u00e7\u00e3o qualificada de noticias, na contrata\u00e7\u00e3o de profissionais tamb\u00e9m qualificados e no desenvolvimento de softwares especializados em curadoria de informa\u00e7\u00f5es, processamento e analise de dados. \u00c9 o m\u00ednimo para garantir a sobreviv\u00eancia de marcas como <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, <em>The Washington Post<\/em> ou <em>Times<\/em>.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria dos jornais est\u00e1 morrendo como neg\u00f3cio altamente lucrativo, mas o jornalismo, seguramente, n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo destino. <strong>Est\u00e1 em curso um div\u00f3rcio<\/strong> cujas consequ\u00eancias n\u00f3s ainda mal vislumbramos. A crise na ind\u00fastria de publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas \u00e9 concreta e ela vai nos fornecer alguns ind\u00edcios importantes sobre a verdadeira rela\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios da imprensa e o jornalismo. Se eles reorientarem os seus neg\u00f3cios para outras atividades econ\u00f4micas, ficar\u00e1 claro que o discurso adotado at\u00e9 agora sobre temas como o papel da informa\u00e7\u00e3o e da liberdade de express\u00e3o era meramente circunstancial e oportunista.<\/p>\n<p>Mas alguns empres\u00e1rios, como parece ser o caso dos controladores do <em>The New York Times,<\/em> demonstram interesse em continuar apostando no jornalismo, mesmo que <strong>sem a esperan\u00e7a de grandes lucros<\/strong>. \u00c9 uma possibilidade que permitir\u00e1 a sobreviv\u00eancia de alguns t\u00edtulos muito conhecidos, mas ainda \u00e9 uma alternativa sujeita a idas e vindas, como por exemplo, no caso do NYT, a sucess\u00e3o dentro da dinastia Ochs-Sulzberger que controla o jornal desde 1896.<\/p>\n<p>O jornalismo como marca com confiabilidade certificada pela audi\u00eancia tamb\u00e9m depende de sustentabilidade econ\u00f4mica. Mas a forma pela qual o exerc\u00edcio da atividade se relaciona com a sua <strong>sobreviv\u00eancia financeira tende a ser bem diferente<\/strong> da que existia at\u00e9 agora entre as fam\u00edlias ou acionistas controladores de um jornal e os seus empregados na reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a desorganiza\u00e7\u00e3o do mercado corporativo no segmento das ind\u00fastrias de comunica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica gerou uma grande dispers\u00e3o dos jornalistas, ao mesmo tempo em que as novas tecnologias reduziram enormemente a diferen\u00e7a entre profissionais e praticantes de atos jornal\u00edsticos (amadores ou jornalistas cidad\u00e3os). Isto produziu uma situa\u00e7\u00e3o em que temos simultaneamente <strong>uma alta concentra\u00e7\u00e3o de plataformas digitais<\/strong> e uma in\u00e9dita segmenta\u00e7\u00e3o de empreendedores individuais explorando nichos informativos diferenciados.<\/p>\n<p>A extraordin\u00e1ria concentra\u00e7\u00e3o de plataformas de dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es como <em>Facebook<\/em>, <em>Twitter<\/em>, <em>YouTube<\/em>, <em>Apple<\/em> e <em>Google<\/em>, por exemplo, \u00e9 avassaladora. A ind\u00fastria dos jornais, revistas e audiovisuais est\u00e1 sucumbindo rapidamente \u00e0 expans\u00e3o viral de sistemas muito mais \u00e1geis, econ\u00f4micos e globalizados, mas a concentra\u00e7\u00e3o tem <strong>um ponto fraco, nada desprez\u00edvel<\/strong>: ela depende da fidelidade de seus usu\u00e1rios, um fator que na era digital passou a ser extremamente fluido. Esta liquidez \u00e9 uma das caracter\u00edsticas centrais da nova economia digital.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o segmento dos profissionais e n\u00e3o profissionais aut\u00f4nomos a fluidez conjuntural est\u00e1 sendo incorporada \u00e0 rotina de trabalho. A nova gera\u00e7\u00e3o de jornalistas n\u00e3o cria empresas, mas marcas e sua rela\u00e7\u00e3o com elas <strong>\u00e9 essencialmente fluida<\/strong>. Tanto podem vend\u00ea-la para um investidor quando atingem um determinado patamar de confiabilidade e lucratividade potencial , como podem tranquilamente come\u00e7ar tudo de novo em caso de insucesso. O acompanhamento do fen\u00f4meno das <em>start-ups<\/em> (empresas iniciantes, individuais ou em pequenos grupos) mostra um enorme cemit\u00e9rio de marcas, cujos criadores j\u00e1 est\u00e3o noutra atividade ou projeto.<\/p>\n<p>A estabilidade das empresas jornal\u00edsticas cede cada vez mais espa\u00e7o para a <strong>mutabilidade das marcas jornal\u00edsticas<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Castilho, no Observat\u00f3rio da Imprensa Os jornais est\u00e3o deixando de ser um produto para serem marcas. Muito em breve n\u00e3o teremos mais um jornal chamado O Globo. Para acessarmos not\u00edcias, reportagens, cr\u00f4nicas, blogs, infogr\u00e1ficos e pe\u00e7as multim\u00eddia talvez tenhamos que procurar a marca O Globo num conjunto disperso de publica\u00e7\u00f5es. 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